Pronampe: o aliado do microempreendedor

Publicado em: 08 setembro - 2021

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Na última década o Brasil tem observado uma profunda e irreversível mudança em seu mercado de trabalho. Com números de desemprego no alto, o brasileiro começou a buscar novas oportunidades para gerar renda. Assim, nasceram milhares de pequenas e médias empresas, os famosos MEIs. 

Segundo o relatório divulgado pela Serasa Experian, foram abertos 370.581 novos negócios em janeiro deste ano, número 15,6% maior em comparação ao mesmo mês do ano anterior. Seja qual for o porte, os microempreendedores estão dominando o mercado de trabalho. 

Porém, a pandemia surgiu como uma grande barreira. Muitos negócios não resistiram, e fecharam suas portas. Outras, seguem gerando emprego e capital para a economia do país. Diante do cenário de incertezas, iniciativas federais foram criadas para ajudar o microempreendedor. Dentre elas, o Pronampe – que já deixa um legado positivo para a era pós-Covid. 

UM COMPLEXO SISTEMA 

Aprovado pelo governo neste ano, o Pronampe nasceu como um programa de concessão de crédito para micro e pequenas empresas. Utilizando um Fundo Garantidor para as operações, o programa foi responsável pela liberação de R$37 bilhões no ano passado, injetados no país através de diversas instituições, entre elas as cooperativas de crédito. 

a Sérgio Gusmão Suchodolski, presidente da ABDE e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG)

Para que funcione de forma plena, grande parte do programa é administrado pelas 34 instituições financeiras que fazem parte do Sistema Nacional de Fomento (SNF), que possui atuação a nível nacional. “O Sistema Nacional de Fomento (SNF), representado pela Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), congrega bancos de desenvolvimento subnacionais, agências de fomento, bancos comerciais estaduais, bancos públicos federais, bancos cooperativos, além da Finep e do Sebrae. Essas instituições financeiras representam 45% do mercado creditício brasileiro, atuando especialmente em setores e segmentos prioritários para o desenvolvimento sustentável do país, como o financiamento à infraestrutura e o apoio às micro, pequenas e médias empresas (MPMEs)”, explica Sérgio Gusmão Suchodolski, presidente da ABDE e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG). 

Sendo parte fundamental do sistema de crédito do país, hoje o SNF concentra 71% dos investimentos de longo prazo e 87% dos investimentos em infraestrutura no país. Tais números, mostram de antemão a importância de reconhecer o papel do grupo no funcionamento não só do Pronampe, mas de diversos outros programas de crédito que estão disponíveis no país. 

Com uma grande rede presente por trás de seu funcionamento, o Pronampe – assim como outros programas – foi de vital importância durante o contexto pandêmico. “A crise causada pela pandemia gerou grande impacto no mercado financeiro e na sociedade em geral, mostrando a urgência de mudança e de abertura de novos caminhos para o desenvolvimento do país. Nesse cenário, as instituições financeiras de desenvolvimento têm sido fundamentais para auxiliar as empresas que estão tentando sobreviver durante a pandemia”, explica Suchodolski. 

GRANDE ALCANCE 

Criado de forma excepcional durante a crise, o programa agora adotará um caráter permanente, resultado de seu profundo impacto na economia nacional. Destinado a qualquer tipo de empreendimento, o Pronampe se tornou rapidamente um “alívio” para o empreendedor, que viu um período de incerteza com os meses obscuros da pandemia de covid-19. Agora, mesmo com a retomada, o programa deve continuar a exercer um papel fundamental na economia, prolongando a vida de milhares de negócios. 

Apesar de muitas vezes ser associados a negócios do agro, Suchodolski destaca que o programa atinge diversos ramos, sendo impossível traçar um perfil dos MEIs que o utilizam. “O segmento das micro, pequenas empresas é muito amplo. Não temos ainda um levantamento que permita apontar exatamente o perfil dos empreendedores que buscam os recursos, mas temos a garantia de que com a capilaridade do Sistema Nacional de Fomento, principal operador do programa, estão sendo contemplados empreendimentos das mais diversas regiões do país, com diferentes modelos de negócios e portes”, afirma. 

Mesmo que continue presente na vida de milhares de negócios, é indiscutível que a magnitude do programa e o intenso trabalho nos bastidores possibilitou um novo recurso para expandir os novos mercados do país. Não apenas no quesito econômico, mas também social. E diante deste cenário, a intercooperação entre diversos órgãos mostrou-se indispensável para a criação de uma ferramenta que realmente ajudasse o empreendedor brasileiro. 

“A crise provocada pelo novo Coronavírus deixou evidente a importância do Sistema Nacional de Fomento como um agente apoiador da atividade econômica e desenvolvedor de políticas públicas em apoio à população. O legado é a demonstração da capacidade técnica e territorial de mobilização de recursos de programas nacionais para as regiões brasileiras, por meio das instituições financeiras de desenvolvimento, para que os negócios pudessem atravessar esse período”, Suchodolski conclui. 

O PAPEL DAS COOPERATIVAS 

Como em diversos outros momentos, o cooperativismo mais uma vez mostrou sua força durante o cenário pandêmico. E ao falarmos de Pronampe, é indispensável concluir a reflexão trazendo o papel do ramo crédito dentro do programa que salvou milhares de empreendedores durante a crise da Covid-19. 

Neste cenário de incertezas econômicas, as cooperativas rapidamente buscaram formas de auxiliar seus cooperados. E, sendo parte do Sistema Nacional de Fomento (SNF), elas atuaram como uma das principais concessoras de crédito através do Pronampe, mostrando mais uma vez a preocupação em oferecer melhores condições para seus cooperados. 

Luciano Ribeiro, Superintendente de Negócios do Sicoob

Para Luciano Ribeiro, Superintendente de Negócios do Sicoob, as cooperativas tiveram na pandemia uma de suas maiores demonstrações de preocupação com o cooperado, especialmente quando falamos do mercado financeiro. “As cooperativas tiveram um papel fundamental neste período de pandemia: somente o Sicoob aumentou em quase 50% o volume histórico de sua carteira de crédito PJ em um ano (de junho de 2020 a junho de 2021). Esse crescimento foi lastreado por meio de condições favoráveis aos nossos cooperados, como taxas competitivas, carência, alongamento de dívidas e refinanciamentos e oferta de todos os programas governamentais disponibilizados neste período”, ele afirma. 

Desta forma, as cooperativas conseguiram – através de programas próprios e de iniciativas como o Pronampe – serem importantes aliadas na manutenção dos negócios no país. Por possuírem um modelo de negócios único, as coops ainda conseguiram trazer mais benefícios para os milhares de cooperados que também são empreendedores, e a partir de programas sob medida, conseguiram apresentar os melhores retornos para a cooperativa e para os cooperados. 

“O cooperativismo tem a premissa de devolução das sobras aos seus cooperados e este ponto permite que produtos possam ser ofertados sem a necessidade de grandes retornos financeiros. Neste cenário, o Pronampe apareceu como uma ótima oportunidade para ajudar nossos cooperados e firmar o compromisso das cooperativas de crédito junto à sociedade”, nos conta Ribeiro. 

Porém, engana-se quem acredita que o Pronampe foi a única solução criada para o cenário pandêmico. Além dele, programas nacionais como o Pese e o PEAC também ajudaram as micro e pequenas empresas brasileiras, enquanto as cooperativas aumentaram esse apoio através de linhas de crédito criadas sob medida para esses empreendedores. 

O FUTURO QUE NOS AGUARDA 

A pandemia gerou uma grande incerteza nacional, mas em alguns quesitos, podemos dizer que saímos mais fortes. Através da intercooperação entre setor privado e público, medidas foram fundamentais para garantir emprego e renda para milhares de brasileiros. Para Ribeiro, tais iniciativas não foram apenas produtos de seu tempo, e ajudaram a criar um novo momento para o mercado nacional. “Acredito que ações como o Pronampe vieram para ficar, é sempre salutar quando o Governo atua na economia no sentido de viabilizar os negócios e criar um ambiente mais seguro e sustentável para todos os setores”, afirma. 

Com a eficiência que o cooperativismo demostra há mais de um século, o auxílio a milhares de empreendedores mostrou mais uma vez o sucesso do modelo cooperativo. Isso, graças à sensibilidade de entender as necessidades de cada cooperado e cooperada que encontrou em iniciativas como o Pronampe, a base para continuarem a seguir seus sonhos. 

“Cuidar do empreendedor é um passo primordial para qualquer país que busque o desenvolvimento, acredito que nos próximos anos teremos ajustes nos programas e, talvez, a criação de novas formas de apoio, mas essa parceria entre entes públicos e privados deverá ser mantida, pois seguramente trouxe alento e esperança em tempos de incerteza”, Ribeiro conclui. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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