Intercooperação digital: a vez dos marketplaces

Publicado em: 25 junho - 2021

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Falar sobre as facilidades que a tecnologia nos proporciona se tornou um assunto recorrente. Afinal, hoje nossa vida está completamente integrada a meio digitais, em diversos processos e atividades. Este processo, que já vinha num ritmo incessante, foi intensificado com a pandemia, que nos obrigou a migrar para os meios digitais. 

Com o fechamento de lojas e as medidas de distanciamento, cooperativas de todo o Brasil e do mundo, tiveram que encontrar alternativas para continuarem as suas atividades. Afinal, o meio produtivo não parou, e garantir que os produtos e serviços continuassem a chegar ao consumidor se tornou uma preocupação recorrente. 

Diante desse cenário, um fenômeno já presente dentro do cooperativismo ganhou força. A intercooperação digital tomou a dianteira, e cooperativas passaram a utilizar espaços em comum para oferecem seus produtos e serviços, à distância de um clique. Esses marketplaces digitais agora já estão instituídos na vida de produtores e cooperados, que tem à sua disposição tudo que precisam para continuarem a produzir. 

Mas como essa intercooperação digital está impactando o movimento? Será que – mesmo após a pandemia – os antigos processos ficarão no passado? Os marketplaces já representam um novo momento do mundo cooperativista, e estão aqui para mostrar uma nova forma de cumprir os sete princípios do cooperativismo. 

Uma nova era digital começa 

Jackson Duarte, gerente de Operações de Pagamento, Loyalty, Marketplace e Bandeira do Sicoob

O cooperativismo brasileiro encara vários desafios atualmente. Sejam eles, a falta de recursos, infraestrutura e até fatores externos. Mas com a pandemia, os vários setores do movimento tiveram uma nova preocupação e questionamento: como levar o produto até o consumidor? Mesmo com a mudança repentina de processos, soluções tiveram que ser desenvolvidas. Para Jackson Duarte, gerente de Operações de Pagamento, Loyalty, Marketplace e Bandeira do Sicoob, a mudança – mesmo que não esperada – precisou ser feita e entendida. 

“Devido à pandemia, algumas lojas precisaram fechar por um período. Com isso, tanto produtores quanto empreendedores tiveram que mudar rapidamente a forma de vender seus produtos”, diz. Porém, mesmo com esse cenário de mudança, é notável que o movimento e a sociedade como um todo, logo mudou ou seus hábitos. “O brasileiro mudou também o seu perfil de consumo. Um exemplo prático: antes eu almoçava em restaurantes, hoje peço delivery; antes tinha o costume de ir à feira do produtor rural para comprar verduras, legumes e frutas, hoje peço tudo pelo WhatsApp e pago com cartão de crédito ou Pix”, nos conta. 

Ao nos depararmos com o novo cenário, involuntariamente começamos a desenvolver novas formas de se relacionar e exercer nossas atividades. E claro, com os cooperados os desafios foram os mesmos. Mesmo em meio à pandemia, o campo não parou, e a necessidade de serviços e insumos, continuou a ser um fator essencial ao sistema. Os processos de compra e venda se modificaram, e espaços dedicados à atividade cooperativista tornaram-se tendência rapidamente. 

Para Duarte, esses espaços significam uma oportunidade de crescimento, e devem ganhar cada vez mais espaço. “Acreditamos que o marketplace será o canal de distribuição e comercialização do futuro, desde experiências até a oferta de produtos e serviços, financeiros e não financeiros. Tudo isso estará disponível por meio dessas plataformas” nos conta. Com a implementação dessas ferramentas, não só a esfera micro (produtores e movimento) deve identificar um impacto positivo, como também a esfera macro (a economia nacional) deve ser afetada. 

Duarte ainda ressalta, que ao adentrar essas plataformas, uma inédita autonomia passou a fazer parte da rotina diária de produtores e cooperados. “O marketplace contribui para o crescimento da economia à medida que permite que o vendedor – que antes somente comercializava seus produtos em lojas físicas de sua cidade ou região – escale os seus e passe a oferecer e vender para todo o Brasil”, afirma. 

Depois de falar de tantos benefícios, é certo que você leitor deve estar se perguntando: e as taxas? Afinal, assim como outros serviços e plataformas de vendas, os marketplaces cooperativistas seguem algumas regras comuns. Cientes da realidade de pequenos produtores, que com as plataformas tem uma oportunidade de expandir os negócios, os marketplaces do movimento se destacam ao trazer condições especiais. Esse é o caso da Coopera, plataforma lançada recentemente pelo Sicoob. 

Além de ser uma vitrine de produtos, neste caso, a plataforma junta uma outra ferramenta comum das cooperativas: a fidelização. “Além de possuirmos taxas mais competitivas e sermos uma plataforma aberta ao público, os produtos ofertados no Coopera podem ser adquiridos com pontos ou, caso o saldo seja insuficiente, com os pontos somados ao cartão de crédito”, nos conta Jackson Duarte. 

O porta-voz ainda destaca outros benefícios, que não só estão presentes na plataforma da cooperativa, como em outros espaços que seguem os mesmos moldes. Ao adentrar esses espaços, produtores e cooperados se deparam com uma otimização de recursos, além da ampliação da divulgação de seus produtos, resultando em um aumento do faturamento e alcance de pequenos produtores. Mesmo diante das taxas, os ganhos são incontestáveis. Mas será que o movimento está preparado para essa nova forma de fazer cooperativismo? 

A nova atividade cooperativista 

Ronald Eikelenboom, diretor de Operações da Supercampo

Com tudo que vimos no último ano, fica difícil imaginar que o mundo será o mesmo de antes. Com novos processos e formas de executar nossas atividades, é praticamente certo que uma volta para os meios antigos é algo impensável. Mas será que todos estão prontos para permanecer nesse “novo mundo”? Ou melhor…será que possuímos as ferramentas necessárias para que todos tenham as mesmas oportunidades de crescer nesse novo cenário? 

Apesar de ser um movimento com raízes que remontam a séculos atrás, o movimento cooperativista está desempenhando um bom papel na busca por se modernizar. Porém, para que o movimento consiga navegar neste novo momento, é preciso que os produtores e cooperados embarquem nesta nova empreitada. Para Ronald Eikelenboom, diretor de Operações da Supercampo, o produtor rural no Brasil já está alinhado com as novas tendências de mercado. 

“O perfil do produtor rural brasileiro está cada vez mais favorável à adoção de novas tecnologias e a pandemia acelerou ainda mais isso, colocando o Brasil em posição de destaque frente a países como Estados Unidos, por exemplo. Encontrar o produto, realizar as transações e pagamentos, ter o rastreamento das compras e o suporte necessário, além de valores mais em conta, tornaram-se grandes atrativos na tomada de decisão dos produtores”, nos conta. 

Essa resposta positiva dos produtores, entretanto, vem de um próprio movimento do mercado de plataformas digitais – que como Eikelenboom define – passou a entender as necessidades e demandas do público. Ao alinhas das vontades das duas partes, o que observamos é um movimento de intercooperação que funciona de forma efetiva, mesmo que esta seja uma novidade para muitos. 

Destinado para produtores que buscam produtos agrícolas e agropecuários em preços mais acessíveis, a Supercampo é uma plataforma que nasceu com o objetivo de proporcionar um ambiente digital para que as cooperativas fortaleçam a sua presença. Com 12 cooperativas e um público de 80 mil cooperados, a plataforma é mais uma das opções de marketplaces que estão disseminando para todo o país essa nova forma de intercooperação. 

Assim como outras do segmento, tais plataformas estão obtendo um grande sucesso em serem mais uma via de acesso para que cooperativas, cooperados, produtores e consumidores, tenham um espaço onde possam usufruir e ter, de forma simples, acesso ao que precisam. Eikelenboom destaca que isso só é possível devido à forma como as plataformas estão se comportando diante desse cenário. 

“Os marketplaces estão entendendo cada vez mais a realidade da atividade agrícola e realmente descobrindo como se comunicar com os produtores. É claro que a relação interpessoal ainda tem muito peso nas transações, mas essas empresas têm uma visão apurada sobre os novos hábitos e as novas formas de consumir, oferecendo suporte, pós-venda, informações e acompanhamento que tornam o negócio totalmente seguro”, ele nos conta. 

Assim, com praticidade, rapidez e a credibilidade que essas cooperativas passam para o público que tem acesso a essas plataformas, vemos a chegada de uma nova forma de intercooperar, mas alinhada com as vontades do produtor atual, mas sem deixar de lado os pilares que tornam o cooperativismo uma referência de qualidade e trabalho conjunto. 

O futuro do cooperativismo? 

Depois de tanto falarmos sobre as vantagens dessa nova forma de criar uma intercooperação entre pessoas do país inteiro, a pergunta que fazemos é: será este o futuro do cooperativismo? Ronald Eikelenboom, da Supercampo, não hesita em dar uma resposta afirmativa a esse questionamento. Mais do que isso. Para ele, tais plataformas já são o novo momento do cooperativismo. 

“Ouso dizer que não são apenas o futuro, já são o presente. Estamos falando sobre oferecer oportunidades sem a necessidade de deslocamento. Com essas ferramentas, o cooperado tem tudo nas mãos, realmente a um clique de distância. E as cooperativas trabalham integradas para oferecer essa demanda, com qualidade, agilidade, credibilidade e, acima de tudo, entendendo o que o cooperado precisa e sabendo se comunicar com essa necessidade. É uma modalidade nova de mercado que só tem a somar, tanto às cooperativas quanto aos cooperados”, completa. 

Mesmo com desafios de infraestrutura, o Brasil se encaminha para se tornar uma referência de intercooperação digital. Com a chegada do 5G ao campo no futuro próximo, estamos às vésperas de viver uma revolução na forma como o cooperativismo como um todo se comporta. Se há algo a tirar de positivo deste último ano turbulento, é o fato de que produtores e cooperados estão preparados para viver um novo cooperativismo, ainda mais integrado e democratizado. E neste novo cooperativismo, a intercooperação está mais fácil do que nunca. A um clique de distância. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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