Brasil melhora ainda mais em 2017, confia consultor

Publicado em: 03 agosto - 2016

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“O Brasil vive uma oportunidade ímpar para resolver vários problemas econômicos estruturais. Minha percepção é que o Brasil já começou a melhorar e, por isso, estou mais otimista do que a média do mercado”

Essa afirmação de José Raymundo de Faria Júnior, diretor técnico da Wagner Investimentos, tem como fundamentação a relação entre o índice de confiança da indústria da FGV e a evolução trimestral do PIB do País, mostrados no gráfico abaixo.

O consultor ressalta que, mesmo o número do PIB do segundo trimestre do ano ainda não tendo sido divulgado, “há indicadores apontando para melhora do PIB nos últimos meses, como o PMI da Markit Economics (Purchasing Managers’s Index compilado pela empresa britânica Markit, conhecido como Índice de Gerente de Compras e que é uma pesquisa qualitativa sobre as condições de negócios das indústrias e é muito correlacionado com o PIB).

Pede atenção, também, para a agenda das próximas semanas no exterior, composta por cinco principais eventos:

· 05 de agosto: relatório de emprego dos EUA – quanto mais fraco, menor a chance do Fed subir os juros este ano;
· 26 de agosto: discurso de Janet Yellen (presidente do Fed) na conferência anual de Jackson Hole, quando poderá indicar os próximos passos do Fed;
· 02 de setembro: relatório de emprego dos EUA – quanto mais fraco, menor a chance de o Fed subir os juros este ano;
· 08 de setembro: reunião do Banco Central Europeu (BCE);
· 21 de setembro: reunião do Fed, que também divulgará as novas projeções para economia.

José Faria Júnior agrega a essa relação de eventos, no caso do Brasil, as votações do impeachment e da PEC dos gastos públicos, assim como o acompanhamento do Copom, que – prevê – “deverá cortar os juros somente na última reunião deste ano, em 25 de novembro”. E ressalta: “com a confirmação do impeachment, o investidor estrangeiro deverá elevar o volume de recursos aplicados no País, fato que deverá proporcionar uma queda do dólar para a faixa de R$3,00”.

No entanto, a tradução ainda este ano destes primeiros sinais de aumento da expectativa em números para a economia real, com a participação do investidor estrangeiro, depende, de acordo com Faria Júnior, de dois pontos essenciais: transformação do atual governo provisório em governo definitivo – “fato que dará força para a equipe econômica negociar com o Congresso a agenda de controle das finanças públicas além de colocar em prática medidas para o desenvolvimento do País” – e aprovação da PEC do teto dos gastos públicos pelo Congresso, fato que deve acontecer, segundo expectativa do Governo, antes do recesso do final do ano.

Com relação à PEC do teto dos gastos públicos, o especialista em mercado financeiro comenta que essa proposta de emenda à constituição, sozinha, não resolverá o problema da dívida pública, pois depende, essencialmente, da reforma da Previdência, assunto para a agenda de 2017. Entre os argumentos, cita o gasto do governo central com a previdência (Regime Geral e pública), as despesas sociais – que se se aproximam de 47% da arrecadação – e o crescimento anual destas duas despesas, que é de 4% acima da inflação. “Assim, como a PEC limita o crescimento dos gastos pela inflação, é natural que sem a reforma da Previdência não conseguiremos estancar o crescimento da dívida pública do País”, explica.

Especificamente sobre o dólar, frisa que, “com a manutenção dos juros Selic no patamar de 14,25% a.a., é muito difícil não vermos a cotação do dólar cair em meio ao aumento da aposta que o Fed somente subirá os juros em 2017. Os últimos dados da economia dos Estados Unidos foram mais fracos que o esperado e, assim, o Fed não deverá ter pressa para subir os juros”.

E deixa um alerta: “vindos do exterior, são dois os pontos contrários para o dólar continuar caindo: temor de bancos (especialmente na Europa) e a recente queda das commodities, notadamente do petróleo. Desenhando um quadro positivo para o Brasil, são fundamentais a permanência de Michel Temer e a aprovação da PEC ou, no mínimo, seu encaminhamento à aprovação”.

 


 

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