Um olhar realista sobre as Cidades Inteligentes – Antônio de Arimateia (gerente de desenvolvimento de negócios da Sonda Utilities)

Publicado em: 11 maio - 2016

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A pergunta que eu mais ouço é: “O que é uma Cidade Inteligente?”. Como profissional de tecnologia, é natural eu incluir conceitos tecnológicos nas respostas até por ter facilidade e experiência em encontrar formas de utilizá-la para ajudar a resolver problemas das cidades. No entanto, a tecnologia não passa de um ferramental, que, se bem utilizado, permite que as cidades resolvam dos problemas mais básicos aos mais complexos de forma muito eficiente.

Porém, o conceito de Cidade Inteligente trata muito mais de pessoas do que de tecnologias, pois ele se refere à nossa casa, ao lugar onde gostamos ou queremos viver e criar nossos filhos, ao lugar onde nos sentimos partes importantes e até indispensáveis no processo de sua construção e melhoria.

Diferente do Brasil, o tema Cidades Inteligentes recebe a devida atenção e é aplicado intensamente nos países mais desenvolvidos. Por aqui, percebemos que nossa sociedade ainda tem dificuldades de entender o quão complexa é uma cidade, por menor que ela seja. Essa complexidade é tão menosprezada que basta tirar um raio x do corpo gestor da maioria dos municípios brasileiros (nos três poderes – Executivo, Legislativo e Judiciário), que é possível enxergar o grande descompasso profissional entre a maioria deles e as áreas pelas quais são responsáveis, refletindo na forma distorcida como lidam com o este importante tema.

A iniciativa privada por sua vez tem o papel fundamental de disseminar conceitos, conhecimento e boas práticas relacionadas ao tema, apoiando o desenvolvimento e adoção de padrões mundiais, ofertando modelos de comercialização aderentes à nossa realidade, investindo em pesquisa e desenvolvimento local, além de assumir compromissos com resultados técnicos e níveis de serviços (SLAs) compatíveis.

Quando a avaliação de um problema leva em conta as necessidades de todos os envolvidos e a adoção da tecnologia é feita de forma inteligente a solução é, na maioria das vezes, Simples e Eficiente, mas tenho visto muito Glamour Ineficiente.

Vejamos exemplos reais presentes em algumas cidades brasileiras que utilizam parquímetros. Glamour Ineficiente – grande, caro, ecologicamente incorreto, com problemas de acessibilidade e usabilidade, financeira e eticamente injusto, passível de danos e furtos, e com muitas variáveis que podem causar sua indisponibilidade. Caro por ser grande e possuir muitos componentes (unidade computacional, leitor de cartões, captador/contador de dinheiro, impressora, bateria grande e ou alimentação elétrica); Ecologicamente incorreto por usar papel, toner (que pode atingir a rede pluvial em caso de acidente) etc., e financeira e eticamente injusto porque o usuário paga por um período pré-estabelecido, pagando mais caro caso fique menos tempo, ou sendo multado caso fique mais tempo.

No caminho correto e oposto ao da “solução” anterior, a adoção Simples e Eficiente é mais barata, pois é uma pequena torre que controla até 10 vagas, ela possui um pequeno display com membrana sensível ao toque e um ponto de leitura de tokens, controlada por uma pequena placa de circuito impresso com uma diminuta bateria; Ecologicamente correta por não utilizar papel, toner e energia elétrica, e no caso da bateria, o risco é bem menor. Do ponto de vista financeiro e ético é justa porque o usuário paga somente pelo período que utilizar, porém ele registra sua chegada e saída.

Infelizmente o que mais tenho visto no Brasil é Glamour Ineficiente, tornando a vida nas cidades brasileira mais difícil, criando a cultura do “cada um por si” e a do “querer levar vantagem em tudo”, desestimulando a inovação e o empreendedorismo. Sendo assim, acredito que uma das formas de mudarmos esta realidade é disseminando os benefícios da adoção dos conceitos e tecnologias ligadas ao tema de Cidades Inteligentes através de todos os meios e canais disponíveis assim nivelamos o conhecimento de forma que ele permeie através dos órgãos e instituições públicas brasileiras.

*Antônio de Arimateia é gerente de desenvolvimento de negócios da Sonda Utilities, divisão de soluções para os setores de energia, saneamento e gás da Sonda IT, maior integradora latino-americana de soluções de Tecnologia da Informação.



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