A importância do cooperativismo para a ascensão das energias renováveis

Publicado em: 01 setembro - 2020

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Com a crescente procura por uma distribuição igualitária, as energias renováveis vem ocupando um grande espaço no mercado brasileiro e as cooperativas estão fazendo parte desse processo

O setor mundial de energia vem passando por um grande processo de transformação motivado pela ruptura de mercado que engloba a preocupação socioambiental e uma geração mais distribuída de energia, pautada na implementação de novas tecnologias e no conceito da sustentabilidade. E nesse novo ciclo, as energias renováveis (New Energy, em inglês) vem se destacando devido ao fato de serem fontes mais econômicas e que impulsionam o desenvolvimento das comunidades.

Presidente da Navigatio Capital, Markus Lehmann

De acordo com o Presidente da Navigatio Capital (empresa que fornece soluções globais de capital de novas energias, ou energias renováveis, e agronegócio), Markus Lehmann, as energias renováveis são consideradas as mais sustentáveis do planeta e crescem devido ao baixo custo, principalmente, a eólica e a solar, pois tem fontes inesgotáveis, não possuem gasto de produção e não emitem resíduos. “Tanto a eólica quanto a fotovoltaica crescem no mundo e superam os investimentos em energias “convencionais” como carvão, gás natural e energia nuclear”, disse.

De acordo com a Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA, na sigla em inglês), o investimento em fontes renováveis nos próximos 30 anos ultrapassará o valor de US$ 14 trilhões e precisa ser responsável pela geração de 57% da eletricidade em todo o mundo até 2030, superando os atuais 26%.

Em 2019, segundo a empresa de pesquisa no setor de energia limpa BloombergNEF (BNEF), o capital investido nesse tipo energético no mundo somou US$ 282,2 bilhões, crescendo 1% em relação ao ano anterior. Porém, ainda está longe de ser o cenário ideal analisando o alto potencial de expansão com a substituição de emissão de energias poluentes.

Na mesma pesquisa, foi identificado que o Brasil, que está entre os cinco mercados mais atraentes no ramo, liderou a América Latina nos investimentos, registrando US$ 6,5 bilhões em 2019, uma alta de 74% em relação ao ano anterior e, hoje, figura na terceira posição como “uma peça promissora para o futuro”, atrás da Índia e do Chile. “O potencial de crescimento para energias renováveis é surpreendente, limpo, eficiente, rápido de implementar e altamente democrático, sendo acessível por praticamente todas as faixas econômicas da sociedade. Destaco as energias renováveis como uma solução plena”, ressaltou Markus.

Em 2020, é estimado que o Brasil consuma 400 Mtap (milhões de toneladas equivalentes de petróleo) de energia e com a integração das energias renováveis, o país, além de poupar centenas de bilhões de reais em custos diretos, irá reduzir a emissão de toneladas de carbono.

A nova era do consumo consciente exigiu uma modernização de estratégias e, nos dias atuais, várias empresas já podem decidir sobre os próprios projetos de geração e contratação de energia. “O cliente de energia hoje está muito acostumado a ser passivo no processo. Ele apenas consome a energia e paga a fatura no final do mês. Nunca teve a opção de decidir a melhor estratégia para o seu consumo. Agora já é diferente! Várias  empresas já podem decidir sobre ter os próprios projetos de geração, forma de contratação de energia, ações de eficiência energética, entre outros aspectos que reduzem custos e tornam a empresa mais sustentável”, frisou o especialista em estratégia e inteligência de mercado da Argon Energia, Eduardo Hahn de Castro.

Desde 2012, ao participar do sistema de compensação, qualquer pessoa no Brasil pode gerar sua própria energia a partir de fontes renováveis e reduzir a conta de luz. “Seja com uma equipe interna ou com uma assessoria (um braço externo do negócio), com um mercado cada vez mais agressivo, todos precisaremos reduzir gastos com energia elétrica. Como respiramos o mercado de energia o dia inteiro, entendemos que pode ser mais vantajoso para o cliente, além é claro de uma equipe especializada no setor, o que é fundamental para propor soluções eficientes e seguras”, completou Eduardo.

Especialista em estratégia e inteligência de mercado da Argon Energia, Eduardo Hahn de Castro.

A influência cooperativa no mercado de energia

Em 2015, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) passou a permitir outras modalidades na geração distribuída de energia: em condomínios, consórcios e cooperativas. E com o objetivo de aliar mais uma vez a economia com a sustentabilidade, o cooperativismo enxergou nesse mercado uma possibilidade de ampliar seu alcance e impulsionar o desenvolvimento das regiões do país.

No Brasil, existe uma mudança regulatória prevista para 2021 que se baseia na conversão de projetos limpos e muitas cooperativas tem se mexido para tornar esse desejo uma realidade, desde implementar projetos nas agências, liberar linhas de créditos para associados e apoiando o surgimento e efetivação das cooperativas de energia no mercado. “O benefício de implementar produção de energia renovável para o cooperativismo regional – especialmente no Brasil – é fenomenal, tanto em pequena quanto em grande escala. A independência e a democratização energética é revolucionária”, afirmou Markus.

No mundo todo, as cooperativas brilham com exemplos avançados de cidadania, democracia e o empreendedorismo, principalmente, no meio energético. Na Dinamarca, as cooperativas de energia transformam não somente o setor, mas  a economia de todo o país; No Canadá, os fazendeiros formam cooperativas de transmissão de energia para a avançar o desenvolvimento de uma região; e na Alemanha, as cooperativas renasceram como fundamentais para a eliminação gradual de energia nuclear até 2022.

Com cases de sucesso ao redor do globo, as cooperativas vem demonstrando seu potencial de renovação e implementação em um mercado tão competitivo e ainda ocupado por uma grande parte de emissão de energias poluentes e maléficas, tanto para o meio ambiente, quanto para o custo-benefício das empresas e da população.

Devido ao vasto potencial, o Brasil e suas cooperativas vem atraindo muitos olhares de investidores internacionais que buscam uma maior interação e relação com a sustentabilidade, principalmente, quando falamos na agroindústria que tem um papel fundamental na economia brasileira. “Os insumos para a produção agrícola tem que ser de alta qualidade e também tem que ser competitivo no mercado para gerar os retornos necessários para os produtores e para a sociedade. Energia é um dos insumos fundamentais na produção agrícola e é um dos pontos que desperta muita atenção dos investidores, podendo dar soluções econômicas que avançam a competitividade no mercado mundial”, concluiu Markus.

“Neste futuro não tão distante, o agricultor produz não somente o insumo mais valioso para o ser humano, a proteína, mas também outro insumo fundamental para sobrevivência e evolução: a energia”

Markus Lehmann

As cooperativas entendem muito bem o conceito de “união faz a diferença” e, juntos, os cooperados podem instalar e consumir a sua própria energia, reduzindo custos e aumentando a produtividade. E com o rápido avanço na diminuição de custos de instalação e o avanço tecnológico (como o armazenamento de energia), acoplado junto às alterações regulatórias de geração distribuída e de expansão do mercado livre (Lei 482/12 e o PLS 232/16), o país tem um campo fértil para plantar projetos de independência energética que vão beneficiar todos os envolvidos e cabe às cooperativas segurar essa tendência e coloca-la em prática.

Representatividade

Essenciais para sustentar o crescimento de um país, as usinas de geração tem o objetivo de garantir que não falte energia no futuro. E, no Brasil, já temos boa parte da matriz renovável e o crescimento é inevitável, portanto as cooperativas precisam acompanhar essa evolução. “A Argon Cooperativa de Energia, por exemplo, permite que os clientes de praticamente todo o estado do Paraná possam comprar energia direto de uma usina renovável, gerando economia para os cooperados e novos negócios na região”, ressaltou Eduardo.

“As cooperativas tem essa veia de inovação muito forte dentro da sua cultura, logo é natural que sejam agentes dessa transformação. Quem ignorar esse processo e não acompanhar junto, poderá perder competitividade no mercado. O futuro começa hoje”

Eduardo Hahn de Castro

Com os avanços tecnológicos e uma procura crescente de mercado, as cooperativas podem aumentar seu alcance fazendo com que se tornem auto-sustentáveis e comercializadoras de energia ao mesmo tempo. “Elas (as cooperativas) são normalmente grandes consumidoras de energia, e já fazem a compra de energia de usinas através do Mercado Livre. O próximo passo delas é ter a própria geração e serem independentes. Com isso, poderão desenvolver a região local com a implantação da próprias usinas e ainda vender energia renovável com preços muito mais atrativos (do que as distribuidoras) para os seus cooperados ou até mesmo para o mercado como um todo”, complementou Eduardo.

O mundo inteiro está incluso nessa nova era de geração de energia que promete revolucionar o mercado e o jeito que as pessoas enxergam esse setor hoje. “Não tenho dúvida que as energias renováveis impulsionarão a maior transformação energética e econômica desde a revolução industrial”, finalizou Markus.


O que é e como funciona uma cooperativa de energia?

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Por Jady Mathias Peroni – MundoCoop



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