Seminário Gaúcho enfocou a construção de um futuro sustentável

Publicado em: 25 outubro - 2016

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mundo_sustentavelDurante a 17ª edição do Seminário Gaúcho do Cooperativismo, realizado pelo Sistema Ocergs, em Gramado, no Rio Grande do Sul – realizado nos dias 20 e 21 de outubro, em Gramado (RS) – o tema central enfocou as cooperativas e o poder de transformar para um futuro sustentável, mesmo  tema da Aliança Cooperativa Internacional para 2016.

Além de palestras e seminário, o encontro serviu de palco para a entrega do Prêmio Ocergs de Cooperativismo e do Troféu Padre Theodor Amstad, assim como para reunião de grupos de trabalho que discutiram os temas pertinentes ao setor cooperativo gaúcho, que apontaram desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável das cooperativas.

Primeiro dia – Vergilio Perius, presidente do Sistema Ocergs-Sescoop/RS, em nome da Diretoria e dos cooperativistas presentes, abriu os trabalhos e apresentou dados e números que representam a força do cooperativismo no Estado, com grande representatividade e inclusão social. Perius também destacou a participação de jovens e mulheres no XVII Seminário, o que ressalta a abrangência dos temas trabalhados.

A conferência “Cenários e perspectivas para o Brasil”, com o jornalista e comentarista William Waack, tratou do momento de crise que o país enfrenta e sinalizou as medidas necessárias a curto e longo prazo para sair dela. Para ele, a crise brasileira não é atual, fiscal e nem apenas de representatividade. “Não estamos sabendo dar importância ao que realmente importa no cenário internacional que é competitividade, qualificação, produtividade e mérito”. E coloca nas mãos da sociedade a mudança. “Como sociedade, nós temos uma série de dificuldades. Isso vai exigir de nós fazermos escolhas, às vezes cruéis. Não temos condições de sustentar o que viemos sustentando até agora em benefícios sociais. Alguém vai pagar por isso, alguém vai perder. A força popular dos últimos tempos arrebentou muitas amarras, mas o que queremos mudar no Brasil está em nossas mãos, mas precisamos dar sentido e direção”.

Em seguida, os presentes assistiram à apresentação do Painel “Face à conjuntura brasileira, quais os desafios para o crescimento das cooperativas”, com o diretor-presidente do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), Odacir Klein, e o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos e Finanças (IBEF), Ademar Schardong. Odacir Klein apresentou o status institucional das cooperativas e afirmou que a crise existe, mas que a sociedade deve assumir responsabilidades. E defendeu que o crescimento deve objetivas o desenvolvimento, senão será vazio, mas que existem alguns desafios como planejamento, gestão, transparência e intercooperação. E destacou: “E o Sescoop/RS tem um papel fundamental nesse sentido. Ele é um valioso instrumento para estimular a solidariedade e a gestão eficiente”.

No último painel do dia, o presidente do Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças seccional do RS, Ademar Schardong, analisou a conjuntura econômica, o momento atual e as perspectivas de futuro. Com larga experiência no mercado financeiro, tendo atuado no Sistema Sicredi desde a sua fundação até 2015, quando deixou a presidência do Banco Cooperativo Sicredi, tratou das perspectivas de curto prazo como inflação, câmbio e juros, abordando essa realidade de uma forma didática, demonstrando como as cooperativas precisam se comportar perante esses cenários.

Schardong destacou também questões como o PIB gaúcho e brasileiro, desemprego e por fim, abordou as questões políticas institucionais, destacando as últimas ações do governo do presidente Temer, como o arrocho orçamentário, a revisão dos programas sociais e a retomada das parcerias públicas privadas. Versou ainda em sua explanação sobre a aprovação em primeiro turno da Pec 241, que aconteceu na semana passada no Congresso Nacional, e destacou que as medidas são necessárias, na sua visão, para que o país retome o crescimento, que são as alterações em sus estrutura política, como a implementação do parlamentarismo, o voto distrital e desempenho mínimo para partidos.

Premiação – Ainda no dia 20, os grupos de trabalho se reuniram e, à noite, foram entregues o Prêmio Ocergs de Cooperativismo e o Troféu Padre Theodor Amstad.

Em sua segunda edição, o prêmio foi entregue em quatro categorias: Intercooperação, Inovação em Educação, Cultura, Gestão ou Tecnologia, Responsabilidade Social e Responsabilidade Ambiental. 29 cooperativas inscreveram os projetos que foram avaliados por uma comissão julgadora integrada por representante de federações de cooperativas, Ocergs, Sescoop/RS e Ocergs.

 – Na categoria Intercooperação, que reconhece a adoção de práticas que possibilitem a cooperação com outras cooperativas de maneira que se obtenham resultados sociais e econômicos de significativa relevância, a vencedora foi a Coagrisol, de Soledade, com o projeto de Intercooperação com a Coopemarau. O
 – Na categoria Inovação em Educação, Cultura, Gestão ou Tecnologia, que reconhece a adoção de estratégias inovadoras que permitem o desenvolvimento do cooperativismo nas áreas da educação, cultura, gestão ou tecnologia, a vencedora foi a cooperativa Coprel, de Ibirubá, com o projeto Coprel na Escola.
 – Na categoria Responsabilidade Social, que reconhece a adoção de práticas que beneficiam a sociedade, a vencedora foi a Unicred Porto Alegre, com o projeto de incentivo à doação de órgãos, intitulado O Melhor Instrumento é a Voz.
 – Na categoria Responsabilidade Ambiental, que reconhece a adoção de práticas voltadas à sustentabilidade, que beneficiem o meio ambiente, a vencedora foi a cooperativa Santa Clara, de Carlos Barbosa, com o projeto Plantando o Bem.

Já o Troféu Padre Theodor Amstad foi para o advogado Ademar Schardong, por seus relevantes serviços ao cooperativismo gaúcho. Schardong preside o Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Seccional do RS) e, em sua trajetória, participou de todas as etapas de criação e estruturação do Sistema Sicredi, tendo importância fundamental para a expressão que o cooperativismo de crédito possui atualmente.

Segundo dia – A programação foi aberta com a apresentação dos relatórios dos grupos de trabalhos, em que seus relatores apresentaram os resultados das discussões do dia anterior, que responderam à questão “Face à atual conjuntura brasileira, quais os desafios e oportunidades para o desenvolvimento sustentável das cooperativas”?
Em seguida, o presidente do Sistema OCB, Márcio Lopes de Freitas proferiu a palestra “Oportunidades para o crescimento das cooperativas no momento atual”. Na oportunidade, ele discorreu sobre o contexto atual, os novos mecanismos de comunicação, a história do cooperativismo que, segundo ele, demonstra, desde o seu surgimento, a capacidade de mitigar os efeitos da crise, através dos seus princípios. E frisou: “as cooperativas têm buscado, ano após ano, ampliar sua capacidade competitiva e melhorando seus processos de governança, o que resulta da ampliação de sua participação do mercado, gerando trabalho, renda e dividendos para os cooperados”.