Plano Safra: recorde questionado pelos produtores

Publicado em: 10 maio - 2016

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Entre os muitos fatos políticos que marcaram a semana passada, o lançamento do Plano Safra 2016/2017 se destaca, com recorde no volume total de créditos para a agricultura e a pecuária: R$ 202,88 bilhões, valor 8% acima do direcionado à safra anterior (R$ 187,7 bilhões).

Em que pese os aparentes ganhos, as instituições do setor que se propuseram a se manifestar sobre o tema, principalmente sobre o Plano Agricultura e Pecuário, não estão satisfeitos, principalmente pela falta de diálogo com o setor produtivo.

João Martins, presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), considerou “intempestivo e inadequado o anúncio do novo Plano Safra 2016/2017, especialmente porque foi rompida a tradição de discussão prévia das metas com o setor agropecuário, transformando-se o documento numa mera carta de intenções” e criticou pontos que definiu como “altamente negativos como as elevadas taxas de juros, omissão em relação ao seguro rural e queda no nível de investimento”.

“Mais do mesmo” foi a expressão usada pelo diretor executivo da Abag – Associação Brasileira do Agronegócio, Luiz Cornacchioni, ao comentar o Plano Safra, quando também questionou a definição do Mapa de sustentar que o volume de recursos é recorde. Para ele, “é necessário observar que, do total destinado a custeio na modalidade juros controlados, R$ 115,8 bilhões, nada menos que R$ 10,3 bilhões são LCA (Letras de Crédito do Agronegócio), com taxas na faixa de 12,75%, impraticáveis para o produtor”.

Em relação ao restante dos recursos, Cornacchioni salienta que os juros de custeio variam entre 8,5% e 11,25%, acima do patamar praticado na safra passada, que variou de 7,75% a 10,5%. Outro exemplo de ponto negativo lembrado pelo dirigente da Abag é em relação aos juros do Moderfrota, que neste Plano Safra está na base de 8,5% a 10,5%, contra 7,5 a 9,0% da safra passada. “Com essas taxas de juros, dificilmente o produtor vai se beneficiar”, finaliza.

No dia anterior (3 de maio), foi tronado público o Plano Safra da Agricultura Familiar para 2016/2017, que também terá crédito recorde: R$ 30 bilhões para cultivo, produção e investimento com taxa de juros abaixo da inflação, variando de 0,5% a 5,5% ao ano. Os detalhes dos dois planos são facilmente localizáveis, respectivamente, nos sites do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).