Melhoria contínua reduz impacto do Custo Brasil, aconselha consultor

Publicado em: 19 julho - 2016

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Aurélien Jacomy, diretor da DIAGMA no Brasil

Em vez de desconfiar dos seus fornecedores, as empresas devem implementar uma verdadeira cadeia de abastecimento, integrada e colaborativa, e implementar políticas que incentivam a melhoria contínua. Algumas práticas, já comuns na Europa e nos Estados Unidos, ainda são pouco desenvolvidas aqui como tarifas baseadas no custo real do abastecimento; bônus ou ônus em função da taxa de serviço ; e o uso de ferramenta de comunicação integrada para harmonizar os dados entre os atores da cadeia.

A melhoria do relacionamento entre os fornecedores e os clientes, e a confiabilidade das entregas ao longo da cadeia de abastecimento, são pré-requisitos para o desenvolvimento de canais mais eficientes de distribuição, ainda pouco usados no Brasil, tais como o crossdocking ou o market place”. Essa é a recomendação de Aurélien Jacomy, diretor da DIAGMA no Brasil, para as empresas brasileiras com vistas à redução de custos e aumento de sua competitividade.

A falta de confiança que existe entre os brasileiros é a razão frequente da existência de processos morosos que dificultam atingir os níveis de produtividade da Europa ou dos Estados Unidos, garante Jacomy, a firmando que “enquanto os atos de corrupções nas capas dos jornais, é muito comum observar gestos de fraude do dia dia. Um clima de desconfiança realmente existe no Brasil: preciso verificar tudo, porque ‘o outro’ vai se aproveitar da minha ingenuidade. Os processos logísticos no Brasil se constroem com essa convicção. Os controles se repetem ao longo da cadeia de abastecimento: do fornecedor para o cliente, de uma área para outra, ou mesmo dentro de uma mesma área.

Soma a esse contexto o peso da infraestrutura deficiente (apenas 30% das suas estradas em bom estado, sendo a grande maioria concentradas nas regiões Sul e Sudeste), da complexidade do sistema fiscal, que se soma a taxa de impostos da ordem de 35,7% do PIB, e à rigidez do sistema de coleta dos impostos como ferramenta dificultadora da evasão e da fraude fiscal. Alerta, também, para o fato de que “a taxa de serviço e a qualidade dos estoques estão longes de ser exemplares. Vários estudos levantaram taxas de confiabilidade dos estoques de apenas 30% ou 40% nas lojas, inclusive logo depois de um inventário.

Em vez de rever os processos, as empresas tentam desresponsabilizar seus funcionários e deixar para eles tarefas manuais, retirando qualquer processo que necessite uma tomada de decisão. Enquanto o retorno sobre investimento justifica fora do Brasil projetos de automação, o principal argumento aqui é a redução da dependência da operação à qualificação da mão de obra. O turnover alto que conhecem as empresas explica, em parte, essa decisão, mas a desconfiança nos funcionários é geralmente o principal argumento”.

A alternativa apontada pelo executivo está na revisão dos processos logísticos, pois, no contexto econômicoatual, “a Supply Chain é um eixo de evolução estratégico para as empresas brasileiras reduzirem seus custos, aumentarem suas taxas de serviço, e conquistarem novos clientes, pois é um dos pilares do desenvolvimento das empresas no Brasil”, frisa, lembrando que “o Brasil conheceu um período de forte crescimento econômico de 2006 a 2011. Por efeito de escala, os custos com logística caíram nesse mesmo período, sem que as empresas tenham necessidade de rever os seus processos e a organização.

O custo logístico em relação ao PIB caiu nesse período de 12,1% em 2004, para 10,6% em 2010. Enfrentando a crise de 2008, as empresas americanas conseguiram reduzir os custos logísticos de 10% para 8% do PIB dos Estados Unidos. Ao contrário do Brasil, que viu seus custos logísticos aumentar durante a crise atual, para 11,5% em 2012, e 11,7% em 2014. Nesse período, todos indicadores no país conduzem a um aumento dos custos logísticos: aumento dos salários de 92%, aumento dos volumes transportadores de 42%, dos estoques de 168%, enquanto os custos da imobilização são muito elevados (14,5% em 2015)”.

E resume sua opinião ao afirmar que “as empresas brasileiras têm três alavancas para melhorar sua cadeia de abastecimento e aumentar sua competitividade: funcionários, fornecedores e trocas de informação. Envolver os funcionários, mesmo nos níveis mais operacionais, é um dos fatores de sucesso dos projetos no Brasil. Várias metodologias de Lean Management detalham os benefícios desse maior envolvimento, e ajudam os líderes a gerenciarem as suas equipes nesse âmbito como: um engajamento maior das equipes, e uma apropriação dos processos; uma diminuição da quantidade de erros; e uma forte melhoria tanto da produtividade individual quanto da produtividade global do centro de distribuição”.