O impacto do Open Banking no cooperativismo

Publicado em: 23 agosto - 2021

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A revolução do sistema bancário brasileiro continua, e neste mês o Open Banking iniciou a sua segunda fase, onde os clientes poderão autorizar ou não o compartilhamento de seus dados entre as instituições bancárias. Apesar de já estar disponível para o público, não são poucas as dúvidas sobre o que muda com o novo sistema. Além disso, ainda há a especulação sobre como o Open Banking – e posteriormente o Open Finance – irão impactar as atividades de instituições como as cooperativas de crédito.

Para entender um pouco mais sobre como esse sistema vai mudar o dia a dia das cooperativas do ramo crédito e dos clientes, a MundoCoop conversou com exclusividade com o sócio da PwC Brasil, Luis Ruivo. Descubra a seguir como o Open Banking deve revolucionar a relação entre cooperados e cooperativas, e como o setor pode se preparar para as próximas fases deste novo sistema.

Confira a entrevista na íntegra!

MundoCoop: O Brasil acaba de iniciar a segunda fase do Open Banking. Como essa nova fase impacta as cooperativas?

A segunda fase prevê o compartilhamento de dados privados dos clientes desde que haja o consentimento dos mesmos. Os dados incluem dados cadastrais e informações de conta corrente, poupança, cartão, entre outros. Esta  fase tem impacto direto nas cooperativas, pois ao mesmo tempo em que gera oportunidades de acesso a dados de não clientes, traz a ameaça de perda de clientes ou negócios para outras instituições financeiras.

MundoCoop: Quais as próximas fases do Open Banking? Ao que as instituições financeiras, principalmente cooperativas, devem se atentar nesse processo?

O Open Banking tem mais duas fases previstas. Na fase três, que inicia no dia 30 de agosto, os consumidores poderão acessar serviços de pagamento fora do ambiente do banco e solicitar empréstimos fora do aplicativo do banco, compartilhando o histórico de informações financeiras. A quarta e última fase será implementada em dezembro, ampliando o conceito para o Open Finance, onde será possível compartilhar dados como operação de câmbio, investimento, Seguros e Previdência. As cooperativas devem se preparar para não perder os prazos e aproveitar ao máximo as oportunidades de negócio que serão geradas.

MundoCoop: O Open Banking vem com a missão de dar mais autonomia para o cliente. Na prática, o que muda no dia a dia com a implementação do novo sistema?

O cliente passa a ser responsável pelos próprios dados. Na prática ficará mais fácil fazer a portabilidade de suas informações para outras instituições financeiras. Isso tende a aumentar a competição no setor, pois instituições nas quais o cliente não possui conta corrente ou histórico de relacionamento serão capazes de acessar dados históricos do cliente e oferecer produtos e serviços financeiros sob medida.

MundoCoop: Sendo um sistema que vai facilitar o acesso a dados financeiros, uma das maiores preocupações no momento é a segurança do novo sistema. Quais garantias o cliente possui? Como as cooperativas podem agir para aumentar a segurança de seus cooperados?

O cliente está protegido pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e pela própria infraestrutura tecnológica montada para viabilizar o Open Banking. De todo modo é importante estar atento a potenciais golpes e fraudes que surgirão na esteira do Open Banking.

MundoCoop: Segundo especialistas do setor, o open banking deve gerar um cenário financeiro mais competitivo. Como isso deve beneficiar os clientes do cooperativismo de crédito? Podemos esperar uma mudança na forma como cooperativas e clientes se relacionam hoje?

Os clientes do cooperativismo de crédito poderão com mais facilidade ter acesso a outras propostas de crédito e de produtos e serviços financeiros de outras Instituições. As cooperativas precisam estar atentas a estas possibilidades e da mesma forma avaliar maneiras de intensificar suas ações comerciais de parcerias.

MundoCoop: O open banking é uma das inúmeras inovações que vem surgindo no mercado financeiro. Analisando esse cenário, quais as principais tendências para o setor daqui para frente?

No longo prazo, a tendência é que cada vez mais os serviços financeiros estejam presentes em nossa vida de maneira transparente, ou seja, contrataremos serviços financeiros sem necessariamente interagir diretamente com banco. Os bancos e cooperativas de crédito precisaram aprender como distribuir seus produtos por meio de outros canais e parceiros e não apenas de seus canais tradicionais como agência e mobile. 


Por Redação MundoCoop


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