O que levar para 2021?

Publicado em: 07 janeiro - 2021

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Com 2020 chegando ao fim e um novo ano prestes a começar, resta ao mundo se questionar e refletir sobre o que está por vir

Marcado por desafios que tomaram o mundo pelo sentimento de incerteza, o ano de 2020 trouxe muitos aprendizados e reflexões. A sociedade viu uma nova humanidade surgir e, com ela, a certeza de que sem a cooperação não conseguiríamos lidar com o agora e nos preparar para o depois. Mas afinal, o que levaremos de lição para o futuro?

Parafraseando o padre jesuíta e criador da primeira cooperativa financeira da América do Sul, Theodor Amstad, “se uma grande pedra atravessa o caminho e 20 pessoas querem passar, não conseguirão se um por um a procuram remover individualmente. Mas se as 20 pessoas se unirem e fizerem força ao mesmo tempo, sob orientação de uma delas, conseguirão afasta-la e abrir o caminho para todos”.

Reforçando o que já sabíamos, números e estatísticas comprovam que o cooperativismo vem se estabelecendo como um grande alicerce global, tomando à frente das transformações e fazendo de seus cooperados agentes impulsionadores na construção de uma sociedade mais justa, democrática e que busca alcançar a sustentabilidade plena.

Contando com aproximadamente 1 bilhão de cooperados e mais de 3 milhões de cooperativas, sendo cerca de 5 mil só no Brasil, o movimento vem unindo as novas demandas, negócios, dinâmicas sociais e visões estratégicas com princípios responsáveis pela criação de uma legítima cultura de inovação. Cultura essa que visa a consolidação das cooperativas, possibilitando ganhar a escala necessária para serem atores determinantes à nível global.

No Brasil, indo na contramão dos modelos convencionais e ganhando destaque, o movimento se fortaleceu em meio à avalanche de desempregos, falências, desvalorização da moeda e a crise econômica resultante das consequências causadas pela pandemia do Covid-19. E apenas 10 meses após a desestruturação do país, o cooperativismo manifestou um balanço positivo, que impulsionou setores e vem se adequando a um novo consumidor cada vez mais focado em valores sustentáveis, não apenas de forma quantitativa, mas de maneira também qualitativa. A tendência é que as regras do jogo que foram alteradas em 2020, apenas se consolidem ainda mais em 2021.

O impacto dos ramos

Passando por uma reestruturação de seus ramos, que até 2019 eram 13 e a partir de 2020 se tornaram 7, o movimento cooperativista trouxe uma maior modernização e facilidade de relacionamento que, inclusive, impulsionou ainda mais o crescimento da economia brasileira, mesmo durante a crise sanitária.

Dentro de seus setores, no ramo crédito, as instituições financeiras cooperativas conquistaram uma importante atenção por terem assumido responsabilidades que os bancos tradicionais se recusaram. Por sua resiliência e potencial, o Banco Central implementou uma iniciativa que reforça a expectativa de praticamente dobrar – dos atuais 13% para 25% – a participação das cooperativas de crédito no sistema financeiro até 2022. Outro dado importante é que a contratação de crédito rural cresceu mais de 36,4%, o que sinaliza o interesse das cooperativas brasileiras em investir cada vez mais na gestão de seus negócios.

Já no ramo agro, que tem sido um grande pilar econômico, as cooperativas representam 53,5% de toda a produção brasileira e vem se apresentando com mais firmeza nas exportações e no mercado interno. O setor, que busca dobrar de tamanho e atingir o total do PIB nacional para uma meta de US$ 4 trilhões nesta nova década, tem as cooperativas como grande aliadas para o progresso, carregando em seu DNA a intercooperação, precisão e competência na prática.

No ramo saúde, as cooperativas, que atendem cerca de 25 milhões de pessoas anualmente, mostraram sua garra para levar atendimento de qualidade e, sem ajuda externa, tiveram respostas rápidas ao avanço da Covid-19 no país.

As cooperativas de transporte, consumo, infraestrutura e trabalho, produção de bens e serviços, que reúnem no Brasil mais de 14 milhões de pessoas diretamente e cerca de 60 milhões indiretamente, também tiveram uma grande participação na assistência de seus beneficiados e associados, que juntos, fortaleceram o país e geraram renda e emprego para a população.

Temas que moveram 2020

Além de ser tornar o período das transformações, 2020 foi o ano das discussões. Impulsionada pelo novo contexto social adotado ou por uma necessidade antiga da humanidade, a comunicação nunca foi tão valorizada e exercida. Através de diferentes meios, debates se tornaram parte do dia a dia de todos e começaram a delinear as prioridades no futuro das nações. 

Um tema já muito conhecido que ganhou uma nova amplitude foi a sustentabilidade. Criar uma consciência sustentável é a ideia que, definitivamente, saiu da teoria e ganhou forma prática. A surpresa para muitos foi que o conceito se mostrou ser, além de muito benéfico para a sociedade, algo extremamente lucrativo.

Baseada na mudança de hábitos e de concepções, a sustentabilidade fez com que o mundo prestasse mais atenção nos atos que podem impactar negativamente a natureza e se tornar irreversíveis para todos. No Brasil, na contramão de grandes catástrofes, o agricultor pôde estabelecer sua importância na preservação de recursos ao mesmo tempo que se viu, mais do que nunca, responsável por alimentar uma população inteira.

Desde o desenvolvimento do pequeno produtor até o grande empresário agrícola, o cooperativismo se faz presente garantindo acessos e fomentos e foi justamente no movimento que programas surgiram e iniciativas – sejam elas públicas ou privadas – se apoiaram para aprimorar técnicas, capacitar, informar, equilibrar emissão de gases estufa e garantir de uma vez por todas um agronegócio mais sustentável, eficaz e duradouro.

Na economia, a sustentabilidade trouxe à tona uma nova forma de fazer capitalismo, demandando mais transparência e confiança entre empresas e consumidores. E, nesse cenário, o cooperativismo ganhou igualmente um motivo de destaque. Bem antes dessa tendência, as cooperativas já exerciam a inversão de valores tão buscada atualmente, onde o propósito vem antes do lucro, e agora tiveram a chance de disseminarem ainda mais seu legado.

A era do compartilhamento e colaboração também impulsionou o movimento para novos caminhos. O cooperativismo de plataforma criou novos empregos, novas formas de fazer negócios e conectou pessoas dos mais diversos setores da sociedade.

E falando em sociedade, os maiores líderes e representantes do mundo declararam veementemente que o cooperativismo é uma das formas mais eficazes de alcançar os 17 Objetivos de Desenvolvimentos Sustentáveis (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU). As cooperativas brasileiras por sua vez não mediram esforços – e ações – para contribuir com essa causa. Intensificadas pela pandemia que afetou a todos, as comunidades sofreram o impacto da crise, mas descobriram na cooperação uma saída para recomeçar. 

Por fim, se existe uma pauta capaz de unir todas as tendências e ser a cara de 2020, é a inovação. Seja tecnológica ou cultural, inovar foi o que fez o ano e as pessoas se movimentarem rumo a um progresso que parecia incerto.

Quando a convergência do mundo físico com o virtual se tornou cada vez mais natural e presente, as cooperativas se depararam com um grande desafio: como evoluir sem perder sua essência? Entretanto, foi justamente nas maiores novidades que encontraram a oportunidade de unir princípios já conhecidos com pensamentos inovadores e avançar ainda mais.

No momento em que o país foi surpreendido pelo surgimento de ferramentas inéditas, brasileiros viram a economia do amanhã se antecipar. O lançamento do PIX e do Open Banking marcaram o começo de uma verdadeira revolução digital financeira e uma maior concorrência de mercado. No primeiro dia de operação da nova modalidade de pagamentos instantâneos, por exemplo, havia 734 participantes cadastrados e, desse total, 84,3% eram cooperativas de crédito. Assim, as instituições financeiras cooperativas os transformaram em uma revolução também socioeconômica através da disseminação de acesso, informação, recursos e possiblidade de reestruturação.

Nesse ano, a onda cooperativista conseguiu provar que não apenas carrega um passado de sucesso, mas aposta na continuidade de um movimento que constrói um futuro renovador. E como citou o palestrante, professor e especialista José Luiz Tejon, “o cooperativismo é o modelo de negócio do século XXI. Sem ele, daqui para frente, não existe projeto de Estado e não existe possibilidade da reinicialização econômica do planeta terra. Prosperar exige cooperação”.

O ano da virada

Em meio a tantas mudanças, é quase impossível resumir tudo o que aconteceu em 2020, mas as reflexões mais importantes precisam ser acentuadas e disseminadas em uma sociedade que vai se reinventar em 2021, mas com muitas lições, conhecimento e, principalmente, boas ideias.

Para ajudar a construir essa nova visão de futuro que vem se formando, a MundoCoop convidou grandes personalidades que fizeram parte dos inúmeros conteúdos, produções e acontecimentos desse ano para perguntar: O que vivenciamos em 2020 que levaremos como aprendizado para 2021?

Venha pensar, repensar e se inspirar com a gente!


Márcio Lopes de Freitas, Presidente do Sistema OCB

Em meio à crise que está ocorrendo agora, muito mais acelerada pela pandemia sanitária, o cooperativismo tem sido uma forma de resiliência, de suporte das pessoas e com isso as cooperativas estão crescendo e o desenvolvimento é muito notável em diversas áreas. A primeira delas aqui no Brasil que notamos bem é o cooperativismo agropecuário que não pode parar. Você tem que colher, tem que plantar, tem que tratar dos animais. Então, esse processo de continuidade faz com que as cooperativas e o ambiente onde elas estão presentes criem um processo de desenvolvimento que irradia positivamente.

E assim se desdobra também no cooperativismo financeiro, onde as cooperativas estão tendo um bom desempenho. O movimento tem sido muito prudente nas suas ações e ocupando espaços onde o sistema financeiro tradicional tende a recuar. Tem diversos setores que tem mostrado capacidade de crescimento, nós não teremos um PIB negativo! Então estou muito otimista e muito satisfeito por poder representar um setor que tem sido tão útil para a sociedade brasileira. O ano, apesar de todos os problemas, é um ano onde o cooperativismo mostrou o seu valor de organização de pessoas. 

Não podemos esquecer que a humanidade está em transformação e não vamos nos iludir que nós teremos uma volta pra normalidade antiga, porque o que está acontecendo é uma transformação nos tecidos fundamentais da sociedade humana. Mudanças de valores, de princípios, com interesses sendo cambiados, com o enfraquecimento de instituições, fortalecimento de indivíduos, onde se valoriza muito mais a economia participativa do que da economia pela economia. Então eu vejo uma nova geração, com novos interesses e novas oportunidades para a gente poder também ocupar os espaços e acho que o cooperativismo tem tudo a ver com o que essa nova humanidade e as novas demandas. Eu acredito muito nisso e acredito que nós, sabendo organizar gente, sabendo trabalhar com integridade, com inovação e sustentabilidade, vamos continuar avançando no pós pandemia.

Arthur Igreja, TEDx speaker e especialista em inovação e tendências

O principal que vivenciamos em 2020 e que fica, fundamentalmente, para 2021, foi a descoberta de que a tecnologia estava muito mais pronta para amparar os negócios do que imaginávamos. Também vivenciamos a flexibilidade nos modelos de trabalho, que vão muito além do home office, mas com ênfase no trabalho à distância, independentemente da localidade. Aprendemos ainda que, a partir de agora, poderemos recrutar profissionais em “anywhere”, ou seja, qualquer lugar. Muitas cooperativas já se atentaram a isso, pois se a busca é pelos melhores talentos, não importa onde estejam.

Fica a lição de que as empresas que venceram em 2020 foram as que tiveram a maior capacidade de adaptabilidade e as que devolveram algo para a sociedade, ou seja, atuar em prol da comunidade. Os desafios foram manter a liderança, o engajamento, mesmo com menos contato humano, bem como o cuidado com a saúde dos colaboradores e associados. A principal provocação para 2021 será manter o olhar atento, pois teremos ainda mais mudanças. E não é porque vai chegar a vacina e o tratamento que dá para esquecer 2020. Muito pelo contrário. Temos que usar 2020 como uma plataforma de aprendizado para acelerar ainda mais os negócios. 

Maíra Santiago, Diretora da Cooperativa Coletiva|Educação corporativa

Um aprendizado significativo de 2020 foi a antifragilidade das cooperativas. Com tamanhas incertezas, a união de competências, recursos, boa vontade, em prol de um propósito, realmente potencializa a vivência da ajuda mútua.

Resiliência já não é suficiente – é preciso ir além das conquistas do passado. Pouco vale o apego à pregressa robustez. A busca por demarcar territórios e combater a concorrência, deve ser substituída pelo enfoque naquilo que impulsiona nossa própria evolução – individual e coletiva. Como? Através de uma educação contemporânea e contínua.

Diante do imprevisível, recriar soluções e recriar-se, a partir da própria essência. No aparente caos, identificar maneiras de se fazer útil. Compreender que é preciso primeiro contribuir, solidariamente, e só depois virão os resultados. Tão óbvio quanto o fato de que o plantio antecede a colheita.

São muitas e basilares lições. Mas resgatar e revigorar a história, valores e princípios cooperativistas nos manterá em caminho salutar.

Ênio Meinen, Diretor de coordenação sistêmica e relações institucionais do Sicoob

A solidariedade, como um dos valores mais representativos do movimento, faz parte do cotidiano do cooperativismo, razão pela qual os momentos de dificuldade que assolam a sociedade não lhe impõem acionar emergencial e pontualmente o modo humanitário ou de chamamento à consciência. Foi assim que, honrando mais uma vez seu ideário e seu compromisso com os territórios, as cooperativas financeiras, desde o início da crise do novo coronavírus, acolheram e abraçaram a sua gente e o seu entorno, provendo soluções voltadas ao enfrentamento da doença, à resiliência econômica dos seus membros e à mitigação de privações básicas dos mais vulneráveis, cooperados ou não.

Durante a Covid-19, em razão das limitações materiais enfrentadas pelos indivíduos e pelas empresas, e diante do distanciamento e até mesmo isolamento sociais que se impuseram, os modelos de relacionamento operacional e societário também tiveram de ser revisitados. Daí que duas mudanças importantes se instalaram: novos níveis de precificação e acentuada busca pela solução digital ou remota, que acabou revelando-se uma ótima experiência para os usuários em geral. E são justamente esses dois aspectos que, combinados com um engajamento social cada vez mais efetivo, balizarão a atuação do segmento cooperativo financeiro doravante, seja na normalidade, seja em novos intervalos de adversidade. É o que aspiram os cooperados e as suas comunidades.

Como contrapartida, dada, inclusive, a maior notoriedade recente da presença cooperativa, fruto da atenção diferenciada que o segmento vem dispensando ao seu público e localidades assistidas, o negócio cooperativo deverá merecer preferência e, assim, elevar substancialmente o seu protagonismo nos próximos anos.

José Guilherme Barbosa Ribeiro, Diretor superintendente do Sebrae Mato Grosso

A pandemia da covid-19 despertou novos comportamentos. Surge um cidadão diferente, um consumidor, cujos valores estão conectados com as dimensões da sustentabilidade. Mais crítico, ele estabelece novos padrões de consumo. A busca por alimentos saudáveis, por qualidade de vida, engajamento em ações sociais, tudo isso ganhou mais espaço e atenção.

Descobrimos em 2020 a importância do trabalho em rede, da cooperação e do respeito ao meio natural e à inteligência que vem da natureza. Percebemos que a tecnologia não deve ser o objetivo final e sim o meio para darmos escala e facilitar processos humanos. Isolada, não gera transformação.

A solução mais eficaz, apresentada durante esse período de incertezas e dificuldades, é a cooperação. Atitude colaborativa e sistemas eficazes de cooperação fortaleceram empresas e territórios, atenuando os impactos da pandemia e ajudando a resolver desafios complexos.

Países e territórios, que priorizarem modelos de desenvolvimento alinhados com a sustentabilidade, ganharão destaque e relevância. Atuar de forma coletiva, tendo os princípios da cooperação como eixos estratégicos, é fundamental para gerar resultados transformadores.

Cooperar será a palavra-chave em 2021, cooperar para sustentabilidade. Cidades e países precisam ultrapassar os limites territoriais e se reconhecer como parte integrante de um bioma.

Romeo Deon Busarello, Vice-Presidente de Inovação e transformação digital da Tecnisa

Os líderes acostumados a liderar em tempos fáceis serão extintos nestes novos tempos. As empresas terão que confiar no seus funcionários. Não existirá mais a gestão a vista na qual os líderes controlam seus colaboradores no seu campo de visão, nas suas obedientes baias de trabalho. Hora útil será mais importante que hora extra. Menos estratégia e mais psicologia passará e ser habilidade recorrente. Deixaremos um mundo de abundância financeira e passaremos a viver um mundo de abundância de propósito. Predominarão organizações que praticarem melhor os 3’es: emoção, empatia e ética.

Os novos consumidores pós-covid passarão a comprar não somente quando compreendem, mas sim quando se sentem compreendidos. A era do vender dá lugar a era do ajudar a comprar, não existe mais desculpas para a empresas não terem uma operação digital, os consumidores são verdadeiros centauros uma dia querem ir a uma loja física e experimentar os produtos e as experiências sensoriais e no outro querem comprar digitalmente no conforto do seu lar. As empresas que valorizarem mais o produto que o mercado ficarão com os produtos e perderão o mercado.

Maria Flávia Bastos, Professora e escritora

Os espaços estão vazios. As pessoas também estão. Estamos em casa, mas fora de nós mesmos. Queria ter respostas para tantas perguntas sobre como preencheremos nossos vazios. Às vezes me faltam argumentos e ânimo e, da mesma forma, com incoerência e humanidade, me sobram esperança e alento. E é  aí que penso no desejo de um novo mundo, que poderá ser feito pelos vazios que precisamos preencher, primeiro dentro de nós e, aos poucos, junto de outros vazios formaremos outra história, outra cidade, outro país, outro mundo.

As cidades – suas ruas, comércios e casas, só são formadas porque, mais que pessoas, têm histórias, tristes, trágicas, românticas, alegres. Todas, de maneira comum, têm trechos de afeto. De afeição. De troca. Então, para que haja um novo mundo e novas histórias pós-pandêmicas, se pergunte sobre o que te afeta: ainda é uma crítica? Uma roupa? Um cargo? Mais dinheiro? A liberdade? Um pedaço de bolo ou uma xícara de café? Se questione ainda, a quem você oferece afeto? Como oferece esse afeto? E aí sim, quem sabe, a partir dessas perguntas poderão vir respostas e, com elas, um mundo repleto de querença e partilha.

Tiago Schmidt, Presidente da Sicredi Pioneira RS

Possivelmente 2020 não terminará em 31 de dezembro. Como normalmente ocorria em anos anteriores, a virada do calendário marcava sempre um novo começo, uma nova oportunidade e tínhamos a impressão que partia-se novamente do zero. Mas essa virada será diferente. Diferente pois possivelmente seguiremos ainda por algum tempo nesse cansativo e angustioso processo de isolamento social. Mas também, 2020 trouxe-nos a possibilidade de repensar e até mesmo ressignificar muitas coisas em nossas vidas. As relações familiares, a relevância dos amigos, justamente num momento em que mais precisávamos abraçar e ser abraçados. Mas tudo isso também deixará marcas importantes no cooperativismo.

As dificuldades circunstanciais fizeram também com que as cooperativas refletissem sobre muitos pontos importantes, como seu real papel na sociedade e o relacionamento com associados, e que por um “acaso” estavam adormecidos. Quis a pandemia fazer com que finalmente o cooperativismo tirasse seus dois pés sobre o século XX, e colocasse definitivamente um pé sobre o Século XXI e outro sobre o Século XIX. Sim, de uma hora para outra, cooperativas voltaram suas atenções para o futuro, para a inovação, para tudo aquilo que parecia distante ou até impossível, ao mesmo tempo em que isso apenas foi viabilizado, pelo simples fato das cooperativas voltarem-se mais à sua essência, ao proposito real de sua formação, aos nossos princípios, mostrando na prática o que é de fato participação econômica e interesse pela comunidade.


Por Fernanda Ricardi e Jady Mathias Peroni – Matéria publicada na Revista MundoCoop, edição 97


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