O cooperativismo que transforma desafios em reinvenção

Publicado em: 19 outubro - 2020

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Jorge Possato Teixeira – CEO na Cooperativa Veiling Holambra

Sinônimo de qualidade e resiliência, a Cooperativa Veiling Holambra (sediada na cidade do interior paulista de mesmo nome), experimenta hoje uma recuperação consistente dos negócios, ainda aquém dos níveis pré-pandemia. No entanto, as perspectivas são animadoras, com a tendência de expansão do comércio digital, aqui e no exterior.

Ao longo dos últimos 30 anos, em que se consolidou como maior produtora nacional de flores (estimativa de 15,6 mil hectares cultivados), a Veiling também montou um cinturão de 400 fornecedores da macrorregião de Holambra e outras regiões produtoras, se constituindo hoje como um dos principais centros atacadistas de comercialização de flores e plantas ornamentais da América do Sul, com um cartel permanente de 600 clientes.

Para obter tal alcance, a empresa dispõe de sistemas diferentes de negociação, como leilão reverso, via intermediação e Veiling Online, além de contar com um avançado e complexo programa logístico interno pelo qual ela movimenta e escoa grande parte de sua produção.

Aprender a lidar com o novo, com o desconhecido. Sob esse mantra, o recém-empossado CEO, Jorge Possato Teixeira, entende que a cooperativa conseguiu vencer o pior momento da pandemia, em que foi necessário adotar uma severa “contenção de custos e fazer cortes de investimentos”.

“Paramos tudo e deixamos apenas as operações mínimas necessárias para rodar com pouco volume e buscar soluções simples, mas efetivas, o que nos permitiu honrar nossos compromissos, sem necessidade de dispensar funcionários, colaboradores, nem perder produtores, prestadores de serviços ou parceiros”, conta. Nesse instante delicado, o diálogo foi decisivo para que se pudesse traçar “ações conjuntas com o objetivo de sair de uma situação onde todos haviam sido atingidos”.

Ao mesmo tempo, para manter o quadro funcional, a CVH recorreu a medidas como antecipação de férias dos funcionários, além de outras medidas de auxílio a empresas afetadas, num período em que as vendas despencaram 50% nos dois primeiros meses mais agudos da crise (abril-maio) – comparado a igual período do ano passado – em os investimentos permaneceram congelados, na expectativa de reação do mercado.  

“Tivemos que mudar a forma de fazer negócios, que deram destaque às vendas digitais, ao mesmo tempo em que as operações logísticas tornaram-se mais dinâmicas, em regime de 24 por 7 (24 horas, sete dias por semana), sem contar a maior aproximação com os clientes e a ênfase dada às ações de marketing”, explicou.

Sempre atenta à inovação para incorporar novas estratégias produtivas e comerciais, a Veiling tem procurado, nos últimos 20 anos, segundo o CEO, “envolver produtores e clientes na mesma visão de negócios, preparando planos estratégicos que norteiem as ações da cooperativa”.  A seu ver, no momento, “o mais importante é a continuidade, rumo aos nossos planos estratégicos”.

De acordo com Possato, a realização destes planos, porém, tem diante de si desafios, como a digitalização no mercado de flores e plantas, responsabilidade social e ambiental, automatização de processos, ações de sustentabilidade dos negócios, além de capacitação e treinamento de pessoal”. Enquanto os resultados não chegam, a companhia comemora, mesmo que discretamente, os sinais evidentes de recuperação de sua saúde financeira, mas mantendo cada posto de trabalho. 

Adaptando-se aos novos tempos, a Veiling lançou o Klok, um modelo de leilão reverso diferenciado, que inclui medidas rígidas para viabilizar as vendas. “Limitamos a quantidade de compradores na tribuna, mantivemos o distanciamento entre as mesas, determinamos o uso obrigatório de máscaras, monitoramos a medição de temperatura, além de várias outras”, revelou.

Ao ressaltar que “todas essas precauções foram alinhadas com os órgãos competentes do município (vigilância sanitária), o executivo acrescenta “a colocação de tapetes sanitizantes, higienização com soluções recomendadas, controle de capacidade de pessoas no refeitório, lanchonete e áreas de circulação, senhas nos pontos de atendimento”.  

Também durante a pandemia, conta o CEO, a companhia passou a empregar uma ferramenta digital (KLP – Lance Klok Precificado), em ambiente virtual pelo qual o produtor pode oferecer sua produção a clientes que a compram digitalmente, de forma antecipada, sem necessidade de qualquer fase presencial anterior.

Prenúncio de dias melhores, Possato entende que o Dia das Mães marcou uma “recuperação bem expressiva, tanto com relação a flores em vaso, como em plantas, em geral”. Já o segmento de flores de corte (flores cortadas, vendidas em hastes), mantém uma resposta de mercado mais lenta. 

Comprometida com um sistema de gestão de qualidade que melhore processos e apoie o direcionamento estratégico, a Veiling mantém as seguintes ‘apostas’ para o futuro-presente: transformação digital, automação, orientação para o cliente, eco sustentabilidade, cultura Veiling, gerenciamento de risco e mapeamento de cenários.

CVH em números

  • Área Total: 800 mil m².
  • Área Construída: 130 mil m².
  • Gran Flora: 20 mil m².
  • Tribuna: 446 terminais de compras.
  • Carregamento: 450 vagas para carga e descarga.
  • Câmara Fria: 7.550 m².
  • 3 Kloks.

Princípios e Valores

Manter e cultivar relacionamentos éticos, transparentes e respeitosos;

Servir os interesses coletivos como rege o espírito cooperativista;

Promover o desenvolvimento da região e do setor de flores e plantas;

Ter responsabilidade social e ambiental;

Ter excelência no que faz;

Valorizar as pessoas: colaboradores, cooperados e clientes.


Por Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop

Foto em destaque: Campanha Veiling Holambra



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