Economia Verde: a tendência que moldará o futuro

Publicado em: 28 outubro - 2021

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O mundo está mudando. E grande parte dessa mudança está acontecendo devido aos impactos da atividade humana. Tais sinais, cada vez mais evidentes, tem colocado a sustentabilidade no centro das atenções. E diante deste cenário, repensar os processos que temos hoje tem sido inevitável. 

E nesta busca por processos e formas de frear as mudanças climáticas, um novo modo de enxergar o mundo tem surgido: a Economia Verde. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a Economia Verde pode ser caracterizada como sendo “Uma economia que resulta na melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz, significativamente, riscos ambientais e escassez ecológica”. 

Diante disso, buscar uma economia verde não é simplesmente adotar práticas sustentáveis, mas sim, reformular todo um sistema para que sejam evitados novos impactos, enquanto restauramos os que já estão presentes. 

Colocando em ação 

Na última semana, o governo federal anunciou o Plano ABC+. Criado com o objetivo de diminuir a emissão de carbono pela pecuária brasileira, a meta do programa é, até 2030, reduzir o equivalente a 1,1 bilhão de toneladas de carbono. Segundo a ministra Tereza Cristina, nesta nova década, a agropecuária deve ser uma grande contribuinte para que o Brasil se torne referência na economia verde. 

Sara Juarez Sales, CEO da TREMBEA – Gestão e Sustentabilidade

Para Sara Juarez Sales, CEO da TREMBEA – Gestão e Sustentabilidade, a economia verde propõe um desafio, ao incentivar uma reformulação que pode impactar processos e pessoas, e consequentemente o ambiente em que eles acontecem. 

“A proposta desta nova economia é desafiar a forma como fazemos negócios atualmente, que foca exclusivamente nos lucros do que no crescimento econômico real, incluindo neste, a adaptação e resiliência às mudanças climáticas e a redução da pobreza. É uma mudança de pensamento econômico importante, que envolve toda a sociedade e, portanto, deveria ser liderada por políticas públicas nacionais e mediada pelos governos”, ela destaca. 

Impacto social 

Ao colocarmos em prática este novo plano, os impactos são inúmeros, e a economia verde se propõe a discutir uma forma de não apenas minimizar impactos ambientais, mas também incentivar práticas que reduzam a pobreza e promovam a criação de emprego e renda. Na prática, a economia verde surge como um movimento restaurador, onde governos, sociedade e outros órgãos, se unem de forma a criar um novo modo de encarar o mundo. 

“Vemos a sociedade se articulando entre si, democraticamente, ou seja, empresas, ONGs, bancos, fundos de investimentos, startups, comunidades e governos se relacionando para promover uma Economia Verde. São várias as iniciativas que envolvem uma grande articulação de atores.”, explica Sales. 

Dentro desta nova economia, a tomada de ações sustentáveis não traz apenas impactos coletivos, mas também individuais. Com programas que promovem uma produção mais verde, famílias são impactadas à medida que os resultados desta nova mentalidade começam a disseminar. 

Com novas oportunidades, abertas por programas voltados para a diminuição de impactos ambientais, criam-se novas condições para que um dos objetivos deste novo conceito: o fator social. Segundo o relatório ‘O Emprego em um futuro de zero emissões líquidas na América Latina e Caribe, publicado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a transição para uma economia verde resultará em mais de 15 milhões de novos empregos na próxima década. 

Em um contexto de fragilidade social, com a América Latina no centro de problemas relacionamentos a renda e geração de emprego, a implementação de uma economia verde aparece como uma solução, ao trazer para a região novas oportunidades. 

O papel das cooperativas 

Diante deste contexto, as cooperativas têm a capacidade de se posicionarem como protagonistas de uma nova tendência. Com valores sustentáveis desde a sua origem, elas têm em si uma abordagem única, que as colocam como verdadeiros polos de uma nova economia. “Os princípios que regem o cooperativismo colocam este modelo de negócio muito próximo ao que buscam o Sistema B e o Capitalismo Consciente”, Sales destaca. 

Alzimiro Thomé, presidente do Sistema Cresol Baser

Contudo, ser sustentável – como já mencionado aqui – não é o único ponto para ser de fato um agente que promove uma economia verde. Para que haja de fato a disseminação deste conceito, é necessário ter uma visão macro, que se atente a outros tópicos. Diante disso, as cooperativas são, sem dúvidas, grandes agentes dessa mudança. Mas é preciso fazer mais. 

“A cooperativa já nasceu sendo um modelo sustentável de negócios pelo simples fato de termos pessoas cooperando umas com as outras em prol de um objetivo comum. Podemos ir além com nossas várias ações conectadas aos ODS, dentro de um posicionamento ESG de nossa instituição, desde a preocupação com nossos cooperados e até nossas ações de sustentabilidade enquanto instituição financeira”, afirma Alzimiro Thomé, presidente do Sistema Cresol Baser. 

Perspectivas para o futuro 

Por mais que existam ações que colocam conceitos como ESG, sustentabilidade e economia verde em prática, ainda temos pela frente um longo caminho. Adotar este novo modelo requer tempo, mas se faz necessário que os primeiros passos sejam dados o mais breve possível. Sobretudo em países como o Brasil, onde o meio ambiente está intrinsecamente ligado com diversos processos. 

Para que a transformação aconteça de forma efetiva, será preciso compreender que profundas mudanças irão acontecer. Como o mesmo relatório da OIT destaca, uma transição para a economia verde deve levar ao fechamento de 7,5 milhões de postos de trabalho ligados ao setor elétrico. Isso, para futuramente serem abertos 22,5 milhões de postos num setor baseado na produção de alimentos, energia renovável e outros. Será necessário se adaptar, e ressignificar nossa posição. Para isso, planos deverão ser criados, de forma a prever a união entre antigos processos e novas práticas que visem a transformação de que tanto precisamos. 

“O processo de adequação para a nova economia, verde, é uma jornada, não acontece tudo de uma vez, mas um bom começo é ter os riscos e oportunidades avaliados e um bom relatório de sustentabilidade, com a participação dos associados”, Sales finaliza. 

As mudanças necessárias podem – e irão – assustar num primeiro momento, mas deverão ser analisadas como uma forma de realizar a necessária renovação da forma como a sociedade e seus recursos naturais se relacionam. A transformação não será de uma hora para a outra, mas os resultados poderão ser sentidos por décadas. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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