Governo destina R$ 1,4 bilhão para financiar armazéns nas fazendas

Publicado em: 31 maio - 2016

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O Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) disponibiliza a partir de 1º de junho R$ 1,4 bilhão em crédito para a gestão da propriedade rural.

Com a armazenagem na fazenda, os produtores também poderão esperar o momento mais oportuno para vender a produção, ou seja, aquele em que o preço para comercialização está mais atraente.

Na época da colheita, a oferta é maior que a demanda, e o preço, menor. Na entressafra, quando a oferta é menor, o produtor pode vender a produção por uma cotação mais alta.

destaque_03O financiamento do PCA, com juros anuais de 8,5%, terá prazo de pagamento de 15 anos, com três anos de carência. A linha de financiamento faz parte do Plano Agrícola e Pecuário 2016/2017, lançado no início deste mês pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

A construção de armazéns na propriedade é relativamente recente no Brasil. A capacidade de estocagem do país, em 2000, era de 87,8 milhões de toneladas. Do total, apenas 4% (3,5 milhões de toneladas) era de propriedade dos agricultores. Hoje, a armazenagem brasileira é de 153,1 milhões de toneladas de grãos. Do montante, cerca de 23 milhões de toneladas estão estocadas em fazendas, o que representa em torno de 15% da capacidade do país.

A armazenagem também pode incluir as etapas de limpeza – retirada das impurezas, como detritos da própria planta, ervas daninhas etc., e de secagem – e de remoção da umidade dos grãos. Esse processamento na fazenda resulta em maior lucratividade por agregar valor ao produto no momento da venda.

De acordo com Ricardo Thomé, técnico do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento para o Setor Agropecuário do Mapa, a armazenagem na propriedade cresceu 6,5 vezes em 16 anos no Brasil. Contudo, avalia, a estocagem nas fazendas brasileiras é relativamente pequena se comparada a outros países. Na Austrália, a armazenagem na propriedade rural é superior a 35% da capacidade do país, enquanto na Argentina varia de 35% a 45%. Nos Estados Unidos, está entre 55% a 66%. Esse valor é superior a 85% no oeste do Canadá.

A armazenagem na propriedade rural deve ser encarada como um elo da cadeia produtiva, agregando valor à produção, frisa Thomé, exemplificando com a seguinte comparação: considerando a estocagem e o processamento de 100 toneladas de soja na propriedade, cerca de 11% desse total seriam retiradas devido à limpeza (5%) e secagem (6%) dos grãos. As impurezas seriam aproveitadas como adubo orgânico, cama de animais ou combustível para a fornalha. Já a água retirada dos grãos deixaria de ser transportada para o armazém de destino, ou seja, com menor peso no transporte e menos despesas.

Outro benefício apontado pelo técnico do Mapa tem relação com a vantagem de evitar o tráfego de muitas carretas nas estradas em direção às zonas de beneficiamento e agroindústrias ou para os portos durante a safra. Em consequência, o transporte ficaria mais bem distribuído durante a entressafra e o preço do frete tenderia a cair.