Agenda 2030: cooperativismo para atingir um futuro mais sustentável

Publicado em: 19 março - 2021

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Foi-se o tempo em que sustentabilidade significava exercer os três Rs: reduzir, reutilizar e reciclar. Em um mundo cada vez mais populoso, e com demandas ainda maiores, pensar em formas sustentáveis tornou-se imprescindível para garantir o pleno funcionamento da sociedade como um todo. Pensando nesse objetivo, a Agenda 2030, criada pela Assembleia Geral das Nações Unidas, estabelece 17 metas globais para assegurar um futuro mais sustentável. 

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) não apenas buscam uma vida mais integrada com o meio ambiente, como também erradicar problemas sociais que atrasam o desenvolvimento da sociedade como um todo. Entre elas, estão objetivos como trabalho decente e crescimento econômico, igualdade de gênero, educação de qualidade, redução das desigualdades e a criação de cidades e comunidades mais sustentáveis. 

Para alcançar essas metas, é preciso que haja um trabalho da sociedade como um todo. Do caráter individual, ao coletivo. Dentro disso, as empresas, grandes corporações e cooperativas tem um papel fundamental para assegurar o alcance dessas metas, que no cenário ideal, deverão ser cumpridas ao longo desta década. 

As cooperativas, que já colocam as necessidades de seus cooperados acima do único e exclusivo lucro, trabalham com um modelo alinhado com as ODS, colocando o desenvolvimento sustentável como uma peça importante em seus processos. Se aliadas a grandes empresas e corporações, essa integração pode representar o ponto de virada necessário para que as metas estabelecidas pela Agenda 2030 sejam alcançáveis.  

Buscando entender como essas organizações podem ajudar a cumprir a Agenda 2030, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com o sócio-diretor da Therax, empresa especializada em planejamento e gestão empresarial, Osmar Oliveira. 

Confira abaixo a entrevista completa: 

MundoCoop: Os novos rumos de mercado vêm exigindo cada vez mais uma economia mais inclusiva e sustentável. Como, na sua visão, as cooperativas e demais organizações podem lidar com essas transformações constantes e necessárias? Qual seria a estratégia de gestão mais eficaz?  

O mercado será cada vez mais exigente, não apenas em termos de qualidade e competividade de produtos e serviços, mas também com relação aos impactos causados pelas organizações na sociedade e no meio ambiente em que atuam. Nenhuma novidade nesta colocação, fato! As cooperativas e organizações também já sabem disso a muito tempo, porém aquelas que continuarem a tratar a inclusão e a sustentabilidade apenas como no discurso, vão perder uma grande oportunidade de defender sua atual posição, ou de conquistar uma maior participação de mercado. 

Para que as transformações ocorram, é preciso dominar metodologias e implementar ferramentas gerenciais especificadas a cada estágio e maturidade de gestão. É preciso ter um planejamento de qualidade e, principalmente, competência em sua execução. Acredito fortemente que uma estratégia de planejamento e gestão eficaz combina a gestão tradicional com as metodologias ágeis. 

A gestão tradicional possui fundamentos sólidos e tem comprovado sua importância e efetividade nos resultados das cooperativas e das organizações de destaque ao longo dos anos, porém as chamadas metodologias ágeis têm se apresentando como importante aliadas neste processo de transformação. Não basta apenas uma teoria consistente. É preciso também ter velocidade e capacidade de entrega.  

MundoCoop: A implementação da Agenda 2030 e dos ODS têm mudado a visão de negócios atualmente. Pensando nisso, como as organizações podem se adequar e contemplar essas metas? Qual o primeiro passo?  

A incorporação dos objetivos de desenvolvimento sustentável e das metas da Agenda 2030, propostos pela ONU em 2015, podem ter um papel relevante nos resultados desejados e posicionamento definido pelas organizações. 

Para isso, é necessário que os fundamentos do Planejamento Estratégico de cada uma delas sejam definidos ou revisados imediatamente. A visão da organização deve contemplar o estado futuro desejado, norteando a estruturação de sua formulação estratégica que a conduzirá para a definição de objetivos e metas, entre eles os relacionados aos ODS.  

MundoCoop: O cooperativismo possui em seu propósito e princípios o desenvolvimento sustentável, mas por ser um movimento muito amplo e populoso, pode não aplicar totalmente essa teoria na prática. Como uma cooperativa pode garantir a sustentabilidade em sua atuação? Como descobrir o diferencial e aplica-lo no dia a dia? 

O propósito e os princípios do cooperativismo são genuínos, fazem parte da sua essência. Porém, aplicar o chamado tripé da sustentabilidade, no qual a definição das estratégias é realizada sob a perspectiva dos resultados econômico, social e ambiental é um grande desafio.  

Cada vez mais as cooperativas precisam apresentar resultados econômicos consistentes, mas atrelada a esta necessidade é preciso que elas tenham sempre como referência a execução de ações coerentes com seus fundamentos.  

É preciso que a cooperativa identifique sua real Proposta de Valor. Características de sua atuação que fazem com que ela seja percebida como única, especial e que a diferencia. Não é apenas a busca pelas sobras. A razão da existência de uma cooperativa é muito mais ampla, envolve também a transformação da comunidade que está inserida, bem como ações de preservação ambiental e redução do consumo de recursos naturais.  

No dia a dia, toda decisão ou posicionamento devem ter sempre como referência os princípios e valores do cooperativismo, mas principalmente, devem ser valorizados, reconhecidos e incentivados pela alta gestão. 

MundoCoop: As cooperativas são essencialmente formadas por pessoas. Como essa nova era da sustentabilidade pode servir para impactar desde o interno da organização para o externo?  

As organizações são formadas por pessoas, mas o que norteia o comportamento e postura destas pessoas é a orientação e estímulos que estas pessoas recebem para que atuem em conformidade com os princípios, valores e propósito de cada negócio.  

O propósito da cooperativa tem que ser vivido no seu dia a dia, não pode ser apenas uma frase de efeito. Viver o propósito significa definir estratégias, executar ações e tomar decisões alinhadas com os fundamentos da cooperativa. É avaliar os impactos de sua atuação sobre sua estrutura interna e as partes externas envolvidas. Tem a ver com destino, com a transformação que se pretende gerar. Parte do pressuposto que o resultado econômico não a principal razão de sua existência, mas sim a consequência da atuação coerente com aquilo que a cooperativa se propõe a fazer. 

MundoCoop: Para as organizações, qual a vantagem de inserir a sustentabilidade em seus negócios? E qual o benefício de levar essa mensagem até as pessoas e as comunidades? 

O consumidor e o mercado estão cada vez mais conscientes sobre o impacto da sustentabilidade sobre sua vida e seus negócios. As variáveis preço e qualidade do produto e do serviço sempre terão sua importância na tomada de decisão de compra e contratação, mas cada vez mais não serão absolutas.  

Já estamos vivendo uma realidade em que a sustentabilidade ganha cada vez mais relevância nas escolhas a serem feitas. Diante desta tendência, as organizações precisam compreender que a sustentabilidade é uma importante vantagem competitiva a ser explorada, mas que seus resultados também precisam ser comunicados de maneira eficaz. Não basta apenas ser sustentável. É preciso se apresentar como sustentável, aumentando a percepção de geração de valor para as pessoas e as comunidades, objetivando elevar seu engajamento e comprometimento com a causa. 

MundoCoop: Qual é a sua visão em relação ao futuro do mercado e a Agenda 2030?  

O atual período de pandemia, causado pela Covid-19, está catalisando a transformação de nossa realidade e continuará a influenciar fortemente os novos padrões de produção e consumo que estão se formando. O dia a dia de toda a população mundial foi afetado e o impacto que estamos sofrendo nos permite constatar que, negligenciar o conteúdo da Agenda 2030, também poderá nos custar muito caro.  

Acredito que o mercado passará a valorizar e reconhecer cada vez mais o esforço e comprometimento das organizações para incorporar os objetivos de desenvolvimento sustentável e as metas propostas na agenda 2030 na razão da existência de seus negócios. 

A adoção da Agenda 2030 é uma causa nobre, necessária de ser considerada por todas as organizações que visam a perenidade de seus negócios, sendo cada vez mais percebida e valorizada pelo mercado. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop 


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