Um gigante imparável chamado cooperativismo – Shandrus Hohne de Carvalho é Presidente Executivo da Cooperativa Agro Industrial Holambra

Publicado em: 18 junho - 2021

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Já parou para pensar que de uma forma ou de outra, o cooperativismo está intrinsecamente relacionado com o cotidiano de praticamente toda a população, não somente no Brasil como no mundo? Seja como cooperado, funcionário ou principalmente como consumidor, você absorve e consome muito do que é produzido ou oferecido – em formato de serviços/produtos – por cooperativas.

Se ainda não está convencido dessa afirmação, continue essa leitura e no final do texto garanto que você irá concordar comigo! 

Para começar, um dado expressivo que irá surpreender muita gente: 1 em cada 7 pessoas mundo afora é associada a uma das milhões de cooperativas existentes no globo terrestre. O total de cooperados no planeta? 1,2 bilhão de pessoas. Desse total, 11,1 milhões são associados exclusivamente a cooperativas de trabalho.

Agora, um exercício interessante: já imaginou se as 300 maiores cooperativas do mundo fossem um país? A 9ª maior economia do planeta estaria configurada, com um faturamento de US$ 2,3 trilhões, empregando 280 milhões de pessoas”.

Aliás, falando sobre o mundo, no exterior, o que não faltam são exemplos da força do cooperativismo. A maior rede bancária da França, o Crédit Agricole, é uma cooperativa que conta com 59 milhões de clientes e 24% do mercado francês. Em Israel, a maior rede de supermercados também é formada por cooperados. Na Bolívia, 92% da exploração mineral é feita por cooperativas.

E no agro? 98% da produção de leite da Nova Zelândia, 95% da produção de leite do México e 92% de todo alimento do Japão …tudo isso, fruto de cooperativas.   

Por definição, essa associação não concentra renda ou acumula capital. Traduzindo, uma cooperativa não visa lucros, a ideia principal é melhorar a condição de vida de seus cooperados”

Mas, antes de te passar mais dados interessantes, vamos voltar um passo atrás e definir o que é cooperativismo, assim, fica mais fácil entender por que ele é um dos grandes protagonistas da atualidade: essa modalidade é caracterizada pela junção de pessoas, que estão em busca de um mesmo objetivo a fim de atender às suas necessidades comuns. Essa união voluntária em torno de uma organização faz com que todos se transformem em proprietários do negócio. 

São os cooperados quem formulam as políticas da cooperativa e também têm o poder de tomada de decisão, o que resulta em uma gestão democrática.

Pegando carona do Dia Internacional das Cooperativas, celebrado em 3 de julho, no Brasil e no mundo várias organizações celebram a Semana do Cooperativismo. O objetivo desse ano é expor como cada cooperativa passou (e segue) atravessando a pandemia do coronavírus.  

Mas, o que é cooperar? Segundo o Dicio, dicionário online de Língua Portuguesa, a palavra “cooperar” em seu sentido mais fidedigno significa: “Operar juntamente com alguém; contribuir ajudando, auxiliando outras pessoas; colaborar”. A cooperação é fundamental para que a sociedade siga melhorando, buscando a harmonia, a organização e o bem-estar de todos. No campo profissional, é a mesma coisa. As cooperativas representam justamente a força e o sentido dessa palavra.  

Cooperativismo no Brasil. Em nosso país, o cooperativismo deu os primeiros passos no final do século 19, em Minas Gerais, com a fundação da Cooperativa dos Funcionários Públicos de Ouro Preto. Desde então, essa cultura segue em crescente, ganhando cada vez mais força em todas as esferas da sociedade.

Regidas pela lei 5.764/71 e integradas pelo Sistema OCB (Organização das Cooperativas do Brasil), as cooperativas no Brasil acumulam o valor de R$ 351 bilhões em ativos totais e uma receita bruta anual de aproximadamente R$ 260 bilhões, segundo os dados mais recentes (2018).  

Em nosso país, o cooperativismo é dividido em sete ramos: agropecuário; crédito; transporte; trabalho; produção de bens e serviços; saúde; consumo e infraestrutura. Somente no ramo agropecuário, são 1.613 cooperativas, com um total de 1 milhão de cooperados. A geração de empregos é outro destaque: 209 mil colaboradores.    

Cooperativas e suas importantes marcas. Hoje, no Brasil, há várias marcas importantes e produtos nascidos a partir das cooperativas. Adivinha qual é a maior cooperativa médica de todo o planeta? A Unimed. Gosta de linguiça, salsicha, bacon, salame, frios em geral e laticínios? Aurora e Frimesa estão entre as maiores cooperativas de alimentos do Brasil. E quando você pensa em açúcar, qual o primeiro nome que lhe vem à cabeça? Açúcar União, certo? Pois é, essa é uma das marcas da Camil (Cooperativa Agrícola Mista Itaquiense Ltda), que começou como uma cooperativa há mais de 55 anos e hoje é líder nos ramos de açúcar e pescado. Esses são apenas alguns do vários exemplos de marcas consolidadas que temos no Brasil, que tem sua atuação permeada pelo cooperativismo.

Cooperativismo e sustentabilidade. O conceito de sustentabilidade vem passando por adaptações ao longo dos últimos anos. Atualmente, esse tema vem criando uma onda de consciência coletiva, que busca a união do ecologicamente correto, do economicamente viável e do socialmente justo. A convergência de todas essas vertentes aponta para um caminho único: ser verdadeiramente sustentável. Isso é possível quando pensamos em um cenário em que alcançar as necessidades atuais não compromete a habilidade das futuras gerações de suprirem suas próprias necessidades.    

O cooperativismo é um movimento que já nasce com valores de sustentabilidade. Os seus princípios estão alinhados com a ideia dos indicadores ESG (Environment, Social and Governance – em livre tradução: Ambiental, Social e Governança).

– Princípios da Adesão Voluntária e Livre e da Autonomia e Independência: cooperativas são socialmente justas e culturalmente diversas.

– Princípios do Interesse pela Comunidade e da Educação, Formação e Informação: cooperativas buscam a conduta ecologicamente correta.

– Princípios da Participação Econômica e Gestão Democrática pelos Membros: cooperativas são economicamente viáveis.

Formadas por micro e pequenos empresários ou produtores que não teriam sozinhos, recursos suficientes para colocar suas empresas de pé, esse modelo de negócio “busca transformar o mundo em um lugar mais justo, feliz, equilibrado e com melhores oportunidades para todos”, é o que afirma [com toda a propriedade] a Organização das Cooperativas Brasileiras.

Crescimento. As cooperativas têm um compromisso com o desenvolvimento das regiões onde estão inseridas, beneficiando também a comunidade que vive em seu entorno. Sua força, cada vez mais latente, representa um modelo de negócios que vai continuar frutificando hoje e certamente, só tende a crescer nos próximos anos. Isso porque, concentra e organiza a força de trabalho, propiciando a geração de renda, enquanto busca seguir em frente, respeitando princípios ambientais, econômicos e sociais, que privilegiam o ser humano e a sociedade como um todo.   

Cooperativas agroindustriais e sua força. Esse é hoje, muito provavelmente, o modelo mais promissor do mercado, quando pensamos em distribuição de insumos e comercialização de grãos. Você sabe por quê? O foco está no produtor rural e no atendimento em todas suas necessidades para fazer seu negócio prosperar cada vez mais com menor complexidade para tomar suas decisões. Nessas unidades ocorrem todas as etapas de preparação necessárias (assistência técnica, acesso à tecnologia no campo, apoio nos processos de plantio e colheita, apoio à logística, armazenagem, beneficiamento, processamento e transformação de produtos agropecuários, crédito, financiamentos, entre outros) antes da comercialização. Assim, todos os processos são feitos de forma integrada e com muito mais celeridade. Na Cooperativa Agro Industrial Holambra, buscamos fazer tudo isso com excelência e ainda temos muito por fazer, por isso há décadas nosso propósito é gerar mais riqueza e sustentabilidade através da excelência no agronegócio.


*Shandrus Hohne de Carvalho é Presidente Executivo da Cooperativa Agro Industrial Holambra



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