Principais produtores mundiais falam das experiências, debatem cenário local e tratam do mercado global

Publicado em: 09 novembro - 2016

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Troca de experiências, diálogo franco de produtor para produtor, autoanálise, diagnóstico, evolução e desenvolvimento de mercado. Em linhas gerais essas metas permearam a apresentação de representantes dos cinco principais países produtores de açúcar no mundo.

Brasil, China, Índia, Tailândia e União Europeia, durante todo um dia, dialogaram entre si e levaram até os representantes dos principais produtores brasileiro e aos especialistas e consultores de várias partes do mundo visão clara do mercado de cada país, com as características e os diferenciais, mostrando também os caminhos encontrados no equacionamento dos problemas e das dificuldades que afetam diretamente a produção da cana-de-açúcar ou da beterraba, no caso do Reino Unido.

No final do dia, a certeza inquestionável da necessidade de investimentos em eficiência e produtividade nos cinco países, independentemente do volume de produção de cada um.

Destaque, também, para o reconhecimento – por parte dos participantes dos outros países – da liderança do Brasil e da participação fundamental dos produtores brasileiros no atendimento da crescente demanda mundial.

Acredito que o Brasil conseguirá atender a demanda crescente e produzirá o volume de açúcar que o mundo necessita”, afirmou, ao final do encontro, diretor-gerente da LMC International – uma das maiores consultorias econômicas e empresariais de agronegócios do mundo – que, ao lado da  Canaplan e com apoio da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) realizou o Seminário Internacional do Açúcar 2016: O Mercado Global de Açúcar Está em Momento de Virada, promovido em 7 de novembro na capital paulista.

Convicto de que foi atendido o principal objetivo do evento – reunir representantes das empresas das cinco principais regiões produtoras do mundo – Luiz Carlos Corrêa Carvalho, diretor da Canaplan e presidente da Abag, comemorou a iniciativa e garantiu: “o que ouvimos aqui, de representantes de algumas das mais importantes empresas do País, é que já foi iniciado um novo ciclo positivo de investimento em aumento da eficiência e da produtividade. A esperada virada já começou e a confiança é realidade no segmento”, comentou, destacando que “ a plateia percebeu que hoje existe um grupo de países com limitações econômicas e problemas, como o Brasil e a Índia, nitidamente muito parecidos. Por outro lado, temos países como Tailândia, com forte subsídio e insistindo em expansão, e a União Europeia, com o açúcar de beterraba,  fortalecendo-se e promovendo uma onda de consolidações e ganhos de eficiência e produtividade que lhe garantem destaque no cenário mundial”.

Na opinião de Carvalho, ficou claro nas apresentações que o consumo mundial de açúcar está elevado e deverá continuar assim. “Temos anualmente uma demanda adicional acima de 3 milhões de toneladas. Obvio que, se o Brasil não consegue aumentar sua produção, ele perde share de mercado para outros produtores. Ou, então, vamos fazer um esforço e ter uma atuação mais agressiva. No caso brasileiro, fica claro que isso vai depender muito da arbitragem de preços entre o mercado aberto, que é o caso do açúcar, e o mercado de etanol, que depende tanto de políticas públicas”.

Características regionais com reflexos globais

acucar2A conjuntura do setor da União Europeia foi detalhada num dos painéis do Seminário, que teve a participação de Todd e também de Willian Martin, presidente da National Farmers’ Union. Na análise sobre a situação, foi explicitado que o setor viverá grandes transformações no próximo ano na Europa com o término das cotas de produção de beterraba e o fim do regime de preços fixados, ambas previstas para outubro de 2017. Além disso, há a expectativa de corte nos subsídios aos produtores do Norte da Europa. Em contrapartida, países como França, Alemanha e também a Polônia têm condições de aumentar suas produções. A equação no caso europeu é conciliar os interesses dos produtores de beterraba – 46% deles vinculados a cooperativas – com o dos processadores de açúcar.

O painel que tratou do mercado chinês e teve como participantes Gareth Forber, diretor de pesquisa de açúcar da LMC International, e Mauricio Nabuco Sacramento, diretor no Brasil da COFCO, mostrou o peso da China como maior importador de açúcar do mundo, que, em 2017, deverá atingir o total de 15,4 milhões de toneladas, contra 10,3 milhões de toneladas. Mesmo assim, algumas dúvidas habitam o cenário chinês – originadas na postura do governo chinês – e exigem atenção dos demais produtores, a exemplo do real volume dos estoques e os problemas salariais e de mão de obra que interferem diretamente nos custos de produção.

Também com a presença de Forber, o painel que abordou a situação do mercado indiano contou com uma palestra de Ram Tyagarajan, presidente da Thiru Arooran Sugars, uma das maiores produtoras da Índia. Apesar de o produtor de açúcar indiano ter hoje uma rentabilidade que chega a ser 155% maior na comparação, por exemplo, com o algodão em alguns estados daquele país, a produção de açúcar  enfrenta problemas semelhantes aos do Brasil: interferência excessiva dos governos na política de preços e dificuldades em relação a financiamentos para a ampliação e modernização das usinas.

A situação da Tailândia foi relatada por Amporn Kanjanakumnerd, diretora de operações da Mitr Phol, uma das maiores produtoras de açúcar daquele país. Participou também Martin Todd, da LMC International, que fez um apanhado da situação tailandesa. Segundo ele, em função da política de estímulo, houve uma onda de novas usinas.

Ao final do Seminário, um painel reuniu os executivos das maiores empresas que atuam no segmento de açúcar e etanol no Brasil. Mediado por Luiz Carlos Corrêa Carvalho, o painel analisou o real potencial de retomada dos investimentos em melhoria na eficiência e na produtividade dos produtores. Quase todos os participantes destacaram aspectos importantes dos avanços alcançados pelo setor, como regiões onde é possível colher 700 toneladas por dia com uma única máquina, a perspectiva concreta do etanol de segunda geração ou do plástico verde, as pesquisas que vão na direção da semente de cana ou da cana geneticamente modificada para evitar pragas, aperfeiçoamentos que deverão alavancar os índices de produtividade nos próximos cinco anos, auxiliando na competitividade do açúcar brasileiro no cenário internacional.

De toda forma, para se conseguir consolidar essas conquistas, os participantes reforçaram a necessidade de uma política clara de preço dos combustíveis, que não fique mais abaixo da paridade do mercado internacional; de um debate transparente sobre os incentivos em relação ao etanol na questão do crédito de carbono decorrente do uso do combustível menos prejudicial ao ambiente e à saúde do homem; de uma efetiva discussão sobre ganhos de produtividade, que precisa ser feita pelos produtores; e de regras claras em relação ao setor elétrico. Participaram do Painel coordenado por Carvalho: Fernando Antonio Barros Capra, da Clealco; Geovane Consul, da Bunge; Luis Henrique Guimarães, da Raizen; Luis Roberto Pogetti, da Copersucar; Luiz de Mendonça, da Odebrecht Agroindustrial; Marcelo Andrade, da COFCO; e Pedro Mizutani, da Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar.



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