Educação Financeira Cooperativista: ‘ressignificar’ uso do dinheiro forma cidadãos conscientes

Publicado em: 05 novembro - 2020

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Unicred SC/PR leva educação financeira para dentro das escolas | Informe  Floripa

Ressignificar o uso do dinheiro naquilo que realmente importa. Conectada à essa visão, o segmento cooperativista nacional tem enfatizado o desenvolvimento de programas próprios de Educação Financeira voltados ao primeiro público: crianças, jovens e adolescentes. Em um mundo digital, que ainda ‘respira por aparelhos’ para se livrar de vez da pandemia, as dificuldades financeiras impostas pela crise são um aditivo a mais na necessidade de lidar melhor com suas economias.

A formação de indivíduos capazes de pensar de forma mais articulada e racional com relação às finanças. Esse é o principal objetivo do curso de capacitação dos professores que, por sua vez, vão ministrar tais princípios de Educação Financeira a pequenos aprendizes nas escolas, conforme o presidente do conselho de administração da Unicred do Brasil, José Maria de Azevedo, em entrevista exclusiva para a MundoCoop.

Para Azevedo, o objetivo da instituição é “fazer com que os mestres passem a contar com subsídios assertivos na formação básica de centenas de crianças e adolescentes, agora com direito de se tornarem cidadãos conscientes, hábeis e confiantes para administrar sua vida financeira, com autonomia e independência”.

O presidente do conselho de administração vai além, afirmando que essa é uma questão central, que integra o processo de melhoria constante da qualidade da Educação brasileira, baseada numa “abordagem transversal, centrada na realidade do aluno, que se conecta com seus problemas sociais e ambientais diários, mas sempre estimulando o pensamento crítico”.

Como instituição cooperativa financeira, a Unicred, segundo seu presidente, acredita  ‘fidedignamente’ ser fundamental “inserir a disciplina de Educação Financeira no currículo formal das escolas, desde os anos iniciais, de modo a alcançar com esses princípios cooperativos uma geração inteira, o que fortalece a cidadania”.

Sob os pilares cooperativistas de Educação, Formação e Informação, a Unicred lançou, por ocasião do Dia das Crianças, uma campanha de incentivo à Previdência, de reforço à conscientização sobre o valor de saber investir, desde agora, para garantir um futuro melhor, mediante a constituição de um plano de previdência privada. “Daí nosso desejo de proximidade com o público infantil e jovem. Quanto mais cedo as crianças e adolescentes tiverem consciência sobre Educação Financeira, mais resultados positivos iremos promover”, acrescentou.

Outra ação de Educação Financeira bem-sucedida ocorreu durante a Semana da Previdência, da qual participaram todas agências do Sistema Unicred no país, com base em ações nas escolas com crianças e adolescentes, assim como consultorias individuais previamente agendadas, visitas ou atendimentos na própria cooperativa. Na ação anual no dia C, o evento do Sescoop levou a disciplina a crianças da comunidade, que receberam cofrinhos em formato de porquinho (ícone de poupança) e livros do Banco Central a respeito do dinheiro e da Educação Financeira. Da parceria com a Confebras, acentua Azevedo, foram mais de 30 eventos, que impactaram mais de 2,8 mil crianças de todas as instituições de ensino locais.

Ao lembrar que a Educação Financeira é uma aliada poderosa da sustentabilidade, o dirigente da Unicred cita algumas ações cotidianas, simples e eficazes, como “apagar a luz ao sair, demorar menos no banho, entender quando não é hora de receber presentes, valorizar a poupança em favor de um objetivo”. Num nível mais profundo de aprendizagem, Azevedo faz menção a ‘temas mais complexos’, como a administração do dinheiro, como e para que ele existe, como os pais recebem os recursos, sustentabilidade, sustentabilidade, passando por noções sobre juros, contração de dívidas conscientes.

A hora do mestre

Em outra iniciativa pioneira, a Unicred RS criou, este ano, o programa “Vida que Prospera”, que ataca o problema educacional na raiz, pois se concentra no treinamento e capacitação de professores da cooperativa. “Não se trata de deixar de consumir”, esclarece a psicanalista e coordenadora de Educação Financeira do projeto, Márcia Tolotti, mas aproveitar o atual momento de crise econômica para rediscutir a forma de consumo e o que é valor para o indivíduo.

A abordagem psicológica é um dos destaques do curso ministrado pela Unicred aos professores, que inclui técnicas que favorecem o autoconhecimento. Para a coordenadora pedagógica do projeto, Fabrícia Bisol Finco, “nesse momento de dificuldades financeiras é preciso, mais do que nunca, falar sobre finanças”.  

Não é a questão do quanto se ganha, mas o que se faz com o que se ganha, enfatiza a coordenadora, ao admitir que a disciplina orienta sobre a importância de se fazer uma reserva para emergência (a pandemia é um exemplo clássico), ou ainda para consumo futuro, entre outras medidas.

Ainda sobre o aspecto psicológico, o presidente da Unicred entende que “falar com crianças sobre dinheiro faz com que elas tenham mais consciência sobre o uso dos recursos. Além disso, essa ação facilitada na infância será preciosa no futuro, quando já haverá uma mentalidade ponderada e respeitosa com relação ao dinheiro, evitando problemas como inadimplência ou descontrole das finanças, além de incentivar o hábito de poupar”.

Longe de ser um assunto desinteressante aos mais novos, a ressignificação da Educação Financeira, acentua Azevedo, começa com a introdução dessa pauta de maneira natural, conforme as necessidades e situações práticas do cotidiano. Sobre a dinâmica que visa identificar quando a compra se deve à necessidade, merecimento ou sabotagem, para o dirigente da Unicred “quanto mais a criança se sentir incluída nessas questões, maior será o interesse dele pelo assunto, assim como sua consciência a respeito da Educação Financeira, o que pode mudar conceitos e comportamentos relacionados ao uso do dinheiro”.

Mais do que palavras, atitudes dos adultos também contam. “É um exercício constante. Quando o assunto é dinheiro, o ideal é sempre manter uma linha de entendimento, conversando com a criança e demostrando com atitudes. Por exemplo, não compre tudo o que a criança pede, mas relembre sempre o papel de poupar e de se planejar”, aconselha. “Estabelecendo prioridades, fica mais fácil evitar compras por impulso”, completa.

O site do Unicred exibe algumas ações relevantes, quanto o assunto é dinheiro e crianças, começando com o diálogo aberto e franco sobre o uso do dinheiro, o que pode começar a ocorrer a partir dos três anos de idade, quando a criança já fala e é capaz de absorver novos conhecimentos. Também nessa fase, esta já demonstra disposição e ajudar e participar com mais intensidade. Além desse ponto, a página aborda outros tópicos como “acerte ao dar mesada”; “explique funções especiais” (no caso, por exemplo, do uso do cartão de crédito); “desenvolva o hábito de poupar”; “utilize livros infantis sobre o tema”; “passe a incluir a criança em algumas decisões”.

No capítulo específico de “E quais erros não cometer”, uma dica importante aos pais ou cuidadores é “não confundir responsabilidade com dinheiro”. Diz o texto “não pague para que seu filho estude ou tome banho, pois isso pode prejudicar a disciplina e até a relação com o dinheiro. É essencial saber que algumas obrigações não são remuneradas — é como a vida funciona”. Por fim, nada melhor do que o exemplo dado pelo adulto ao menor, de como utiliza controles financeiros que auxiliam na gestão do dinheiro.   


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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