Agências Virtuais Cooperativas : a transformação do mercado financeiro

Publicado em: 15 setembro - 2021

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Na última década, o mercado financeiro tem experimentado uma intensa e irreversível mudança. Se antes grande parte do mercado era baseada em algumas poucas instituições, hoje vários players estão ajudando a transformar esse cenário. 

Bancos, cooperativas e fintechs estão transformando o modo como nos relacionamos com a nossa vida financeira. E novas soluções e ferramentas surgem a cada dia. E com a chegada da Era digital, cada vez mais os processos estão pautados em inteligências artificiais e algoritmos. 

No contexto das cooperativas, como continuar com o diferencial humano diante de um cenário cada vez mais digital? Em resposta a esse fenômeno, um novo conceito está surgindo no Brasil: as agências virtuais cooperativas. 

Necessidade de mudança 

Mudanças estão acontecendo a cada momento. Com a pandemia, muitos processos foram acelerados, e hoje vivemos num ritmo descontrolado de progresso. Não há como voltar atrás, e o único caminho é seguir em frente. Neste cenário de transformações, vários fatores implicam diferentes variáveis, sendo eles externos ou não. 

Para Marcelo Vieira Martins, Diretor Executivo da Unicred União, a próprio competividade no mercado fez com que a mudança que observamos hoje fosse iniciada. “Muitos fatores estão provocando a transformação do sistema bancário brasileiro. Podemos citar a agilidade que a tecnologia trouxe, o surgimento de novos players oferecendo taxas menores ou até zero, a própria instabilidade econômica que gera restrição à liquidez e consequente busca por crédito”, ele afirma. 

Marcelo Vieira Martins, Diretor Executivo da Unicred União

Além disso, um outro fator tem sido crucial nessa transformação de mercado: a concentração de recursos. Como mencionado no início, o Brasil possui grande parte de seus clientes financeiros concentrados em poucas instituições. Novos players começaram a entrar no jogo, e hoje já possuem grande participação de mercado. Grande, mas ainda longe das instituições “tradicionais”. De olho nisso, a descentralização tem sido uma missão não só dos próprios players, mas de órgãos regulamentadores maiores. 

“Mas chamo a atenção para uma causa que vem do Banco Central: a necessidade da desconcentração. Hoje os cinco maiores bancos do país detêm 67% dos ativos totais do sistema financeiro do país, 72,7% dos depósitos e 68,5% das operações de crédito.  O BC estipulou metas para reduzir essa concentração, entre elas está a visão de dobrar a participação das cooperativas de crédito no sistema financeiro”, conta Martins. 

Novas regras 

De olho a agitar esse jogo, novas regras estão sendo colocadas em curso, principalmente no que diz respeito à cooperativas. Dentre elas, a possibilidade de atender cooperados do país todo e a busca por crédito em mais de uma instituição. Junto a essas mudanças de necessidades, surgiu a necessidade de trazer novas experiências para os usuários. Neste contexto, surgiram as agências virtuais cooperativas, unindo as facilidades da tecnologia, com o propósito cooperativista. 

“A Agência Mais é a primeira agência virtual do cooperativismo de crédito brasileiro. Foi inaugurada em 2016, em Joinville (Santa Catarina), quando constatamos que nem todos os cooperados da Unicred União faziam questão de ir à agência para resolver a sua vida financeira.  Por outro lado, eles não abriam mão do atendimento premium dos nossos gerentes de relacionamento. Mesmo virtualmente, preferiam ser atendidos por quem os conhecesse bem. É uma história de pioneirismo e inovação, pois na época não havia nada parecido no cenário do cooperativismo de crédito do país”, nos conta Martins, que à frente da Unicred União foi responsável por inaugurar esta nova tendência de mercado. 

Trazendo as necessidades dos clientes, junto com as facilidades da tecnologia e a filosofia cooperativa, as agências virtuais buscam ser uma opção mais acessível para os cooperados. Com um modelo mais próxima das fintechs, elas possuem como diferencial uma operação 100% humano nos bastidores. Desta forma, é realizado um atendimento virtual e real, mudando a forma como esse tipo de operação é realizada. Mesmo com outros players, é nessa missão que as cooperativas apostam no sucesso desse modelo. 

“Numa cooperativa de crédito, a relação é mais forte. O cooperado entra pela afinidade e pelas vantagens de participar. A tendência é o cooperado permanecer porque vê sentido em fazer parte de tudo isso, ou seja, porque no cooperativismo existe algo que faz toda a diferença: o propósito”, conclui Martins.  

Um modelo que deu certo 

Solon Stapassola Stahl, Diretor Executivo do Sicredi Pioneira

Apesar de ser um tema novo, as agências virtuais cooperativas estão ganhando cada vez mais espaço. E através da intercooperação, outras cooperativas de crédito já estão seguindo o mesmo caminho, como é o caso do Sicredi Pioneira. Par Solon Stapassola Stahl, o novo modelo é resposta não só da mudança do mercado, mas dos próprios clientes. “Esse movimento de entrada, está na sua origem ligado à mudança de comportamento do ser humano. Na verdade, toda inovação está conectada às necessidades novas que estão surgindo nas pessoas, e as empresas que identificarem e responderem mais rápido à estas necessidades, estão ganhando mercado”, afirma. 

Com a mudança no comportamento dos clientes, cada vez mais a necessidade de entender demandas e buscar soluções está em alta. E as agências virtuais são um exemplo desse processo. A pandemia pode ter acelerado o progresso das instituições financeiras digitais, mas este é um fenômeno que já vinha acontecendo há anos. Agora, como Stahl destaca, adequar-se a esse modelo é o único caminho. E as cooperativas já estão progredindo nessa missão. 

Nos próximos meses, a Sicredi Pioneira implementa a sua própria rede de agências virtuais, ampliando ainda mais o alcance desse modelo, e ainda, reafirmando o seu sucesso. Segundo Stahl, a necessidade de ampliar a base de associados foi fator chave na decisão de seguir o modelo. “A nossa agência virtual nasce com o objetivo único de ampliarmos nossa base de associados na nossa área de ação composta por 21 municípios. E para isto, entendemos que temos que partir para um modelo digital, pois o modelo físico não é escalável”, ele conta. Assim, esse parece ser o futuro do cooperativismo de crédito. Unindo o digital com o humano, sem deixar que um se sobressaia. 

Existe volta? 

Com todas essas mudanças, podemos nos perguntar: será que essa é uma transformação definitiva? Afinal, novas demandas surgem a cada momento, trazendo a necessidade de buscar novos modelos e soluções. Apesar dessa possibilidade, é possível prever que as agências virtuais cooperativas não só são um novo modelo que chegou para ficar, como também será o responsável por levar o ramo crédito para um novo patamar. 

“Vejo que as agências digitais é que permitirão o cooperativismo de crédito crescer exponencialmente, e não só cumprir as metas da Agenda BC+, mas superá-las. Logo teremos dezenas de agências virtuais de cooperativas operando pelo país, e isto é bom. O olhar de abundância nos ensina que quanto mais gente acreditando na mesma ideia, melhor”, conclui Stahl. 

Assim como o telefone, a TV e o carro moderno, as agências virtuais são um novo capítulo na evolução da sociedade. Com novos processos surgindo, essas agências trazem um futuro de serviços financeiros não só mais acessíveis, mas também democráticos. Como outras ferramentas, as agências virtuais cooperativas são um novo e excitante capítulo na história do ramo crédito. E veremos o seu impacto não apenas nos próximos meses, mas em todo o futuro do setor. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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