Dia Mundial reforça finalidade e segurança da poupança

Publicado em: 01 novembro - 2016

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O dia 31 de outubro é a data em que internacionalmente se comemora a poupança, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância de poupar, investindo e pensando na construção de um futuro sólido e seguro financeiramente.

No entanto, olhando para o cenário brasileiro, como comemorar a data e fazer cumprir os objetivos do Dia Mundial da Poupança? A resposta é de José Faria Júnior, diretor da consultoria Wagner Investimentos: “poupar pode ser entendido como a atitude de guardar hoje para poder gastar amanhã. Este seria o caminho ideal: guardo e recebo juros, assim fica mais fácil realizar um sonho ou um desejo. As pessoas que não planejam bem a sua vida financeira fazem o caminho inverso: gastam e pagam juros e, desta forma, distanciam-se cada vez mais da realização de um sonho ou um desejo”.

Para ele, o grande desejo de todos os cidadãos é ter uma vida financeira equilibrada quando for tomada a decisão pela aposentadoria. Ressalta que, apesar desse sonho ser comum, somente 3% dos aposentados conseguem parar de trabalhar e manter o padrão de vida. Os outros 97% terão três caminhos a seguir: pedir ajuda aos filhos; não parar de trabalhar até morrer; e reduzir o padrão de vida.

O Dia Mundial da Poupança foi criado pelo Instituto Mundial de Bancos de Poupança, em 1925, na Itália, um ano após a sua fundação, como tentativa de conscientizar a da população mundial sobre os benefícios da poupança e as consequências negativas que a falta de planejamento financeiro podem acarretar para a vida familiar, por exemplo. No Brasil, no entanto, a data só começou a ser comemorada a partir de 1933.

Caderneta de Poupança

Como falar em poupar e não se lembrar da Caderneta de Poupança, que pode ser considerado como o investimento mais popular do Brasil, por ser muito conhecido e de fácil acesso. Contudo, nos últimos tempos, a Caderneta de Poupança vem sendo preterida por investidores mais experientes e mais arrojados, pois, como afirma o consultor da Wagner Investimentos, é “um investimento que, no geral, não traz benefícios ao poupador”.

Sua posição é fundamentada em números. “Nos últimos anos, a poupança tem rendido muito abaixo da taxa de juros Selic, que é a taxa básica da economia, e pior, abaixo da inflação! Vamos a um exemplo: quem guardou o seu dinheiro na Caderneta de Poupança (seguindo a nova regra) de 01 de janeiro de 2013 até 30 de setembro de 2016, obteve 29,17% de rendimento. Porém, a inflação ficou em 31,59! Ou seja, em quase quatro anos, o retorno ficou abaixo da inflação, destruindo o valor de quem guardou o dinheiro.

E, neste mesmo período, um título do Tesouro Direto indexado à taxa Selic teria rendido em torno de 40%, descontados o Imposto de Renda e o custo de aplicação (estimado em 0,1% a.a. para a Corretora e 0,3% a.a. para a Central de Ativos)”, explica, ao visualizar a solução na educação financeira e na busca de informação “para fazer o seu dinheiro render mais”.

No entanto, em que pese a racionalidade, se forem levados em conta os números do maior sistema de crédito cooperativo do Brasil, o brasileiro, em sua maioria, parece ter uma relação emocional – ou seja tradicionalista – com seus investimentos. Prova é que mesmo com os rendimentos não repondo a perdas financeiras causadas pela inflação, a Caderneta de Poupança do Sicredi, nos últimos quatro anos, cresceu 230%, saltando de R$ 1,9 bilhões para R$ 6,5 bilhões, e, apenas em 2016, o aumento já é de 27%, o que representa um incremento de R$ 1,37 bilhões na carteira. E a explicação para isso, na visão dos especialistas do sistema cooperativo de crédito, é a de que, mesmo com o rendimento sendo igual ao das demais instituições, no Sistema Nacional de Crédito Cooperativo “ os poupadores têm duas oportunidades de ganhos: com o rendimento normal da aplicação e a segunda com a distribuição das sobras (como é chamado o resultado positivo das cooperativas), caso sejam associados da Cooperativa”, e assim, a perda de um lado pode ser compensada de outro.

Na dúvida de onde investir, é importante estar consciente da necessidade de poupar, até como forma de se prevenir de dificuldades em época de “vacas magas”. Nesse sentido,  fortalecendo o conceito do que é poupar e seus objetivos, vale a dica do consultor financeiro: “Pense que quanto mais juros você paga, mais distante ficará de um padrão de vida mais saudável”.