Atenção à eficiência da cadeia da produção agrícola

Publicado em: 21 junho - 2016

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Atenção à eficiência da cadeia da produção agrícola: recomendação dos técnicos do Cepea

O custo de R$ 100 mil por hectare – ou de R$ 25,00 a R$ 30,00 por caixa de 23 kg, a depender da região e da produtividade – é um patamar bastante elevado ao agricultor, segundo indicam pesquisas da equipe da revista Hortifruti Brasil, do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP.

A questão após a apuração dos custos de produção feita pela Hortifruti Brasil é se a cultura é viável diante desse valor. A resposta depende – garante o estudo – além da gestão do tomaticultor, do quanto a cadeia poderá remunerar o setor produtivo.

O estudo ressalta que a conjuntura econômica atual tem reduzido o poder de compra de consumidores brasileiros. No varejo paulista, por exemplo, o tomate foi comercializado, em maio, a R$ 5,12/kg (segundo o IEA, Instituto de Economia Agrícola), o que corresponde a cerca de R$ 120,00/cx. Produzir a R$ 25 e vender a R$ 120,00 é, sem dúvida, um bom negócio. Mas, entre o produtor e o consumidor há toda uma cadeia – intermediação e varejo – que captura boa parte dessa renda.

Pesquisadores da Hortifruti Brasil alertam que, em tempos de crise econômica, é importante “observar não só o custo de produção agrícola, mas avaliar também a eficiência da cadeia como um todo, da produção até o consumo final. Por isso, é imprescindível observar como essa margem de R$ 95,00/cx está sendo distribuída dentro da cadeia e se ela remunera adequadamente todos os agentes. Além disso, quais ganhos de eficiência essa margem permite para que a rentabilidade de todos os agentes participantes melhore”.

Comparado os dados de preços ao produtor ao atacado (Hortifruti/Cepea) e no varejo paulista (IEA), os pesquisadores concluem que, de janeiro a maio de 2016, a participação do preço final do varejo foi distribuída na cadeia da seguinte forma: 23% ficaram com o produtor, 5%, com o atacado e 73%, para o varejo. Em 2016, o produtor perdeu espaço na participação do preço final frente a 2014 e 2015. A participação do produtor no preço final (2014 e 2015) era de 28% ao produtor e o restante era distribuído para o atacado (6%) e varejo (66%).

“Essa simples conta mostra que o bolso mais apertado do consumidor aliado a uma maior produtividade nas lavouras observada em 2016 diminuíram a margem do produtor. Esse contexto foi observado não só pela menor participação no preço final, mas, também, por conta dos custos em ascensão”, ressalta a equipe do Hortifruti Brasil, alertando: muito cuidado com a gestão da tomaticultura!

Soja

656-01767013 Model Release: No Property Release: No Still life of soya beans

Os estudos do Cepea também mostram forte quebra na produção de soja na Argentina e o consequente menor processamento do grão naquele país deslocaram compradores de soja para os outros dois principais países produtores do grão, Estados Unidos e Brasil. A maior demanda somada a preocupações quanto aos impactos do fenômeno climático Lã Nina sobre a produção norte-americana vêm impulsionando os contratos futuros na CME Group (Bolsa de Chicago). Nesse cenário, os preços da soja no Brasil atingiram novos recordes nominais.

Estudo divulgado pelo Cepea mostra que o Indicador da soja Paranaguá ESALQ/BM&FBovespa, referente ao grão depositado no corredor de exportação e/ou negociado na modalidade spot (pronta entrega), no porto de Paranaguá (PR), registra alta expressiva de 6,36% na parcial deste mês (até o dia 14 de junho), fechando a R$ 97,61/saca de 60 kg na terça-feira, 14, patamar recorde da série do Cepea (iniciada em 2006), em termos nominais, e o maior desde 24 de setembro de 2012, em termos reais (R$ 98,05/sc, valor deflacionado pelo IGP-DI). O maior valor real da série do Cepea, de R$ 113,91/sc, foi observado em agosto/12.

Além disso, os preços de farelo de soja, considerando-se a média das regiões acompanhadas pelo Cepea, apresentam alta de 1,8% na parcial de junho. Em Campinas (SP), o farelo foi negociado a R$ 1.454,99/tonelada nessa terça, o maior patamar nominal de toda a série do Cepea, iniciada em 1999. Em termos reais, é o mais alto desde dezembro/13. No norte do Paraná, a tonelada do farelo já é negociada acima dos R$ 1.600,00