Crescer no segmento de cooperativas: meta da Seguros Unimed

Publicado em: 15 agosto - 2017

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Empossada em abril, em conjunto com as Diretorias da Unimed do Brasil, Central Nacional Unimed e Unimed Participações, a atual Diretoria da Seguros Unimed passou por renovação significativa: dos cinco cargos, apenas dois permanecem com os mesmos responsáveis: a Presidência, com Helton Freitas, que assumiu mandato tampão em 2015 e foi reeleito para a gestão 2017-2021, e a Diretoria de Finanças, Administração, Técnico e Legal, sob a responsabilidade de Adelson Chagas.

Os outros três membros são estreantes na gestão da Seguros Unimed, apesar de já terem exercido diversos cargos no Sistema Unimed. São eles: Luiz Paulo Tostes Coimbra, diretor Comercial e de Marketing; Agenor Ferreira da Silva Filho, diretor de Operações, patrocinador do segmento de Saúde; e Tajumar Custódio Martins, diretor de Clientes e Produtos, patrocinador do segmento de Odontologia.

Além das funções inerentes ao cargo e à área de abrangência, cada diretor tem um grupo de produtos sob sua responsabilidade. Desse modo, Tostes é patrocinador dos segmentos de Vida e Previdência; Agenor Silva, do segmento de Saúde; Tajumar Martins, do segmento de Odontologia; e Chagas, do segmento de Ramos Elementares. A adoção dessa estrutura organizacional matricial da Diretoria data do final de 2015, mas foi fortalecida na atual gestão, com os diretores agregando às suas funções a responsabilidade pela PML (Perda Máxima Provável) da companhia.

Alteração significativa também foi registrada no Conselho de Administração. Como explica Adelson Chagas, o conselho, que até então era composto por 17 pessoas, sendo uma delas independente, na atual gestão foi reduzido para 9, com dois membros independentes.

Definida como a seguradora do Sistema Unimed, a Seguros Unimed atua de forma a ampliar as possibilidades de negócios das Unimeds, ao oferecer produtos que se adequam às estratégias de cada cooperativa, no relacionamento com clientes, médicos cooperados e colaboradores.

Para falar sobre os planos e metas, a Diretoria da Seguros Unimed deu entrevista exclusiva à MundoCoop, transcrita abaixo.

Da esquerda para a direita, Dr. Luiz Paulo Tostes Coimbra, Dr. Adelson Severino Chagas, Dr. Helton Freitas, Dr. Agenor Ferreira da Silva, Dr. Tajumar Custódio Martins.

Confira a entrevista com os cinco membros da Diretoria da Seguros Unimed.

Quais os planos da atual gestão, com mandato até 2021?
Helton Freitas
– Nossa meta é manter um crescimento sustentado entre 10% e 15% ao ano. Queremos crescer no segmento de cooperativas. Para abordar o cooperativismo temos de nos acertar melhor com o ramo crédito e o agronegócio. No futuro, também iremos buscar parceiros para produtos como o seguro rural, uma vez que dominamos a área médica no sentido do conhecimento e da familiaridade com os temas, temos nossa história em cooperativas, mas, para outras áreas em que não temos vivência, precisamos de parcerias.

Comparativamente com outros países, qual a posição da Seguros Unimed no meio cooperativista?
Helton Freitas – A legislação brasileira não permite a existência de uma seguradora no formato societário de cooperativa. Por isso, a Seguros Unimed, obrigatoriamente tem de ser uma SA, mas, desde o início, mantem-se a composição acionária e a lógica que rege a seguradora dentro dos princípios cooperativistas. Diferencial importante é que no Brasil, a Seguros Unimed ainda é a única filiada nessa atividade junto à Aliança Cooperativa Internacional via ICMIF (The International Cooperative and Mutual Insurance Federation), braço das seguradoras e mútuas de origem cooperativista na ACI. Ou seja: hoje, internacionalmente, somos a seguradora do setor cooperativista brasileiro. Entre os países emergentes, somos a segunda maior, tendo à nossa frente apenas a Sancor, da Argentina. Mundialmente, esse setor representa 27% de todo o seguro mundial, sendo que as norte-americanas, canadenses, europeias são muito maiores, e as japonesas são imensas, chegando a deter até 40% do mercado segurador.

Desde sua posse, em 2015, a Seguros Unimed está investindo no fortalecimento dos vínculos com o cooperativismo. Como está caminhando esse processo?
Helton Freitas – O primeiro passo foi desenvolver a cultura cooperativista, e o sistema de formação de líderes próprio da seguradora contribui para isso, pois o cooperativismo é um assunto que vem sendo tratado, mostrando resultados e casos de sucesso. De forma prática, tudo começa pelo relacionamento com o Sistema Unimed, que como resultado do trabalho de aproximação desenvolvido nesses dois últimos anos, está mais receptivo aos produtos da Seguros Unimed, mas ainda precisamos transmutar essa receptividade em ações concretas com as cooperativas. Eficiência é fundamental no processo, pois é importante ter claro que as cooperativas não podem se esconder atrás do manto cooperativista para justificar a ineficiência. Em outras palavras, eu não quero me relacionar com uma cooperativa que me entregue menos do que uma empresa de mercado, mas quero uma entrega igual ou melhor, em qualquer área. A intercooperação é ponto estratégico e está sendo buscada como complemento, porque atuamos onde a Unimed não pode atuar, na complementação.

Como é feita a abordagem? Houve necessidade de criar novos produtos?
Luiz Paulo Tostes Coimbra – As cooperativas são nosso grande nicho. Atuar junto a cooperativas do Sistema Unimed, entre outras, é o direcionamento para a companhia inteira, e todo mundo está trabalhando no sentido de que a Seguros Unimed é a seguradora do Sistema Unimed, da Saúde, do cooperativismo. Todo o marketing e a comunicação, todo o desenho de produtos e de abordagem atua junto a esse público com o objetivo de proteger o médico, a pessoa e o patrimônio do médico. Ou seja, sabe-se quais clientes a companhia deseja conquistar, e a equipe está buscando aprofundar o conhecimento sobre esses clientes para poder desenhar os produtos de forma adequada a atendê-los. O portfólio de produtos atende as necessidades, mas às vezes é necessária uma roupagem nova para melhor atender médicos, cooperados, clientes.

Saúde continua como ramo prioritário?
Agenor Ferreira da Silva FilhoSaúde é o maior ramo na Seguros Unimed, com 500 mil segurados, o que coloca a companhia como a terceira seguradora do Brasil em Saúde. O foco, no entanto, está sendo modificado para atenção integral às pessoas, pensando nas pessoas e na prevenção.

Como alavancar outros ramos?
Adelson Chagas – Retomar a origem cooperativa como seguradora tem relação com a perenidade da companhia, e o caminho é buscar essas origens dentro das Unimeds e das cooperativas em geral, junto aos parceiros na saúde, onde temos a fortaleza da marca. Mas, para diversificação do risco, é preciso buscar outras opções. Temos 75% da receita originada na Saúde, porque entendemos desse negócio de cuidar de pessoas. A meta é alavancar os outros ramos para reduzir o percentual de saúde sem perder mercado, via crescimento das outras áreas, diluindo o risco.  Há produtos já prontos para isso, como o seguro D&O (Directors and Officers Liability Insurance) e de responsabilidade civil profissional, pois proteger o cooperado e seu patrimônio é uma função social da seguradora. Nesse sentido, nossa preocupação não é com o ressarcimento de um sinistro, mas, sim, com o processo de educação e prevenção. O diferencial é que a Seguros Unimed é a única seguradora com foco em responsabilidade civil profissional com experiência em entidades médicas, hospitais etc. Por isso, a atuação envolve processos de acreditação, certificação da qualidade, atendimento com maior resolutividade para os pacientes. A atuação nesses ramos teve início em abril de 2014, e o crescimento inicial foi forte, superando os 160% contra uma média de mercado inferior a 9%. O foco agora é sustentar o crescimento ao longo dos próximos anos. Os desafios são atingir as cooperativas de crédito e investir no desenvolvimento de ferramentas digitais de vendas com segurança, a exemplo do que acontece em outros países, inclusive da América do Sul.

E na Unimed Odonto, quais investimento vêm sendo realizados?
Tajumar Custódio Martins – Podemos usar como exemplo a Unimed Odonto, criada em 2010, por uma necessidade de mercado. Hoje, a empresa atingiu o nível mais elevado na avaliação da ANS, situando-se como a oitava entre as grandes em odontologia. Para manter essas conquistas, são constantes os investimentos em tecnologia. Por exemplo, houve investimentos em mobilidade e informação ao cliente. Assim, pelo celular, ao digitar o CEP de onde está, o cliente recebe três indicações de profissionais nas proximidades.

Seguros Unimed em números

Com 27 anos no mercado, a Seguros Unimed atua nacionalmente, nos segmentos de Saúde, Odontologia, Vida, Previdência Privada e, mais recentemente, nos Ramos Elementares – com crescente demanda por seguros patrimoniais e de responsabilidades. Atualmente, cobre cerca de 6 milhões de segurados e conta com mais de 1,1 mil colaboradores em São Paulo e nos 22 Escritórios Regionais presentes em todo o país. Com faturamento consolidado de R$2,64 bilhões em 2016, a companhia obteve lucro líquido de R$104,6 milhões, o que corresponde a um salto de 116% frente ao ano anterior. Além disso, administra uma carteira de ativos de R$2,74 bilhões, dos quais R$1,6 bilhão em fundos de previdência privada. Os resultados colocam a Seguros Unimed como a segunda seguradora em Vida no mercado brasileiro e a terceira em Saúde.



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