Cultura do Trigo: da história da humanidade para os holofotes do momento

Publicado em: 14 outubro - 2021

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Fotos: Myckael Allan

“O Brasil é uma potência agropecuária e todo investimento em novos programas e ações redundam em mais oportunidades, renda e empregos”

Não é à toa que ele é um dos cereais mais consumidos do mundo. Imagina um único alimento estar presente em farinhas, pães, biscoitos, massas e até em bebidas, como a cerveja. Exatamente! O trigo é um ingrediente básico na mesa de milhares de famílias, extremamente importante para a saúde nutricional da população e há anos ocupa um lugar de destaque, ao lado do milho e do arroz.

As primeiras plantações de trigo foram identificadas no Egito, mas o grão rapidamente se espalhou pelo mundo, chegando no Brasil através dos portugueses. E, mesmo que ainda seja cultivado por diversas nações, se tornou uma cultura muito importante para o agronegócio brasileiro.

Embora não seja produzido em todo país, o trigo é consumido por quase todo território nacional. Atualmente, os maiores estados produtores são o Rio Grande do Sul e o Paraná, tanto em área como volume de produção. São Paulo fica em terceiro lugar. O Paraná, topo da lista, é o maior produtor nacional de trigo. Com 3,8 milhões de toneladas na safra atual, o estado responde por 52% de tudo o que o país produz.

Falando em produção nacional, a estimativa é que essa chegue a 8 milhões de toneladas em 2021. Contudo, o Brasil, um dos cinco maiores importadores de trigo do mundo, ainda precisa importar outros 6 milhões. Para o presidente da Coopavel, Dilvo Grolli, o atual cenário é um dos mais promissores para o trigo nacional. “Um em cada dois pãezinhos é feito com farinha importada. E essa farinha pode ser produzida aqui, no Brasil, gerando renda adicional aos produtores rurais, criando oportunidades de emprego e fortalecendo a economia”, acrescenta. A alta no preço das commodities é o principal estímulo ao produtor e indica um aumento de área de cultivo de trigo em todo o país.

“Com trabalho, dedicação e avanços contínuos o Brasil poderá, em oito ou dez anos, voltar a ser autossuficiente na produção de trigo”

Cooperativa é crescimento

Atualmente, o trigo está presente em 133 mil propriedades rurais do Brasil e movimenta uma cadeia produtiva que envolve quase 800 mil pessoas. Entre essa grande parcela, as cooperativas exercem um papel essencial. É através do cooperativismo que os produtores – no caso, triticultores – recebem incentivo e comprovam como o grão é um bom negócio e uma chance de renda à propriedade rural.

O Paraná, grande destaque nacional, possui 487 mil propriedades rurais. Dentre elas, 75% são de pequeno porte e precisam se integrar a um cenário ágil, de mudanças constantes e altamente competitivo. E é nesse contexto que o cooperativismo se torna ainda mais indispensável. “As cooperativas, entre outras funções, levam assistência técnica de qualidade aos produtores, promovem eventos para a apresentação de novos conhecimentos e tecnologias e, com suas estratégias de mercado, abrem caminho para que produtores do Paraná enviem o resultado do seu esforço e trabalho para países de vários cantos do mundo”, destaca Dilvo.

O movimento cooperativista no Oeste do Paraná existe há seis décadas, foi e ainda é uma ferramenta importante de transformação e desenvolvimento regional. “O movimento fez brotar cidades prósperas, melhorou a renda e as condições de vida dos agricultores e sustenta uma onda positiva e contínua nas cidades do seu entorno. No Oeste estão seis das 20 maiores cooperativas brasileiras que, juntas, faturam cerca de R$ 40 bilhões por ano”, conta o presidente.

Foto: Revista Aldeia

Visão de sucesso

De olho nessa crescente, a Coopavel lançou um programa para estimular o plantio de trigo entre os produtores rurais cooperados durante 2º Show Rural Coopavel de Inverno, que aconteceu no início de setembro, em Cascavel, no Oeste do Paraná. Batizado de “Coopavel Mais Trigo”, a iniciativa conta com diferenciais inéditos para o setor. “A motivação de criá-lo está justamente em perceber uma oportunidade, de ver a evolução das cultivares e técnicas de manejo e dos números de produção e consumo brasileiro”, comenta Grolli.

O presidente também explica que o Coopavel Mais Trigo oferece aos cooperados condições inéditas para ampliar a área dedicada à cultura ou aos interessados em aderir a ela. São eles: financiamento de insumos com taxa zero e garantia de preço mínimo, para a safra de 2022, de R$ 100 à saca. O produtor rural somente vai ter os custos do seguro da lavoura.

Atualmente, a Coopavel recebe 3,5 milhões de sacas de trigo por ano e a expectativa para 2026 é de chegar a 7 milhões. Além disso, com os incentivos advindos do “Coopavel Mais Trigo”, a cooperativa pretende ampliar de 130 mil para 200 mil hectares a área destinada à cultura nos municípios de abrangência de atuação, no Oeste e Sudoeste do Paraná. No Estado, a área para o trigo atual é de 1,2 milhão de hectares, mas há outros 2,5 milhões em regime de pousio no inverno. “O Coopavel Mais Trigo mostra a confiança que a Coopavel tem nessa cultura, que pode crescer e se transformar em uma das principais alternativas de renda para os produtores brasileiros. Torcemos para que mais ações como essa venham a contribuir para estimular o cultivo do trigo, que tem potencial enorme para ajudar a fortalecer a economia de vários estados, inclusive com experiências bem-sucedidas no cerrado”, acentua Dilvo.

Futuro otimista

O trigo é uma cultura de extrema relevância para o agronegócio brasileiro e, trazendo benefícios diretos e indiretos, tem sido um grande aliado na promoção da sustentabilidade na agricultura.

Com o passar dos tempos, a evolução das tecnologias aplicadas no campo e os avanços científicos, o trigo se tornou uma peça fundamental tanto para a segurança alimentar quanto para preservação do meio ambiente, como matéria prima de biocombustíveis, por exemplo. Além disso, a mudança de hábitos de consumo tem aumentado a procura pelo cereal em sua forma mais natural e historicamente benéfica para a saúde. E, assim, um novo panorama positivo para essa cultura tem se formado no Brasil. “Com os anos, as grandes empresas de pesquisa de sementes e insumos investiram em novidades e hoje temos variedades com potencial produtivo de até seis mil quilos por hectare. Só a título de comparação: na Argentina, uma referência no setor tritícola, a média de produtividade é de 3,4 mil quilos/ha. Outro aspecto importante é que a indústria/moinhos passou a se instalar próximo das bases de produção do grão, diferente do que existia no passado com moinhos em lugares onde sequer havia cultivos de trigo. A sustentabilidade é palavra de ordem no agronegócio brasileiro e isso também abrange esse novo momento do trigo”, finaliza Dilvo.

VOCÊ SABIA?

No best-seller Sapiens: Uma Breve História da Humanidade, o historiador Yuval Noah Harari conta que “à medida que [as pessoas] dedicavam mais esforços ao cultivo de cereais, havia menos tempo para coletar e caçar espécies silvestres” e assim “os caçadores-coletores se tornavam agricultores.”

Além disso, ele conclui que o trigo “não ofereceu nada para as pessoas enquanto indivíduos, mas concedeu algo ao Homo sapiens enquanto espécie”. Ou seja, “o cultivo de trigo proporcionou muito mais alimento por unidade de território e, com isso, permitiu que o Homo sapiens se multiplicasse exponencialmente.”


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop


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