13º Concred Digital: discutindo as transformações do cooperativismo de crédito

Publicado em: 30 julho - 2021

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Presente na maior parte de nossas vidas, os sistemas bancários passaram (e passam) por uma revolução. Se antes dependíamos dos chamados “bancos tradicionais”, hoje operamos nesse mundo através de fintechs e soluções digitais cada vez mais focadas na experiência com o usuário. Tal revolução digital chegou sem avisos, e as cooperativas de crédito correram e se adequaram a essa nova realidade. 

O resultado dessa mudança já é visto. Cada vez mais as cooperativas de crédito têm ganhado espaço, tornando-se uma das principais soluções para milhares de famílias ao redor do país. Hoje, essas instituições estão presentes na maior parte dos municípios brasileiros, e em alguns casos, são as únicas do tipo em toda uma cidade. Nos dias de hoje, as cooperativas de crédito são parte indispensável da estrutura de crédito do país. 

De olho nessa crescente do setor e nas mudanças que vem ocorrendo nos últimos anos, acontece entre os dias 18 e 20 de agosto o 13º Concred Digital, o maior evento do cooperativismo de crédito da América Latina. Totalmente digital, o Concred será um espaço completamente imersivo e que irá trazer grandes nomes para falar sobre as tendências do mercado, as novas demandas da sociedade e ainda, o papel do cooperativismo de crédito como agente de transformação. 

Para mostrar os desafios de criar um evento totalmente digital e trazer um panorama sobre o status do setor crédito nos dias de hoje, a MundoCoop conversou com exclusividade com o presidente da Confederação Brasileira das Cooperativas de Crédito (Confebras), Moacir Krambeck. Além de falar sobre o evento e discutir as mudanças recentes no setor, Krambeck ressalta a importância de um determinado grupo no futuro do ramo crédito: os jovens. 

Confira a entrevista completa! 

MundoCoop: Mais de um ano após o início da pandemia, a Confebras promove o 13º Concred Digital, evento que vai discutir as tendências do setor de Cooperativismo de Crédito. Quais os desafios que a Confebras enfrentou ao criar do zero um evento completamente online? Qual o diferencial do evento? 

Nos vimos, sem dúvida, diante de uma missão desafiadora. Foi preciso repensar completamente um evento tradicional, que está entre os mais significativos da América Latina para o Cooperativismo de Crédito. Mas soubemos olhar para esse desafio como uma oportunidade. O movimento cooperativista provou sua força, no contexto da pandemia. A despeito das instituições financeiras tradicionais, as cooperativas cresceram em 2020 e seguem em ritmo de aceleração, no ano de 2021. 

Isso faz do cooperativismo um elemento fundamental na recuperação econômica que se aponta e reforça seu papel de sustentáculo financeiro para um mundo em transformação. E daí nasce o perfil do 13º Concred Digital, um evento firme em seus princípios e valores, mas que olha para o futuro e espelha a (r)evolução do ecossistema do nosso segmento. É um formato inovador, com olhar para o futuro e que, sem dúvida, vai surpreender os participantes e parceiros. 

MundoCoop: O Concred Digital vai discutir múltiplos temas que dialogam com o setor de crédito, como tecnologia, inovação, ESG e juventude. O que se espera alcançar com a promoção do evento? Como o Concred vai contribuir para o setor? 

A curadoria dos conteúdos, liderada pela nossa superintendente, Telma Galletti, foi orquestrada para atender às principais demandas do cooperativismo, com temas de alta relevância para gestores, dirigentes e colaboradores das cooperativas, em total sintonia com as expectativas de quem faz o Sistema Nacional de Crédito Cooperativo. 

A visão holística e ampla que guiou a seleção de assuntos e palestrantes leva em conta preparar os participantes para um futuro que já está acontecendo. Integrar-se à digitalização e à conectividade é inadiável para ocuparmos o centro das novas perspectivas financeiras, como merecemos. 

As abordagens em torno de liderança, estratégia, cenários, tendências globais, negócios e diversidade, também centrais no 13º Concred Digital, são fundamentais para o nosso protagonismo. E essas questões serão abordadas de forma profunda por lideranças que se destacam pelo conhecimento e pela capacidade de antever e desenhar o futuro.  

MundoCoop: Um dos pontos que o Concred Digital vai abordar é o papel da juventude no setor de crédito, com ações voltadas para o público entre 18 e 35 anos de idade. Por que a Confebras decidiu dar destaque para essa faixa etária? Quais motivos tornam indispensável dialogar com esse público mais jovem? 

O “Integração Juventude”, esse espaço inédito e gratuito para o público de até 35 anos, é uma das grandes novidades desta edição do Congresso. E não poderia ser diferente, diante de um evento que se propõe a pensar o futuro do cooperativismo e da necessidade que o nosso segmento percebe em desenvolver maior proximidade e sintonia com essa geração. 

Os jovens têm um olhar único e motivado sobre o que está por vir e têm valorosa contribuição a oferecer para o cooperativismo. Por isso, teremos esses momentos especificamente voltados a eles. A proposta aos participantes é vislumbrar e questionar o que reserva o futuro sob seis ângulos: negócios, trabalho, educação, dinheiro, vida e relações. É uma chance única para ouvirmos o que a nova geração tem a dizer, tornando-a mais integrada à filosofia cooperativista, tão aderente às demandas atuais. 

MundoCoop: Recentemente, a dinâmica entre o setor econômico e as transformações sociais tem se tornado cada vez mais forte. Como o Concred Digital contribui para esse fenômeno de humanização, em meio à inovação constante que impacta diversos setores da sociedade e do cooperativismo? 

Essa é uma questão extremamente apropriada. Eu acredito firmemente que não é possível falar em cooperativismo, deixando de lado a questão humana. E a tecnologia pode ser uma ferramenta de transformação social. O que se faz necessário é trazer ao debate os usos das ferramentas de conectividade na construção de um mundo e de negócios mais humanos. E sob essa perspectiva vamos enfocar as políticas ESG, a formação de lideranças femininas e jovens, a construção de propósito e valores, os aprendizados trazidos pela Geração Z. A programação é repleta de intersecções com a abordagem humana e do cooperativismo como agente de desenvolvimento econômico e social.  

Veja que haverá, até mesmo, uma palestra intitulada “Calma no Caos”, com Pedro Aihara, porta-voz dos bombeiros de Minas Gerais no episódio Brumadinho, tratando do gerenciamento das emoções. Isso sem contar o marcante encerramento, com a renomada palestra de Bernardinho, o maior campeão da história do vôlei, sobre estratégia e motivação. A Confebras aposta, justamente, nessa aliança entre inovação e humanismo nesse evento totalmente online, que se converte numa experiência imersiva, com conteúdo de alto nível e amplas possibilidades de interação e engajamento. 

MundoCoop: Mesmo diante da pandemia, o setor de crédito continuou a identificar resultados positivos, aumentando o seu alcance no país e sendo uma das principais fontes de concessão de crédito para produtores, consumidores e público em geral. Quais fatores levaram a esse cenário de expansão do setor? 

Certamente a resposta está no comprometimento que o setor tem com as suas comunidades, em levar prosperidade e apoio aos seus associados em momentos de crise. Basta vermos a enorme adesão que as cooperativas tiveram aos recursos recebidos do Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte), lançado no início da pandemia, no primeiro semestre do ano passado, e que agora será um programa permanente do Governo Federal.   

MundoCoop: O mercado financeiro tem passado por uma grande revolução digital. Primeiro, com a implementação do PIX. Agora, com a chegada do Open Banking. Como essas mudanças estão impactando o Cooperativismo de Crédito? As cooperativas estão preparadas para implementar essas novidades na forma como nos relacionamos com o dinheiro? 

Primeiro, é importante destacar que não é uma escolha acompanhar ou não estas evoluções, é uma questão de sobrevivência. As novas gerações serão os principais consumidores desta nova realidade e esperamos que o objetivo do Bacen de aumentar a competitividade no mercado financeiro realmente aconteça. Para as cooperativas, além de precisarem estar preparadas para essas mudanças, será o momento de comprovarem a diferença que fazemos nesse mercado, educando a apoiando os cooperados nas novas tecnologias e formas de se relacionarem com o dinheiro.   

MundoCoop: Recentemente o Copom elevou a taxa básica de juros para 4,25% ao ano. Atualmente, o mercado está prevendo uma taxa de cerca de 6,5% até o fim de 2021. Como essa elevação dos juros deve impactar as concessões de crédito a produtores e cooperados? Como o setor de crédito está se preparando para esse novo momento do setor? 

O impacto deste aumento de taxa será menor nas cooperativas, que se prepararam ajustando sua eficiência operacional. É no momento de bons resultados que os ajustes precisam ser feitos para que os aumentos não sejam repassados na íntegra aos tomadores de crédito. E para melhorar a eficiência das cooperativas, o SNCC precisa intensificar as ações de compartilhamento de estruturas, principalmente aquelas de retaguarda. No curto prazo, com a perspectiva dos aumentos da Selic, o Cooperativismo de Crédito não deve ter impacto nas concessões, mas ajustes precisam ser feitos dentro de casa diante das incertezas do cenário atual. 

A MundoCoop é a mídia oficial do 13º Concred Digital!


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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