Modalidade de crédito com imóvel para garantir empréstimo cresce no Brasil

Publicado em: 15 novembro - 2021

Leia todas


A crise provocada pela pandemia tem levado muitos empresários a recorrerem a linhas de crédito para manutenção dos negócios. Mesmo as pessoas físicas vêm encontrando nesses empréstimos uma maneira de saldar as dívidas. Diante do atual cenário econômico brasileiro, uma modalidade com nome em inglês tem ganhado espaço e, ao mesmo tempo, engorda estatísticas do Banco Central. Trata-se do Home Equity, que permite ao tomador do empréstimo dar um imóvel como garantia de pagamento. Embora ofereça juros menores, prazos maiores, esse tipo de crédito requer planejamento e disciplina para quitar a dívida e não perder o imóvel.

De acordo com o Banco Central, no ano passado, o valor contratado no Home Equity em todo o Brasil foi de R$ 4,6 bilhões, 61% a mais que em 2019. No estado de São Paulo, o crescimento chegou a 32%. Ainda segundo o BC, as instituições financeiras que oferecem essa modalidade de empréstimo disponibilizam valores que variam entre R$ 30 mil e R$ 3 milhões.

“Por conta da pandemia e diante da necessidade de um fluxo de caixa para atravessar esse difícil período econômico, as empresas buscam essa linha de crédito justamente para manter a saúde dos negócios”, afirma o gerente de agência da Sicredi Iguaçu PR/SC/SP, Carlos Liberato. O especialista financeiro calcula em 20% o aumento da procura pelo Home Equity por parte das empresas na cooperativa que atua em Campinas e em cidades do interior paulista, Paraná e Santa Catarina.

Em se tratando de empresas, no Sicredi, o crédito pode chegar a 80% do valor do imóvel. “Como primeiro passo, uma das empresas associadas da cooperativa faz a avaliação imobiliária. Só então definimos e concedemos o empréstimo”, diz. Liberato destaca a importância de orientar os associados sobre os valores das parcelas a serem quitadas. “O crédito não pode estrangular o orçamento do empresário nem colocar em risco o seu imóvel”, orienta.

No caso de pessoa física, o Home Equity também vem se mostrando atraente. Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), entre o início deste ano e o mês de agosto, o número de pessoas que usaram casas e apartamentos como garantia para conseguir empréstimos subiu 46% no país.

Segundo a Confederação Nacional do Comércio, o total de pessoas com dívidas a quitar em setembro de 2021 chegou a 74%, com mais de 25% em atraso no pagamento de cheque especial, cartão de crédito, empréstimo pessoal, prestações de carro e de casa, e também de carnês de loja.

O gerente da Sicredi Iguaçu PR/SC/SP reforça que, apesar dos prazos maiores para quitação do débito, dos juros menores e das prestações mais baixas, é fundamental tomar alguns cuidados.

Para ele, não se deve optar pelo Home Equity sem uma organização rigorosa das finanças corporativas e domésticas. “Mês a mês, há uma dívida a ser paga”, lembra. O especialista recomenda ao tomador do empréstimo que faça um planejamento adequado, utilizando o dinheiro para impulsionar os negócios. No caso de pessoa física, o empréstimo precisa quitar dívidas ao mesmo tempo em que se deve mudar os hábitos a partir de uma educação financeira.

“O empresário e mesmo a pessoa que passa por dificuldades financeiras precisam ter em mente que um imóvel é um bem valioso. Quando oferecido como garantia para contrair um empréstimo, torna-se ainda mais precioso, afirma Liberato. “Por isso, a melhor forma de preservá-lo é quitar rigorosamente em dia a dívida contraída por Home Equiry para não perdê-lo”, finaliza.


Fonte: Imprensa Sicredi


Notícias Relacionadas



Publicidade