Cooperativismo e esporte: dois mundos que se encontram

Publicado em: 06 outubro - 2021

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Diversos “campos” da vida são regidos por características que os identificam. São valores, princípios, costumes e tantas outras particularidades que tornam o indivíduo ou algo, único. O cooperativismo tem em sua filosofia os seus sete princípios, que identificam e guiam o movimento. E, apesar de serem particulares ao movimento, esses princípios são compartilhados por outro “mundo”. 

O esporte tem como base a ideia de ser algo coletivo, que leva pessoas a compartilhar algo em comum: uma paixão (que pode ser vista através da torcida), história de superação e tantos outros aspectos. O esporte é feito de pessoas, para pessoas e por pessoas. Tal constatação é um rápido passo que coloca cooperativismo e esporte na mesma página. 

Dois mundos que se unem 

Ao longo da história, o cooperativismo se construiu a partir de ações coletivas, engajamento de pessoas e interesses em comum. O esporte se tornou para alguns um momento de coletividade, em uma vida onde cada vez mais ficamos isolados (em contexto pandêmico ou não). 

Para Lajyárea Barros Duarte, Coordenadora de Inteligência de Mercado do Sescoop/SP, a conexão entre o cooperativismo e esporte vai muito além da ideia de coletividade. “O cooperativismo baseia-se em valores de ajuda mútua, responsabilidade, democracia, igualdade, equidade e solidariedade, e o esporte possui valores como dedicação, disciplina, educação, respeito”, afirma. 

Lajyárea Barros Duarte, Coordenadora de Inteligência de Mercado do Sescoop/SP, a conex

Assim como o cooperativismo, o esporte é uma ferramenta que leva à conexão de pessoas, de histórias e de realidade em comum. Tudo isso, em prol de uma causa. Uma causa que pode ser a mudança de uma comunidade, ou até mesmo a conquista de um grande prêmio.  Tal característica é intrinsecamente ligada à filosofia cooperativista e ao seu sétimo princípio. “Assim como o cooperativismo, o esporte é uma prática coletiva que aprimora a convivência em grupos e possibilita o conhecimento da realidade do outro. Tanto o cooperativismo como o esporte têm o interesse pela comunidade”, Duarte explica. 

Assim como outras tantas ferramentas, o esporte pode ser visto como um catalisador para o cooperativismo mundial. Com grande capacidade de engajamento por parte do público, a prática esportiva é uma grande aliada do cooperativismo, algo que o movimento já percebe e tenta corrigir, com ações mais frequentes destinadas a esse tópico. 

“O desenvolvimento sustentável da comunidade local está embutido no sétimo princípio do cooperativismo. Nesse sentido, as cooperativas têm realizado ações, inclusive esportivas, que fazem a diferença em suas localidades, minimizando impactos negativos e contribuindo para melhorar a saúde e a qualidade de vida da população local”, ela afirma. 

Unidos pelo fair play 

Com tantos elementos em comum, não é surpresa que as cooperativas tem se empenhado cada vez mais para desempenharem um papel de fomentadoras do esporte nacional. Através de campeonatos cooperativos, ações sociais e outras iniciativas, o movimento tem ampliada a game de ações voltadas a prática esportiva como instrumento de inclusão, educação e ampliação de características que facilitam a vida em comunidade. 

“Temos acompanhado, nos últimos anos, um crescente apoio de cooperativas a clubes esportivos e campeonatos estaduais ou nacionais. São oportunidades de divulgar a marca das cooperativas e o próprio cooperativismo”, destaca Lajyárea Barros Duarte, do Sescoop/SP. 

Sendo uma paixão nacional, o futebol é uma das principais vitrines utilizadas pelas cooperativas para ganharem mais alcance. Em um jogo onde todos saem ganhando, cooperativas estão mobilizando esforços para que tenham capacidade de apoiar e estar presentes nos maiores clubes do país. É o caso do do Sicredi, que recentemente anunciaram a manutenção de seu apoio aos principais campeonatos do país. 

Em entrevista divulgada junto ao anúncio em março deste ano, o presidente da Sicredi Iguaçu PR/SC/SP, Lotario Luiz Dierings, destacou a importância de apoiar o esporte nacional. ““Acreditamos no poder do esporte e na força de times tradicionais do interior paulista. Incentivar e patrocinar as equipes reforça nosso propósito de colaboração, ajuda mútua e desenvolvimento das comunidades onde atuamos”, afirmou. 

Mesmo com o futebol estando muito em pauta – afinal, o Brasil é um dos grandes mercados dessa modalidade – outros já estão ganhando a atenção das cooperativas, com iniciativas sendo colocadas em ação de forma a apoiar outros tipos de esporte. Neste cenário, cada vez mais o princípio do “interesse pela comunidade se conecta com o objetivo do esporte: ajudar a desenvolver vidas. Mas o que ainda pode ser feito? 

O próximo passo 

Diante de todo esse cenário, colocamos uma reflexão: o que pode ser feito? A prática esportiva é diversa, e abrange todos os tipos de pessoas, nos mais variados esportes. Basta observar as recentes Olimpíadas, realizadas em Tokio, no Japão. Como podemos – como movimento – sermos apoiadores massivos do esporte mundial? 

Para que o movimento se torne um agente ativo de apoio ao esporte, é preciso que o tema seja colocado em pauta dentro dos muros da cooperativa. Que ações podem ser feitas? Como podemos transformar vidas através do esporte? O que podemos fazer – como cooperativistas – para levar o esporte nacional a outros patamares? Tais perguntas são o estopim para que o interesse pela comunidade seja colocado em prática de outras formas. Basta apenas uma primeira iniciativa, que nos levará à mudança que precisamos. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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