BC: negócios digitais turbinam maior presença de cooperativas de crédito no mercado

Publicado em: 16 dezembro - 2020

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A ‘capilaridade’ das cooperativas de crédito no país – 413 singulares, em 49% dos municípios brasileiros – tende a aumentar ainda mais, à medida que se ampliam serviços digitais, como complemento de operações físicas, que apresentam grande potencial para viabilização de negócios online. A avaliação foi divulgada, na última terça-feira (15), pelo Banco Central, ao estimar em 18,2% sua participação atual no total de financiamentos ao setor, o que correspondeu a R$ 34,5 bilhões na safra 2019/20.

Ao destacar que a demanda por financiamentos, à essa altura, continua aquecida, a autarquia entende que a tendência é de ampliação da presença cooperativa na tarefa de financiar a atividade rural e o agronegócio. Um desses exemplos é o banco cooperativo Sicredi, considerado um verdadeiro ‘guarda-chuva’ para 108 outras cooperativas de crédito, hoje presente em 1.963 agências, de 23 estados, mais o Distrito Federal, onde mantém uma carteira rural de R$ 31,4 bilhões e 4,8 milhões de associados.  

Sinal do bom momento ora vivido pelo agronegócio, o diretor-executivo do Sicredi, Gustavo Freitas, tem a expectativa de que a instituição desembolse, para a safra 2020/21, um total de R$ 23 bilhões. Somente de julho a outubro últimos, foram liberados R$ 11 bilhões, em que as contratações ‘permanecem fortes’, mesmo diante da pandemia não debelada, sobretudo por meio de investimentos online. Somente em renovação do chamado ‘core’ bancário do Sicredi (incluindo serviços de atendimento via whatsapp), continua Freitas, foram aportados cerca de R$ 700 milhões. “Com a Lei do Agro, ganhamos segurança jurídica para assinar contratos eletronicamente, o que permitiu ao produtor contar com uma garantia real suficiente para financiar sua safra sem sair de casa”, completa.

Batizada de ‘Fisital’, a estratégia do Sicredi tem a visão de que as agências físicas ‘devem continuar existindo’, cabendo ao digital, ao mesmo tempo, “simplificar operações cotidianas, além de fornecer serviços que aumentem o lucro e a produtividade no campo”. Uma modalidade bem-sucedida, nesse sentido, é o Programa Inovar Juntos, pelo qual o Sicredi procurou buscar no mercado soluções de startups que conectassem produtores agrícolas familiares ao consumidor final, medida que trouxe mais segurança no momento do depósito de cheques. Outra iniciativa positiva é a parceria celebrada com o centro de inovação AgTech Garage, de Piracicaba (SP), que resultou na identificação de agtechs que melhor atendessem seus clientes.

Uma agtech de destaque é a ‘Elysios’, cujo sistema de rastreabilidade atendeu bem produtores integrados de uva associados ao Sicredi na Serra Gaúcha, enquanto a agtech Atomic Agro forneceu tecnologias aos produtores de grãos, e a Lei Gado, por sua vez, a pecuaristas de leite.   “Entender o negócio do associado nos permite não só ajudá-lo a crescer, mas a entregar linhas de crédito melhores, com prazo compatível para compra de equipamentos e taxas que fazem sentido”, conclui o diretor-executivo do Sicredi.


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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