Cooperativas agro se destacam em ranking da Forbes

Publicado em: 22 março - 2021

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A cada ano o cooperativismo atinge a vida de mais pessoas. O modelo já é presente em todo o país, e através de seus sete ramos, tem sido um dos responsáveis por ajudar milhares de famílias que tiram o seu sustento desse sistema.

O reflexo do sucesso desse modelo de organização pode ser visto no ranking das 100 maiores empresas do agronegócio do Brasil, divulgado pela Forbes. Entre elas, estão 22 cooperativas que obtiveram resultados expressivos mesmo diante dos desafios da pandemia. Com a paralisação de vários serviços, as cooperativas tornaram-se grandes aliadas de famílias que perderam suas fontes de renda.

Além disso, entre as colocadas no ranking estão a Tereos, fundada por uma cooperativa de cultivadores de beterrada, e a Itambé Alimentos, formada por 31 cooperativas associadas. Sua colocações mostram que não só as cooperativas tem gerado cada vez mais impacto, como também empresas que começaram ou foram fundadas a partir deste modelo.

Confira abaixo a lista completa das cooperativas listadas entre as 100 maiores empresas de agronegócio do Brasil, assim como a descrição de cada uma.

Ambev

Maior cervejaria do mundo, nascida da compra da Antarctica pela Brahma, a gigante industrial Ambev também atua no agronegócio. A cervejaria é uma voraz consumidora de cevada, matéria-prima do malte, principal insumo da cerveja. Nesse sentido, a Ambev produz cevada diretamente no Paraná e no Rio Grande do Sul, e atua também em parceria com cooperativas nessas regiões, que produzem cevada para abastecer suas maltarias. A empresa também vem investindo em novos produtos, como uma cerveja elaborada à base de mandioca. A Ambev é vista como uma das empresas mais promissoras pelos analistas de investimento.

Copersucar

É a maior cooperativa brasileira e possui um modelo de negócios único no setor sucroenergético, que inclui todos os elos da cadeia de açúcar e etanol, desde o acompanhamento da safra no campo até os mercados finais, incluindo armazenamento, transporte e comercialização. No último ano-safra, produziu 3,7 milhões de toneladas de açúcar – 1,9 milhão foi exportado e 1,8 milhão foi vendido no mercado interno. A produção de etanol também foi significativa, com 5 bilhões de litros comercializados. Desse total, 4,7 bilhões destinaram-se ao mercado interno. Desde 2012, a Copersucar tem uma participação no capital da trading Eco-Energy, que no ano-safra mais recente movimentou 9,2 bilhões de litros de etanol, principalmente no mercado americano.

Coamo

Fundada em 28 de novembro de 1970 por um grupo de 79 agricultores em Campo Mourão, na região centro-oeste do Paraná, a Coamo conta com 110 unidades localizadas em 71 municípios de Paraná, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul, para recebimento da produção agrícola dos mais de 29 mil associados. Emprega cerca de 8 mil funcionários efetivos. Em 2019, ela respondeu por 3,1% da produção brasileira de grãos. A cooperativa tem uma capacidade de armazenagem de 6,59 milhões de toneladas. O principal produto é a soja, seguida pelo milho, trigo e café. A Coamo tem um terminal marítimo em Paranaguá e dois parques industriais, no Paraná e no Mato Grosso do Sul, onde esmaga soja e produz gorduras vegetais, além de torrar e moer café, moer trigo e fiar algodão.

Aurora

Nasceu da união de oito cooperativas do oeste de Santa Catarina. A intenção era melhorar as condições de comercialização de grãos e permitir a compra de um frigorífico que absorvesse a produção de suínos dos cooperados. É uma das líderes na produção de proteína animal no Brasil, além de ser produtor e exportador de grãos. São 11 cooperativas associadas, 30 mil empregados diretos e 10 mil indiretos. As unidades localizam-se em Santa Catarina, no Paraná, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. São sete unidades de suínos, que processam 5,2 milhões de cabeças por ano, e oito de aves, que abatem 242,6 milhões de cabeças por ano. Em 2019, autorizou investimentos em sua sétima unidade produtora de ração. As seis unidades existentes têm capacidade para 175 mil toneladas por mês em ração para aves e suínos.

C. Vale

A C.Vale é uma cooperativa agroindustrial com atuação no Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Paraguai. Tem 156 unidades de negócios, 23 mil associados e emprega 11 mil funcionários. Produz soja, milho, trigo, mandioca, leite, frango, peixe e suínos, com a capacidade de abater 600 mil frangos por dia. No segmento industrial, produz amido modificado de mandioca e rações. Comercializa insumos, peças e acessórios, revende máquinas agrícolas e mantém uma rede de supermercados com oito lojas no Paraná, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Foi fundada por um grupo de 24 agricultores paranaenses com dificuldades para armazenar a produção, escoar a safra e obter crédito e assistência técnica. Em 2019, obteve o maior faturamento de sua história – as receitas vêm crescendo ano após ano desde 2010.

Lar Cooperativa

Foi fundada na antiga Gleba dos Bispos, hoje Missal (PR), por um grupo de 55 agricultores de ascendência alemã oriundos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. Originalmente produzindo apenas para subsistência, nas décadas seguintes passaria a atuar na avicultura, na suinocultura e na pecuária leiteira. Também há atividades industriais, com o beneficiamento de alimentos, a produção de rações, o tratamento de madeiras e a produção de leitões, pintainhos e sêmen. As atividades da Lar se estendem em 28 unidades nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina, e também no Paraguai. Tem 10 mil associados e emprega 13 mil funcionários. Além das unidades produtivas, a Lar administra uma rede de 13 supermercados e sete postos de combustível.

Coopercitrus

A Coopercitrus é uma potência como organização cooperativista. Desde que foi criada, expandiu sua atuação para grãos (café e milho), açúcar, produção de sementes de soja e processamento, insumos, ração animal, concessionárias de máquinas agrícolas, lojas de conveniência, shoppings rurais e postos de combustíveis. Na base desse movimento estão cerca de 35 mil agropecuaristas nos estados de São Paulo, Minas e Goiás, que dispõem de cerca de 60 filiais destinadas ao apoio técnico e estruturas de atendimento a esses cooperados. Mas a cooperativa não é apenas uma estrutura física. A principal função é levar conhecimento ao campo, para que a gestão dos milhares de cooperados seja sustentável.

Comigo

O que começou com 50 produtores dispostos a mudar o perfil de uma região reúne hoje 8.500 no corpo da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano, a Comigo. Aos 45 anos, é uma potência instalada em Rio Verde, município que ocupa o quinto lugar no ranking nacional do valor de produção agrícola, segundo o IBGE. A estimativa para Goiás é que esse valor chegue a R$ 61,9 bilhões, acima de 10% ante 2019. A estrutura da Comigo comporta 11 processadoras de óleo de soja, mais farelo de soja, fertilizantes, rações, suplementos minerais e sementes. Além disso, possui 20 armazéns para 1,8 milhão de toneladas de grãos, 16 lojas agropecuárias e a sua “menina dos olhos” que atende pelo nome de Instituto de Ciência e Tecnologia (ITC).

Cocamar Agroindustrial

Com 15 mil cooperados que produzem soja, milho, trigo, café e laranja, a Cocamar já não atua apenas no Paraná. Ela também está em São Paulo e Mato Grosso do Sul. Na agroindústria, a diversificação vai do processamento de bebidas, torrefação, envase de óleos, etanol, bioinsumos, suplementos e ração animal, até o tratamento de madeira e indústria têxtil. O planejamento 2020-2025 prevê dobrar a receita anual e chegar R$ 10 bilhões. Para isso, a Cocamar deve investir R$ 1 bilhão em estruturas de armazenagem, lojas de insumos e instalações diversas – e continuar mantendo um dos principais projetos de incentivo da adoção do Sistema ILPF (Integração lavoura-pecuária-floresta) na região do Arenito Caiuá. São 107 municípios paranaenses, com 3,2 milhões de hectares em áreas de solos pobres, mas que podem ser revertidas com a técnica.

Cooxupé

A Cooperativa Regional de Cafeicultores em Guaxupé agrega 15 mil cooperados, sendo 95% deles pequenos produtores espalhados em cerca de 200 municípios das regiões do sul de Minas, do Cerrado mineiro e do Vale do Rio Pardo, em São Paulo. No Brasil há 97 cooperativas de café, e a Cooxupé é a maior delas. No ano passado embarcou 5,5 milhões de sacas para 51 países, o que a coloca na posição de maior exportadora individual de café do mundo. Além disso, tem uma forte atuação no setor de cafés finos, especiais e certificados, por meio da empresa SMC, criada em 2009. Para dar conta da demanda, incluindo a do mercado interno, os cooperados produziram, em 2019, um volume de 5,1 milhões de sacas e outro tanto igual foi comprado no mercado.

Copacol

O que fazer quando falta o básico, como energia elétrica? A Cooperativa Agroindustrial Consolata, a Copacol, nasceu dessa demanda e da vontade de um padre e de 32 agricultores migrantes de Santa Catarina e Rio Grande do Sul para o Paraná. Na época, eles produziam feijão, arroz, milho e café. Hoje, com 6 mil cooperados, a Copacol é um complexo que produz soja, milho e trigo como principais culturas, mais aves, suínos, bovinos de leite, peixes e ração animal. No ano passado foram abatidos 172 milhões de aves, 42 milhões de peixes (14,9 mil toneladas) e 335 mil suínos, além da produção de 11,3 milhões de litros de leite. Para manter suas indústrias e estruturas de comércio, a Copacol gera 10 mil empregos diretos. Eles são necessários para processar alimentos e colocá-los no atacado e em supermercados próprios.

Cooper Alfa

Com 20 mil produtores baseados no oeste de Santa Catarina e um pequeno braço em Mato Grosso do Sul, a Cooperativa Agroindustrial Alfa apoia suas atividades no tripé grãos, pecuária e insumos. Entre lojas, silos, supermercados, moegas, granjas, centros de distribuição, indústrias processadoras, postos de combustíveis e insumos, como fertilizantes, sementes e rações, a cooperativa opera 219 negócios. No ano passado, os produtores entregaram 22,4 milhões de sacas de cereais, entre soja, milho trigo e feijão, e produziram 1,3 milhão de suínos e 103,8 milhões de aves, além de 143,5 milhões de litros de leite. Formado por pequenos e médios produtores, além do recebido pela entrega dos cultivos, no ano passado, a cooperativa distribuiu R$ 149 milhões como sobra de caixa, o que nas empresas privadas seria o repasse de lucros.

Agrária

A Agrária é uma cooperativa agroindustrial, com origem em uma colônia de alemães que vieram para o Brasil. Na época, eram 500 famílias fugindo dos conflitos da Segunda Guerra Mundial. Hoje, a Agrária reúne 632 produtores de soja, milho, trigo e criação de animais. Na estrutura estão unidades de negócios – com fábricas, estrutura logística e comercial – nos setores de malte para a indústria cervejeira, óleos e farelos, farinhas, nutrição animal, sementes e processados de milho, como grits, flakes, fubás, cremes e gérmen. A cooperativa também comercializa suínos, leite e grãos produzidos pelos cooperados.

Castrolanda

Um moinho de vento, imagem que remete aos países nórdicos europeus, é símbolo de uma das marcas mais lembradas do cooperativismo brasileiro: a Castrolanda. É dona de 12 marcas que processam produtos do campo de 1.100 cooperados – entre elas estão produtos lácteos, processados de suínos e cortes de carne de cordeiro. O perfil dos produtores é variado, indo de grandes produções a agricultura familiar. Nos últimos anos, a Castrolanda deu um passo importante rumo a uma gestão de negócios bastante ousada. Junto com outras duas cooperativas paranaenses, a Frísia e a Capal, foi criada uma holding destinada a obter ganhos de escala. Juntando as três cooperativas para produtos em grãos e proteína animal, são 5.100 cooperados que produzem para o mercado interno e já exportam para 25 países.

Integrada Cooperativa Agroindustrial

No ano passado, a Integrada Cooperativa Agroindustrial conseguiu dois feitos em sua história: ultrapassou a marca de 10 mil cooperados e bateu recorde de faturamento ao emplacar uma receita de R$ 3,25 bilhões. Nos estados do Paraná e de São Paulo estão instaladas 64 unidades de recebimento de produtos agrícolas, sendo os principais soja, milho, trigo, café e laranja. Somente de grãos, a cooperativa recebe mais de 2,5 milhões de toneladas por ano. Há ainda o complexo que faz parte do corpo cooperativista, como assistência, pesquisa e toda uma gama de negócios construídos para dar suporte à produção, entre eles unidades de beneficiamento, revenda de máquinas e unidades industriais de milho, suco de frutas e ração animal.

Cooperativa Frísia

No dia 1º de agosto, a Frísia Cooperativa Agroindustrial completou 95 anos. É a mais antiga organização desse setor em atividade no Paraná e a segunda mais antiga no país. Estão ligados à cooperativa 857 produtores em cerca de 30 municípios paranaenses e em 16 municípios no Tocantins, aonde ela chegou em 2016. Atualmente, 64 cooperados locais produzem 70 mil toneladas de soja e milho, em 30 mil hectares. No total, no ano passado, os cooperados entregaram 253 milhões de litros de leite e 27,1 mil toneladas de carne suína. Os cultivos foram de 122 mil hectares para soja, 23 mil hectares para milho, 36,5 mil hectares para o trigo e 5.600 hectares de feijão. Nos produtos industrializados, a marca Batavo é a mais conhecida pelo consumidor das grandes cidades.

Frimesa

É a reunião de cinco cooperativas que atuam de forma centralizada nas cadeias de carne suína e de lácteos, formada pela Primato, Copagril, Lar, C.Vale e Copacol, que permanecem com as suas estruturas independentes. Na Frimesa, as unidades industriais entregam cortes de carnes prontos para o consumo, como bacon, hambúrgueres, empanados e linguiças. De frios são presuntos, copas e salames; e em lácteos, além de leite fluido e condensado, há queijos, manteigas, iogurtes, achocolatados e sobremesas. São quatro indústrias no Paraná e uma em Santa Catarina, com produtos para o varejo, food service e exportação.

Coopavel

Fundada por 42 agricultores do oeste do Paraná para facilitar a produção e a comercialização de grãos, a Coopavel é uma das maiores produtoras de frango e derivados. Soma 26 filiais instaladas em 17 municípios das regiões oeste e sudoeste do Paraná. Congrega mais de 5.370 associados e emprega 5.550 colaboradores diretos. As atividades industriais contribuem para 75% desse faturamento, com produtos comercializados em todo o país e no exterior, em países como Holanda, Alemanha, Espanha, Ilhas Canárias, Inglaterra, Uruguai, Chile, Aruba, África do Sul, Croácia, Iraque, Catar, Bahrein, Japão, China, Hong Kong, Emirados Árabes Unidos, Romênia e Macedônia.

Cotrijal

Nascida como Cooperativa Tritícola de Não-Me-Toque e posteriormente renomeada Cotrijal, a cooperativa é uma participante tradicional da atividade tritícola no Rio Grande do Sul e uma das maiores cooperativas do estado, com 59 unidades de negócio destinadas à armazenagem de grãos e ao atendimento aos cooperados, além de 20 lojas e dez supermercados. Ao lado das atividades ligadas ao trigo, a cooperativa também apoia a atividade leiteira da região.

Coasul

Agrega 10,3 mil cooperados e cerca de 3 mil funcionários. Em 2019, a cooperativa recebeu 11,8 milhões de sacas de grãos, sendo 6,7 milhões de sacas de soja, 3,6 milhões de sacas de milho e 1,5 milhão de sacas de trigo. Além de processar a produção dos cooperados, a Coasul produz ração e opera um abatedouro de aves. Em 2019, exportou R$ 265 milhões. A cooperativa mantém infraestrutura própria de recebimento, secagem e armazenagem de cereais, sendo seus estabelecimentos distribuídos em 43 unidades entre armazéns, lojas e supermercados.

Cotrisal

A Cooperativa Tritícola de Sarandi foi criada em 1953 por agricultores do norte do Rio Grande do Sul dedicados à produção de trigo. Atualmente, a Cotrisal soma 10.066 associados que se dedicam à produção de soja, milho e trigo. Dentre eles, 800 também investem na pecuária leiteira. Em 2019, a Cotrisal expandiu sua área de atuação para a região noroeste do estado, tornando-se a maior cooperativa agropecuária do Rio Grande do Sul. A Cotrisal emprega 1.400 funcionários e tem capacidade de armazenar 16 milhões de sacas de grãos em 41 unidades de recebimento. A cooperativa opera 29 lojas e 17 supermercados, além de possuir um moinho de trigo, uma fábrica de rações e uma unidade de beneficiamento de sementes.

Copagril

De 29 sócios fundadores, meio século depois a paranaense Copagril agrega em seus quadros 5.400 cooperados. Dedicada a dar suporte à criação e ao processamento de aves, suínos, leite e peixes, sua estrutura conta com um abatedouro, duas fábricas de rações, unidade de matrizes e ovos férteis, 22 lojas, 17 unidades de recebimento de grãos, das quais 14 são armazéns, mais supermercados, postos de gasolina, lojas de máquinas e implementos, centros de distribuição, transportadora e uma estação experimental. Além do Paraná, a Copagril atua fortemente no Mato Grosso do Sul, desde 2009. A exportação também está no foco da cooperativa. Em 2011, ela conseguiu a certificação British Retail Consortium (BRC) para aves, um passo importante no reconhecimento internacional de sua estrutura de abates.


Por Redação MundoCoop, com informações da Forbes


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