CONFERÊNCIA ACI AMÉRICAS: As políticas públicas voltadas para as cooperativas devem ser fortalecidas

Publicado em: 14 novembro - 2021

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Alicia Bárcena é secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), e recentemente defendeu o fortalecimento de políticas públicas voltadas às cooperativas, durante a Conferência Regional das Cooperativas das Américas

A secretária executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, defendeu, na quinta-feira passada (04/11), o fortalecimento de políticas públicas voltadas às cooperativas e à promoção de outras organizações da economia social e pela ação para que possam contribuir de forma mais decisiva para a construção de um novo modelo de desenvolvimento caracterizado pela igualdade, sustentabilidade e democracia, não só política, mas também econômica, durante a vigésima segunda Conferência Regional das Cooperativas das Américas, promovida virtualmente pela ACI Américas, nos dias 4 e 5 de novembro.

“No contexto difícil pelo qual a região está passando, as cooperativas e outras organizações da economia social e solidária desempenham um papel muito importante para uma recuperação transformadora. As cooperativas geram emprego e renda, e fazem isso nos setores mais vulneráveis da população, com respeito ao meio ambiente, e com ênfase na democracia, não só politicamente, mas também dentro da empresa”, disse Alicia Bárcena.

Ela acrescentou que as cooperativas contribuem decisivamente para o emprego decente, pois em períodos de crise, como o que estamos vivenciando atualmente, o que é ajustado nessas empresas é a renda, e não o emprego. “Ou seja, economiza em períodos de prosperidade investir em períodos de crise, evitando as demissões em massa que são observadas nas empresas tradicionais”, disse.

A alto funcionária das Nações Unidas participou, juntamente com o presidente da República da Costa Rica, Carlos Alvarado, no painel de abertura com o tema “O impacto da crise nos cenários regional e global”.

Durante seu discurso, a chefe da Cepal afirmou que estudos indicam que as empresas cooperativas têm maior nível de produtividade quando comparadas às empresas tradicionais com características semelhantes. “Isso se concretiza porque a participação democrática dos trabalhadores dentro da empresa contribui para proporcionar soluções mais eficazes para os desafios colocados pela aceleração das mudanças tecnológicas”, disse.

Alicia Bárcena lembrou que a América Latina e o Caribe, apesar de ter apenas 8,4% da população mundial, acumula 30% das mortes por causa do coronavírus em todo o mundo.

Ela ressaltou que a pandemia tem tido profundos impactos econômicos e sociais e exacerbou os problemas estruturais do nosso modelo de desenvolvimento, destacando os altos níveis de informalidade, pobreza e desigualdade na região.

A secretária executiva da Cepal disse que em 2020 a América Latina e o Caribe sofreram uma contração no número de pessoas empregadas de 9%, em comparação com a média global de 3,5%. A taxa de desemprego aumentou de 8% para 10,5% entre 2019 e 2020 e a Cepal estima um provável aumento este ano, chegando a 11%.

A crise também afetou desproporcionalmente mulheres, jovens e trabalhadores informais. “Estamos preocupados que em 2020 a participação do trabalho feminino caiu para 46,9%, uma regressão aos níveis de 2002 e a recuperação esperada para 2021 só atinge níveis semelhantes aos de 2008”, alertou Alicia Bárcena.

Ela acrescentou que a ajuda governamental tem servido para conter impactos ainda mais graves da pandemia. As transferências sociais de 32 países atingiram 326 milhões de pessoas, ou quase metade da população da região. Mas, mesmo assim, a taxa de pobreza atingirá 33,7% da população da região, enquanto a pobreza extrema terá atingido 12,5%. Isso significa que 209 milhões de pessoas vivem na pobreza e 78 milhões em extrema pobreza, alertou.

Alicia Bárcena reconheceu que os países enfrentam crescente pressão fiscal e endividamento. Por essa razão, destacou o trabalho conjunto entre a Cepal e o Governo da Costa Rica, país que detém a presidência da Cepal, para propor soluções multilaterais e instrumentos de financiamento inovadores para o desenvolvimento dos países da região, em sua maioria de renda média.

A secretária também ressaltou a urgência de melhorar o acesso às vacinas, como fator indispensável para a recuperação. Ela reiterou que há grandes assimemetrias nas taxas de vacinação entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas também dentro da região, o que leva a Cepal a estimar que a América Latina e o Caribe não poderão vacinar 80% de sua população em 2021.

Nesse sentido, valorizou o apelo das Cooperativas das Américas para democratizar o acesso às vacinas e ressaltou que a Cepal, a pedido da Comunidade dos Estados da América Latina e do Caribe (Celac), está trabalhando com os países da região para implementar um Plano de Autossuficiência em Saúde com o objetivo de fortalecer as capacidades regionais de produção e distribuição de vacinas e medicamentos.

Por fim, Alicia Bárcena reiterou o compromisso da Cepal em apoiar o trabalho das Cooperativas das Américas para fortalecer os sistemas cooperativos na região e disponibilizou ao setor cooperativo o esforço da Comissão Regional das Nações Unidas para fornecer uma análise oportuna e verdadeira do contexto econômico regional e global.

“Nosso compromisso é continuar trabalhando para fortalecer as instituições públicas e políticas voltadas para o setor, sempre pensando em um novo modelo de desenvolvimento focado na dignidade das pessoas”, concluiu.


Fonte: Cepal


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