Brasil tem desempenho positivo da economia em 2021, após ano marcado pela início dos impactos provocados pela pandemia do coronavírus

Publicado em: 27 dezembro - 2021

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Analista avalia que economia reencontra bons momentos, após 2020, mas combate à inflação e aumento da taxa de juros em 2022 poderão ser fatais para o crescimento do PIB

O desempenho da economia em 2021 foi positivo, considerando o ano recessivo de 2020, com queda acentuada do Produto Interno Bruto (PIB), especialmente devido aos impactos decorrentes da pandemia do coronavírus. A avaliação é de Ricardo Caldas, especialista da Fundação da Liberdade Econômica (FLE). De acordo com o estudioso, embora ainda não se saiba o percentual de crescimento do PIB para o ano, a expectativa é de 4,6% — sem considerar a previsão de 5% feita pela Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

“Este é um resultado positivo do ponto de vista do crescimento do PIB, mas não tão positivo do ponto de vista da inflação. Terminamos 2021 com uma inflação em torno de 10% e o combate à inflação em 2022 pode gerar uma recessão na economia. Uma parada técnica, uma vez que os instrumentos que estão sendo utilizados para para o combate à inflação são os instrumentos clássicos como aumento da taxa de juros”, explicou.

Para o analista, o aumento da taxa de juros foi sentido nos trimestres do segundo semestre, com uma queda tímida do PIB, e já está gerando apreensão para os resultados do primeiro trimestre de 2022. Esse período reflete também o saldo positivo de dezembro, que acumula novas contratações e mais circulação de recursos na economia, com as compras de fim de ano.

“De qualquer maneira, o aumento da taxa de juros em 2021, mesmo com o mercado de trabalho absorvendo 3 milhões de pessoas, não deve se repetir com o mesmo padrão em 2022, uma vez que já ocorreu um aumento recente e a primeira reunião do COPOM, ano que vem, em fevereiro, irá aumentar para mais de 10,7% a taxa. Esperamos uma contração da economia, ou pelo menos um crescimento menos expressivo”, acrescentou.

Expectativa

A expectativa do mercado é que o crescimento da economia para 2022 seja algo entre meio por cento e um por cento. As autoridades brasileiras, autoridades monetárias, como o próprio Banco Central, no seu último relatório de inflação de dezembro de 2021, têm uma expectativa de crescimento na economia próximo a um por cento.

Já o mercado, no último boletim Focus, publicado pelo próprio Banco Central, com a percepção dos analistas de mercado, avalia que esse crescimento para o ano que vem deve ser algo em torno de meio por cento. Dependendo da dose que for utilizada para o combate à inflação, conforme acredita Caldas, em 2022, com aumentos sucessivos da taxa de juros, a tendência é de crescimento mais modesto.

“Por outro lado, se esse mecanismo for afrouxado ao longo de 2022, não haja mais ou menos a taxa de juros a partir da segunda reunião do COPOM, pode ser que o crescimento da economia para o ano que vem seja algo mais próximo a um por cento, como espera o próprio Banco Central”, concluiu.


Fonte: Fundação da Liberdade Econômica (FLE)


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