A experiência da Desjardins na consolidação e concentração do sistema financeiro cooperativo

Publicado em: 27 novembro - 2020

Leia todas


No Brasil, cerca de metade das cooperativas de crédito deixaram de existir nos últimos 15 anos. Porém, com o segmento passando por uma grande expansão, hoje as cooperativas estão mais fortes e representativas.

Em 1990, em Quebec, no Canadá, havia mais de 1.300 cooperativas de crédito Desjardins, hoje elas são 238 unidades e este número deve diminuir ainda mais. Afinal, porque e como foi desenvolvida a chamada reengenharia da Desjardins? Por que a concentração é uma tendência inerente do processo de consolidação do cooperativismo de crédito?

Foi com esses questionamentos que se iniciou o episódio “A experiência da Desjardins na consolidação e concentração do sistema financeiro cooperativo”, promovido pela MundoCoop, e que contou com as presenças ilustres do Assessor Sênior da Caixa de Economia Solidária Desjardins, Jean Bergevin; do Diretor da Cosinergia, Carlos Alberto e na mediação, o Diretor da MundoCoop, Luis Cláudio.

Dando início a discussão, Carlos Alberto argumentou que a consolidação passa pela concentração no mercado financeiro e isso não seria diferente no cooperativismo de crédito, afinal essa é a base para a expansão, para o crescimento. “Muitas pessoas perguntam se um dos problemas do sistema financeiro brasileiro não é justamente a concentração e, aqui, eu diria que não. Nós temos que entender a diferença entre o que nós observamos no Brasil de sistemas financeiros caros e a concentração! Quando você tem um cooperativismo mais forte, mais atuante, isso melhora o cenário para todos os participantes do mercado”, ressaltou.

Citando a Desjardins como “um dos melhores sistemas cooperativos do mundo”, Carlos ainda frisou que temos a possibilidade de ver mais de perto do que aconteceu nesse processo, mas não se trata de uma receita ou modelo a ser copiado, mas com certeza se trata de uma grande referência de sucesso.

Sendo um sistema grande, com 100 anos de existência, a Desjardins teve como ideia central da reengenharia uma reinvenção da organização para melhorar o desempenho e o resultado. “Não é somente uma questão de estrutura, é de repensar o processo e fazer uma nova definição e essa reestruturação aumentou a concorrência das cooperativas em relação aos bancos no Canadá”, comentou Jean.

Contudo, o intuito da concentração é transformar a essência das cooperativas singulares e ir além das transações financeiras, não perdendo a característica primordial do cooperativismo, mas enfrentando os bancos e sobrevivendo. “Essa mudança influenciou na reorganização do sistema, desde o investimento em novas tecnologias até criar centros especializados para aliviar as cooperativas das atividades administrativas. O foco é na relação de proximidade com o cooperado”, complementou Jean.

Com as transformações se tornando cada vez mais constantes e influenciando principalmente o sistema financeiro, é necessário que as cooperativas estejam preparadas para uma readequação de estrutura, o que não significa perder a sua real essência, mas se adaptar às novas demandas de um mercado e sociedade mais exigentes. “A Desjardins dos anos 90 tinha uma satisfação menor dos cooperados, pois tinha uma estrutura a ser melhorada e nesse processo, nós deixamos a abordagem transacional para privilegiar a abordagem relacional com os cooperados, mantendo o modelo de cooperativa como sendo uma estratégia defensiva e promissora”, finalizou.

Quer saber mais sobre essas e outras questões discutidas? Confira o webinar completo com exclusividade no link abaixo!

Clique aqui e assista!


Por Redação MundoCoop


Notícias Relacionadas



Publicidade