Cooperativismo é destaque em debate sobre as inovações do sistema financeiro

Publicado em: 26 maio - 2021

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Nessa quarta-feira (26) aconteceu o webinar “Uma revolução no seu bolso” realizado pelo Sicoob em parceria com o canal de notícias MyNews. O encontro, mediado pela jornalista Mara Luquet, reuniu o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, o presidente do conselho do Credit Suisse Brasil e ex-presidente do Banco Central, llan Goldfajn, e o diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob, Marco Aurélio Almada, para discutir o cenário inovador que o setor financeiro vem estabelecendo atualmente.  

O debate foi iniciado levantando a questão “o que vai ser a indústria financeira do futuro?”, onde Campos Neto analisou que, recentemente, foi gerada uma capacidade muito grande, através das inovações tecnológicas, de se produzir dados e guardar dados. Isso, basicamente, está transformando a indústria financeira em uma indústria de dados e essa transformação está fazendo com que os produtos financeiros também mudem e atendam a população de uma forma diferente. “A reação a sociedade a pandemia é uma saída da crise de forma inclusiva e sustentável. E não existe nada mais democrática que a tecnologia, sendo um instrumento capaz de baratear o acesso a vários tipos de mercado”, acrescenta.

Muitos pensam que a tecnologia leva a mudança de comportamento, mas a mudança de comportamento está levando essa inovação em tecnologia em finanças” – Roberto Campos Neto

Outro ponto ressalto por ele foi a junção das mídias sociais com o mercado financeiro que tem se tornado cada vez mais poderosa. Como, por exemplo, a utilização do whatsapp. E, falando em novidades, reforça que o pix se tornou uma ferramenta necessária que pode se transformar até em uma espécie de identidade digital.

Ainda dialogando sobre os meios que a tecnologia age na sociedade e no sistema financeiro, llan Goldfajn, fez uma ressalta do seu efeito no mercado. “Uma vez que se investe em tecnologia, o que vem depois é a redução do custo e um ganho de eficiência, o que chamamos de produtividade. Fazer muito mais com o mesmo capital físico. Por outro lado, ao mesmo tempo, o excesso de lucro aumenta a competitividade”.

Inserindo o movimento cooperativista no debate, Mara pontuou que as cooperativas têm um papel importante na competição para baixar o spread e falam muito bem com quem já conhece o sistema, mas tem o desafio é furar a bolha e se tornar mais conhecidas pelo grande público.

E, com isso, Almada reforçou que o alcance das cooperativas na sociedade e a utilização da tecnologia como aliada ainda são pontos muito debatidos dentro do setor. “O cooperativismo não é, em sua origem, um fenômeno de massa, ele é um fenômeno associativo, portanto é um fenômeno comunitário e, no nosso caso, é um fenômeno de nichos que se somam. O nosso primeiro desafio é encontrar uma forma de continuarmos sendo instituições associativas, mas associar massas. Isso é uma mudança que parece trivial, mas não é”, comenta.

Almada também explicou que o cooperativismo é um modelo estruturado em uma mentalidade presencial que usa a tecnologia para se acelerar enquanto os novos players possuem sua base no digital e o presencial é apenas um ponto de apoio. “Para o cooperativismo se tornar um modelo de negócio de massa ele precisa entender que o momento pede construções de soluções digitais que tem seu ponto de apoio presencial e assim, talvez, a gente consiga romper algumas amarras”, acrescenta.

Concluindo sua primeira fala, o diretor-presidente do Centro Cooperativo Sicoob destacou, entretanto, que o problema principal que impede o crescimento cooperativista não é nível de tecnologia, mas a postura de pensamento estratégico. “Talvez o problema não esteja tanto na forma, pois estamos nas redes sociais, participamos das evoluções do mercado, incorporamos tecnologias, manipulamos bases de dados, utilizamos inteligência artificial, mas continuamos pensando como um negócio de nichos. Precisamos passar por essa discussão e dar um avanço em um pensamento estratégico que pense em um cooperativismo de massa”.

Os desafios pela frente

Traçando um cenário mais amplo, Campos Neto falou sobre as rápidas mudanças que o sistema financeiro tem enfrentado como um todo, o que demanda muita capacidade de adaptação e preparação para o imprevisível. “Se pegarmos os últimos 2 ou 3 anos conseguimos perceber que a aceleração e inovação foram maiores que os últimos 7 ou 8 anos”, completa. Ainda nessa análise, Ilan enfatizou que “a economia brasileira ainda é muito fechada, mas no lado financeiro ela é muito aberta e traz muitas inovações. Existe espaço para todo mundo, os bancos tradicionais, fintechs e, principalmente, para cooperativas se juntando e reduzindo os custos”.

Trazendo a visão cooperativista para o futuro dessa mesma conjuntura, Almada citou que alguns especialistas já falam na possibilidade de existir uma era chamada pós canal. Para ele, o modelo de negócio tradicional onde produtos bancários são distribuídos em canais bancários talvez exista no futuro, mas provavelmente vai ocupar um pedaço pequeno, e o que aparecerá em grande escala será parte do crédito e dos investimentos acontecendo através de canais de origem comercial, que não são bancários, e poderão estar distribuindo produtos dos próprios bancos e outros produtos do mercado de capital.

“Nós no Sicoob, ao analisarmos essa multiplicação de canais e multiplicação de produtos, resolvemos enriquecer o modelo de negócios das cooperativas em três vertentes. Estamos aplicando o máximo de tecnologia e ciências de dados no modelo tradicional que temos; Resolvemos entrar no universo da otimização das finanças pessoais de pessoas físicas; E adentrar outro universo, o da indústria financeira que se insere no contexto de ecossistema e que reivindica ser o orquestrador daquele ecossistema”, conclui.


Redação MundoCoop


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