PAPO COOP #4 – Cooperativismo e a Cultura da Nova Economia

Publicado em: 14 setembro - 2021

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O quarto episódio do PAPO COOP traz para o palco Silvio Bugelli, cofundador da Metanoia Propósito nos Negócios e Educador em Cooperativas. Desvendando o histórico das transformações econômicas da história, ele reflete sobre o tema COOPERATIVISMO E A CULTURA DA NOVA ECONOMIA. 

A economia faz parte das nossas vidas. Querendo ou não, estamos conectados a ela durante toda a nossa trajetória. Caminhamos ao seu encontro, enquanto ela faz o mesmo movimento. Indistinguível. Indispensável. Assim também é a cultura, presente em nosso dia a dia das formas mais diversas possíveis. 

Mas e a cultura de economia? Para entender esse conceito, é preciso analisar alguns comportamentos históricos, assim como o nosso próprio desenvolvimento como sociedade. Afinal, para existir uma nova cultura de economia – ou cultura da nova economia – é preciso que algo tenha estado presente anteriormente. 

“Muitas vezes nos preocupamos com algo que é transitório. E a cultura é algo transcendente” 

A cultura não é estática. Ela se transforma, e flui através do tempo. Ela não fica no passado. Nem está condicionada ao futuro. Ela é, como o próprio ar, um conceito e fenômeno onipresente. 

Bugelli inicia a conversa destacando o seguinte: o grande desafio do cooperativismo é a criação de uma cultura. Para entender isso, e quais são essas barreiras, ele retorna para a Grécia Antiga, a fim de entender o conceito de administração. 

Períodos como a Revolução Industrial criaram um modelo de como atuar nos negócios. Uma padronização, que seguia uma sequência de atos resumidos a “planejar, organizar, controlar”. A “velha” economia fordista seguia esse modelo. Processos e normas criadas com olhar o futuro lucro. 

“A especialização da administração fez com que as pessoas se transformassem em coisas, em objetos” 

Tal modelo reduziu pessoas a simples peças na máquina produtiva mundial. E como peças, tal filosofia tratava pessoas como substituíveis, descartáveis. É como resposta a esse velho modelo, que surge o cooperativismo. 

Um movimento criado a partir de uma cultura de cooperação. De processos focados em pessoas. E assim tem sido, desde o seu surgimento como movimento. E muito antes disto também. 

“Estamos pensando nossa cooperativa com a essência da cooperação, ou caímos na armadilha da distorção de uma organização?” 

Bugelli traz para a reflexão um pouco de história. Na Grécia Antiga, comunidades de trabalho se juntavam em espaços comunitários, onde ninguém era dono de nada, mas compartilhavam o que tinham. Surge aí, séculos no passado, o primeiro indício do que se tornaria o cooperativismo que conhecemos hoje. 

Neste embrião do cooperativismo surge também a economia, que ao longo do tempo, se transforma para atender às demandas da sociedade, transformando-se no que conhecemos atualmente. 

“A nova economia representa relembrar a essência do cooperativismo” 

Sabendo do que se trata a “velha” economia, podemos finalmente pensar na “nova economia”. Apesar do senso comum, a nova economia não está associada a tecnologias que estão surgindo. Mas sim, um resgaste das origens do cooperativismo: equidade, igualdade, autonomia, esperança e tantos outros conceitos. 

A necessidade desse movimento se dá pela identificação da perda de essência por algumas cooperativas. Na busca pela equiparação a grandes negócios e empresas consolidadas, torna-se fácil perder aquilo que nos torna movimento cooperativo. 

A cultura da nova economia busca, através da lembrança das origens, trazer de volta os princípios que regem o movimento. 

“O humano é sujeito, não objeto” 

Na nova economia, é necessário resgatar a essência pautada no fator humano. Trazer de volta um cooperativismo que tenha como base a relação entre pessoas, deixando de lado as fontes que abastecem aqueles que não seguem a filosofia cooperativa. 

“Uma cultura cooperativa se faz com a filosofia cooperativista, a estratégia e os métodos de gestão aplicáveis” 

Por fim, é preciso pensar em uma cultura de nova economia com geração de riqueza. Riqueza para o cooperado e para cooperativa. Buscando sempre, colocar em pauta a preocupação social que rege o movimento. 

Como cooperativismo, essa geração de riqueza deve ultrapassar as barreiras da cooperativa, e se disseminar pela comunidade que a cerca. Assim resgatamos nossa essência como movimento. Para isso, precisa-se trabalhar a cultura cooperativa, e sempre se perguntar: como posso colocar o fortalecimento da cultura em minha agenda? 

É preciso pensar em todos os processos, sempre pautando-se em cima dos sete princípios que nos guiam. Ver a cultura cooperativista como resposta. Assim, se cria uma cultura cooperativa consolidada. E uma cultura consolidada, gera crescimento. Não só econômico, mas também humano. 

Quer conferir o quarto episódio do PAPO COOP na íntegra?   

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Por Redação MundoCoop



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