Cepea divulga estimativas para safras de grãos

Publicado em: 16 janeiro - 2017

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Publicações do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) trazem estimativas periódicas sobre a safra em andamento. Há estudos específicos por cultura, como soja, milho, trigo, café, algodão e arroz, entre outros. As pesquisas realizadas até o dia 10 de janeiro já foram divulgadas.

No caso da soja, segundo os estudos da equipe do Cepea, mesmo com a queda nos preços da soja em grão no segundo semestre de 2016, a rentabilidade da oleaginosa para a safra 2016/17 ainda está competitiva em relação a outras culturas concorrentes em área, como milho e algodão. Nesse contexto, a produção brasileira deve ser recorde em 2017.

Já o mercado de milho, em 2017, deve ser marcado por ajustes na oferta e, consequentemente, nos preços. Após a quebra de produção no ano passado, por conta do clima desfavorável, a expectativa é que a temporada 2016/17 seja recorde no Brasil. Estimativas também indicam área e produção mundiais recordes, mas quedas nas transações internacionais, o que pode reduzir a parcela brasileira no mercado internacional.

As cotações do trigo, por sua vez, devem seguir pressionadas em 2017, refletindo principalmente a baixa liquidez no primeiro semestre e a expectativa de ampla oferta do cereal tanto brasileira como do Mercosul. Segundo pesquisas do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, se, de um lado, os menores preços favorecem compradores, de outro, desestimulam produtores, com a área podendo cair por mais um ano. No mês passado, o preço médio real do trigo na região Sul registrou o menor patamar da série histórica do Cepea – valores deflacionados pelo IGP-DI de novembro/16.

O ano começa com forte reação dos valores do café arábica, que voltam a superar os preços do robusta. A alta nos preços do arábica está atrelada à baixa oferta de robusta no mercado interno e aos estoques justos. O Indicador Cepea/Esalq do arábica tipo 6 bebida dura para melhor, posto na capital paulista, em 10 de janeiro, fechou a R$ 509,37/saca de 60 kg, expressivo aumento de 7,8% em relação ao fechamento da terça anterior. O Indicador CEPEA/ESALQ do robusta tipo 6 peneira 13 acima (a retirar no Espírito Santo), por sua vez, fechou a R$ 499,57/saca de 60 kg na terça-feira, alta de 1,57% em relação à terça anterior. Conforme pesquisadores do Cepea, essa retomada das altas do arábica elevou um pouco a liquidez no mercado. Contudo, os atuais patamares de preços ainda não agradam boa parte dos vendedores, principalmente os de cafés mais finos. Quanto ao robusta, as elevações refletem principalmente a baixa oferta e a retração de vendedores, que estão à espera de preços maiores para negociar.

Nestes primeiros dias de 2017, detectam os estudos do Cepea, poucos são os negócios envolvendo algodão em pluma para entrega rápida. Segundo pesquisadores do centro de estudos, tanto agentes da indústria quanto produtores estavam fora do mercado, voltando a ficar ativos apenas nesta semana. Ainda assim, os preços subiram, influenciados pela posição firme dos poucos vendedores ativos. Entre 29 de dezembro e 10 de janeiro, o Indicador Cepea/Esalq com pagamento em 8 dias, referente à pluma 41-4, posta em São Paulo, teve alta de 1,56, fechando a R$ 2,7921/lp nessa terça-feira, 10. Já as negociações para entregas futuras estão em ritmo maior, envolvendo lotes referentes às safras 2015/16 e 2016/17, tanto para o mercado interno como para o externo. A alta nos preços internacionais, tanto Cotlook A como dos contratos na Bolsa de Nova York (ICE Futures), elevou a paridade de exportação, favorecendo alguns fechamentos.

O arroz, também nos primeiros dias de janeiro, registrou baixa liquidez no mercado de arroz em casca no Rio Grande do Sul. De acordo com pesquisadores do Cepea, a movimentação lenta está atrelada à “queda de braço” entre compradores e vendedores presentes no mercado. Com necessidade de repor estoques, indústrias demonstram interesse por novas aquisições – mesmo que em pequenos volumes. Já boa parte dos vendedores se mantém recuada, voltada para as atividades de manejo da lavoura e “de olho” no clima chuvoso no Rio Grande do Sul. Outros, por sua vez, se mantêm firmes nos valores pedidos. Neste cenário, os preços do casca registraram leve queda neste início de ano. De 3 a 10 de janeiro, o Indicador ESALQ/SENAR-RS, 58% grãos inteiros recuou 0,57%, fechando a R$ 49,35/sc de 50 kg em 10 de janeiro.

Parte do Departamento de Economia, Administração e Sociologia da Escola Superior de Agronomia “Luiz de Queiroz” (Esalq), unidade da Universidade de São Paulo (USP), localizada em Piracicaba (SP), o Cepea disponibiliza gratuitamente as estimativas em seu site: https://www.cepea.esalq.usp.br