Poder e responsabilidade: relação íntima entre esses temas é destacada por especialistas

Publicado em: 09 agosto - 2016

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Entendendo que a agenda do ajuste fiscal é prioridade do governo e não apenas do ministro da Fazenda, a economista Zeina Latif, da XP Investimentos, definiu o momento atual como de mudança de regime de política econômica, caracterizado por uma pressão saudável da sociedade no governo – que não aceita mais a volta do desequilíbrio da inflação, o aumento da dívida pública e nem da carga tributária – e por um debate econômico que, de 2014 para hoje, melhorou muito.

“Há um anseio da população por revisão de políticas públicas”, constatou a economista e cobrou responsabilidade com o ajuste fiscal que, garante, “é de todos nós e, por isso, as lideranças precisam se envolver”. Recomendou, também, aos empresários presentes que o agronegócio defina sua agenda e deixou entre as sugestões a necessidade de “se esforçar muito para lidar com a competitividade internacional sem o cacoete protecionista, ciente, também, de que a democracia contribui para o crescimento. A liderança também ajuda, mas precisa ser assumida a responsabilidade com a agenda nacional, afinal, poder vem junto com responsabilidade. E a elite política precisa ter a responsabilidade de participar e estimular esse debate”, frisou.

A relação entre poder e responsabilidade também é destacada por Marcelo Furtado, da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, que vê o agronegócio brasileiro como a solução para um mundo que está em crise, mas recomenda que o setor se organize na definição de como, em pouco tempo e com os elementos escassos, vai atender essa necessidade. “Qualquer movimento de transformação, para acontecer, precisa de poder e de visão. Poder, o agro tem, mas a visão precisa ser definida. Temos de investir na economia de baixo carbono, trabalhando uma equação que leve à questão da sustentabilidade e encare os desafios socioambientais”. Nesse sentido, deixou um alerta, que pode ser entendido como um dever de casa: “se o setor não liderar a transição, as regras serão montadas sem a participação das lideranças”.

A economista-chefe da XP Investimentos e especialista em macroeconomia e o representante da Coalizão Brasil, Clima, Florestas e Agricultura, participaram do 15º Congresso Brasileiro do Agronegócio, mais especificamente do painel sobre Protagonismo do Agronegócio. O evento foi promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), em 8 de agosto.



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