O mundo Open: compartilhamento e cooperação

Publicado em: 08 novembro - 2021

Leia todas


Quando os primeiros indícios do open banking começaram a surgir, muitos ainda não conheciam o significado de ter um sistema open – no português, aberto. Aos poucos, essa nova forma de observar processos e decisões tomou conta do mercado. Porém, engana-se quem acredita que o conceito “open” se aplique apenas ao mercado financeiro, como tem sido divulgado até o momento. 

A ideia de processos e informações compartilhadas, com o objetivo de um maior desenvolvimento, está presente nos mais diversos setores. Cada vez mais, buscar esse compartilhamento entre setores e ramos distintos tem sido desejável, de forma a encontrar novas soluções para os problemas da atualidade. Apesar de não estar evidente, já vivemos hoje em um mundo “open”. 

Uma nova perspectiva 

Apesar de ser amplamente falado nos dias atuais, para muitos ainda não está claro o significado real e prática de adotar uma filosofia “open”. Porém, a nomenclatura dessa nova tendência é autoexplicativa, e resume diretamente os objetivos de adotar essa nova tendência. 

“A característica principal do conceito “Open” é que o você é o dono de suas informações não importa onde estejam e no conceito Open existe a possibilidade destas informações serem compartilhadas de uma maneira rápida, fácil e padronizada para qualquer outra empresa do ecossistema para ter acesso a melhores produtos e serviços”, explica Paulo Oliveira Andreoli, Head de OmniFinance do Grupo FCamara. 

Paulo Oliveira Andreoli, Head de OmniFinance do Grupo FCamara

Assim como a open innovation (Inovação Aberta), o conceito “open” busca trazer uma valorização do compartilhamento. Nesta nova era, informações deixam de pertencer a uma empresa, e passam a estar nas mãos dos clientes, que possuem maior autonomia para decidir quem pode acessar ou não aquelas informações. 

Muito além do banking 

Mesmo que o open banking seja o conceito da vez, o compartilhamento de informações de outras áreas também é peça chave para a instalação de uma real era de processos “open”. “Com o sucesso do Open Finance a tendência é seguirmos para o Open X / Open Everything onde poderão ser compartilhadas e trocadas informações de outros setores como por exemplo de saúde (Open Health) onde você poderá compartilhar suas informações de atendimentos e exames entre diferentes hospitais e laboratórios; de energia (Open Energy) possibilitando o compartilhamento de dados de consumo de energia; e de telecomunicações (Open Telecom) de maneira que você possa compartilhar dados de consumo de serviços de telecomunicações como ligações e consumo de pacote de dados”, destaca Andreoli. 

Na prática, com a adoção dessa nova visão de mercado, é esperado uma maior conexão entre diferentes serviços, de forma a facilitar o dia a dia do cliente. De forma efetiva, o cooperado que optar por compartilhar suas informações, conseguirá buscar melhores condições não só em relação à sua vida financeira, mas também em outros setores: saúde, educação, serviços e outros. 

Ao adotar os processos que fazem parte do “modo open de pensar”, os impactos são imediatos, com novas oportunidades, sob medida para cada cooperado e cooperada. Do lado corporativo ou da diretoria, a adoção destes processos trará diversos ganhos, não apenas operacionais e financeiros, mas também sociais, uma vez que o compartilhamento de informações torna mais fácil a criação de serviços e produtos condizentes com o público. 

Competitividade 

Mas, afinal, por que compartilhar? Se há muito tempo as informações recebiam o selo “sigilo”, hoje vivemos a era da transparência. Esse é o fenômeno trazido pelo open banking, mas também por outras filosofias “open”, que tornam democráticos os dados gerados por milhares de clientes ao redor do mundo. Além da transparência para com o público, o conceito “open” busca ainda trazer mais competividade, não só para empresas, mas também para outros modelos de negócio, como as cooperativas. 

Em artigo publicado, Rafael Souza, analista financeiro do Sicoob Credimepi, destaca como esse compartilhamento de dados pode ajudar, principalmente, o cooperativismo de crédito, que verá nesta nova era, o oferecimento de melhores taxas e oportunidades para seus clientes. “Com a implementação do “Open Finance“, o impacto social das cooperativas decorrente da redução de taxas não se restringirá às comunidades em que atuam, terá abrangência nacional.”, ele destaca. 

Com mais alcance, possibilitado pelos benefícios da era open, podemos esperar um cooperativismo mais forte, abrangendo ainda mais regiões. Nesta nova era, cooperativas de saúde poderão ter acesso a informações completas de seus associados, mesmo que estes tenham acabado de chegar ao sistema da cooperativa. 

“O efeito transformador do cooperativismo talvez nunca tenha sido tão importante e impactante a nível nacional como será com a chegada do Open Finance. Todos usuários do sistema financeiro, ainda que indiretamente, poderão usufruir dos benefícios decorrentes da existência das cooperativas. É uma excelente oportunidade para o cooperativismo de crédito.”, Souza conclui. 

Desafios e perspectivas 

Adequar-se a novas formas de pensar e traçar estratégias não é uma tarefa fácil. E no processo de adoção das possiblidades trazidas pelo conceito open, desafios estarão no caminho. Para Paulo Andreoli, o maior dos desafios será – sem muita surpresa – a adequação das estruturas. “Um dos desafios é a adequação dos sistemas legados para fornecerem as informações exigidas na velocidade, no formato e com a segurança exigida pela regulação sem impactar as outras transações.”, afirma. 

Com milhares de informações sendo compartilhadas a todo momento, garantir a segurança dos dados será imprescindível para a eficácia do sistema “open”. Para isso, será preciso adequar todo um sistema de trabalho, acostumado a lidar com o sigilo de dados tão comum até os dias de hoje. 

“Muitas empresas precisam passar por uma transformação digital para se adequarem ao conceito Open, o que envolve além da adequação tecnológica também muitas vezes a readequação de processos e da cultura da empresa para oferecer os melhores produtos e serviços para seus clientes com as informações e a agilidade que o conceito Open exige.”, Andreoli destaca. 

Porém, apensar de barreiras no caminho, as perspectivas para uma sociedade mais compartilhada e aberta, são as melhores possíveis. As cooperativas, em sua essência, trazem a cooperação e o compartilhamento em sua raiz, transformando-as nas melhores condutoras rumo a essa nova era de possibilidades. 

Contudo, um último detalhe deve ser levado em conta. Para o sucesso de uma nova visão, é preciso ter quem as entenda. No processo de implementação dos processos open, trabalhar esse conceito com o público será primordial para a obtenção de todo o seu potencial. Para isso, é necessário que cooperativas, empresas e entidades levem para o público os benefícios desse novo sistema, garantindo que os clientes estejam seguros com essa novidade. 

“Para que o conceito Open tenha sucesso, as pessoas precisam se sentir seguras para compartilhar suas informações. pois a adesão das “donas” das informações é fundamental para o ecossistema Open prosperar.”, Andreoli finaliza. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


Notícias Relacionadas:



Publicidade