O impacto do sistema de saúde cooperativista no combate à pandemia

Publicado em: 22 dezembro - 2020

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A propagação do Covid-19 trouxe uma das maiores crises econômicas da história da humanidade causadas por uma ainda maior crise sanitária. E, a partir disso, o mundo se viu obrigado a mudar paradigmas, tomar medidas rápidas e se inovar para combater a pandemia e minimizar o que viria a seguir.

No Brasil não foi diferente, mas com um diferencial em destaque: o cooperativismo. Em meio as urgências atuais, as cooperativas de saúde foram – e ainda são – linha de frente nessa causa e cada vez mais necessárias para a construção de uma nova realidade no país.

Para saber mais sobre o que mudou, os motivos desse destaque cooperativista, as tendências que foram antecipadas e qual o futuro do sistema de saúde brasileiro, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com o presidente da Unimed Santa Catarina, vice-presidente da Unimed do Brasil e vice-presidente da Unimed Mercosul, Dr. Alberto Gugelmin Neto.

Confira!

Em 2020, muitas dinâmicas sociais mudaram buscando a prevenção e combate da pandemia. No setor da saúde, quais mudanças tiveram que ser antecipadas? Como elas têm transformado as cooperativas atuantes no sistema de saúde?

O ano de 2020 será inesquecível e certamente a pandemia de Covid-19 ficará registrada na história do século XXI. Claro que essa não é a primeira grande crise sanitária mundial, mas é a primeira enfrentada num mundo globalizado e sem limites de comunicação, com redes sociais que universalizam a informação e com uma transformação tecnológica sequer imaginada há bem poucos anos. A análise desse novo cenário do mundo é primordial para que entendamos o que está acontecendo e de que forma estamos enfrentando os grandes desafios do momento. Portanto, o novo coronavírus trouxe imensos reflexos, em toda a nossa forma de viver, que parecia nos proteger de quase tudo, inclusive na medicina, que se desenvolveu enormemente nas últimas décadas, com capacidade diagnóstica e de tratamento nunca antes vista.

Evidentemente a saúde é a área mais impactada pela pandemia e também o setor que precisa dar respostas mais eficientes junto à sociedade. Ciente disso e seguindo a sua missão de cuidar da vida, a Unimed enfrentou a pandemia com mudanças sem precedentes, na sua estrutura e na velocidade das decisões tomadas. Dessa maneira, demonstrou mais uma vez a força de ser a maior cooperativa de saúde do mundo – conforme a Aliança Cooperativa Internacional (ACI) e o maior plano de saúde no Brasil, responsável pela assistência de aproximadamente 18 milhões de brasileiros, reunindo cerca de 114 mil médicos cooperados, 108 mil colaboradores e a segunda maior rede própria de hospitais do país – ficando apenas atrás das Santas Casas. Como sistema cooperativo, a Unimed também deixou clara a importância da união de esforços para vencer os grandes embates, exercendo os valores que a diferenciam, que iniciam nos princípios que a regem e vão até o “Jeito de Cuidar Unimed”, que se traduz na forma humana de acolher e tratar os clientes que lhe confiam a sua saúde, de seus familiares e colaboradores.     

Quais foram as medidas e ações que as cooperativas do Sistema Unimed tomaram para se adaptar ao novo cenário? Como ser inovador em tempos de crise quando o assunto é saúde?

Desde os primeiros dias da Covid-19 em território nacional, a Unimed agiu para proteger os clientes, os médicos cooperados, os colaboradores e a comunidade das mais diversas formas. Num país de dimensões continentais e com necessidades específicas em cada região, muitas foram as formas de agir e é impossível listar todas as ações. Mas pode-se destacar, junto aos clientes, a criação de unidades de atendimento específicas para casos suspeitos e confirmados de coronavírus – desde ambulatórios até hospitais de campanha, laboratórios para exames de detecção da doença, novos leitos clínicos e de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A ampliação dos mecanismos de teleatendimento (clínicas digitais, teleconsulta, prestação de serviços pelo WhatsApp, SMS e plataformas de comunicação), aplicativos digitais e uso de ferramentas inovadoras de monitoramento, como o Painel Coronavírus, com dados diários sobre o comportamento da transmissão do vírus e agravamento dos casos, assim como de leitos, para ajudar na tomada de decisões estratégicas. Sem esquecer das ações contínuas de orientação nas redes sociais e nossos veículos de comunicação, além da multiplicação em muitas vezes da aquisição de materiais, medicamentos, testes rápidos e todos os insumos necessários.

Junto aos cooperados, verdadeiros heróis na guerra contra a Covid-19, é grandioso o cuidado com a segurança, de forma especial com os médicos que estão na linha de frente, com EPIS (Equipamentos de Proteção Individual) de qualidade, treinamento e capacitação para o atendimento das especificidades da doença, além das medidas adotadas para a manutenção da remuneração dos profissionais, também muito importante no momento da crise. Com os colaboradores foi montado um plano de contingência nunca antes visto, com o deslocamento para home office de um verdadeiro o exército, com o acompanhamento das equipes em todos os sentidos, da infraestrutura necessária para as atividades até a assistência psicológica diante das dificuldades da situação.

Por fim, mas não menos importante, todo o trabalho realizado junto à comunidade, com um olhar atento aos mais vulneráveis. Os Institutos Unimeds de todo o país realizaram atividades sociais belíssimas e de amplo alcance. Como forma de sintetizar, vou citar a campanha Movimento Saúde e Ação, que até o momento teve como resultado mais de R$ 2 milhões arrecadados e transformados em doações de alimentos, máscaras, produtos de higiene e outros bens.

Claro que no universo tão amplo da saúde, inúmeras outras medidas foram tomadas, mas esse breve relato demonstra um movimento sem precedentes da Unimed, com a agilidade e a pró-atividade necessárias. Também é certo que, dessa forma, aprendemos muito e nos preparamos para a nova normalidade, sempre acompanhando as transformações à nossa volta. O que não se modifica é a força da união do cooperativismo médico, que mais uma vez mostra os diferenciais da Unimed na saúde suplementar brasileira.

Uma das questões mais evidentes no atual momento é o uso da tecnologia. Como o ambiente digital tem auxiliado no atendimento dos pacientes? Como conciliar tecnologia e humanização dentro das cooperativas de saúde? 

Se a tecnologia já fazia parte de nossas vidas, durante pandemia ela passou a ser quase um novo integrante de nossas casas e famílias. A Unimed está ciente disso e vem agindo de maneira ágil para atender aos anseios daqueles que lhe confiam a sua saúde. Assim, além das soluções já criadas como resposta à pandemia (citadas nas demais respostas da entrevista), a Unimed vem trabalhando fortemente para se tornar ainda mais digital, acrescentando novas funcionalidades ao aplicativo e ampliando o engajamento digital dos beneficiários. São diversas ações já em andamento, desde a redução da emissão de cartão físico, migrando para o cartão virtual, até os serviços de telemedicina e teleconsulta. Plataformas de monitoramento de leitos e de pacientes, novas formas de se comunicar, instrumentos para maior interação e respostas na jornada do cliente, sem contar a inovação na gestão das cooperativas e muito mais.    

Mas é essencial frisar que, nessa trajetória do mundo online, a Unimed evidencia, mais uma vez, os seus diferenciais, fazendo da tecnologia não uma prioridade absoluta, mas uma grande aliada da aproximação, mesmo a distância, sem esquecer o lado humano que envolve toda a assistência à saúde. Isso está assegurado na meta principal do “Jeito de Cuidar Unimed”, que nos últimos anos vem modificando o relacionamento com os beneficiários dos planos de saúde da Cooperativa em todo o país.

A mobilização da sociedade, principalmente do sistema brasileiro de saúde, foi intensa no decorrer desse ano. Nesse contexto, por que as cooperativas se destacaram tanto?

Penso que a pandemia trouxe uma consciência mais ampla sobre o valor da saúde para as pessoas. Nesse contexto, é absolutamente essencial avaliar que a crise da Covid-19 mais uma vez demonstrou a importância da saúde suplementar no Brasil e a importância do Sistema Unimed, não só no atendimento dos 18 milhões de pessoas assistidas pelos seus planos, mas porque, ao cuidar desta parcela da população, possibilita que o SUS dê assistência aos que realmente precisam dos serviços da rede pública. Essa função também é social e valoriza ainda mais todo o trabalho que realizamos.

Também é certo que, num momento de tamanho desafio, as cooperativas se destacam pelos valores que as alicerçam, de forma especial pela intercooperação (que se traduz em união de forças), a educação (de suma importância para as medidas de contenção da transmissão do vírus) e o interesse pela comunidade (com ações de solidariedade). Somos diferentes porque somos cooperativa e a sociedade como um todo já percebe isto.              

Como investir em modernizações sem deixar de contemplar as diferentes realidades e demandas específicas das regiões do país?

A Unimed hoje está em 84% do território nacional. É um alcance gigantesco, para um país também de grandes proporções. A rede de assistência do Sistema é que o torna forte, promovendo a saúde em todas as suas faces, da prevenção ao tratamento, do nascimento à longevidade. Isso dá uma tranquilidade e uma segurança ímpares aos beneficiários dos planos da Cooperativa. Ao mesmo tempo, o respeito à autonomia das Singulares da Unimed é também um dos seus pilares, possibilitando que cada região se desenvolva conforme suas necessidades e especificidades, para atender cada vez melhor os seus clientes e os seus médicos cooperados.  

O enfrentamento da pandemia, mais uma vez, mostrou de forma clara as peculiaridades de cada região. Só para citar um exemplo, a Unimed Fortaleza foi uma das Singulares do Sistema que teve maior impacto com a pandemia, chegando a registrar quase 600 pacientes internados na rede da Cooperativa, logo nos primeiros meses do novo coronavírus no Brasil. Diante disso, desenvolveu uma estratégia com decisões arrojadas e de amplo alcance, obtendo resultados de grande importância, com destaque ao hospital de campanha (com 44 leitos) e redimensionamento dos serviços da rede própria. Já no Sul do Brasil, a doença chegou de forma diferente, exigindo maiores investimentos em monitoramento e testagem, para conter a transmissão da doença e evitar o agravamento do paciente, assim como a ocupação dos leitos de UTI, deixando este espaço aos casos de maior risco. Isso tudo salvou vidas, de Norte a Sul do Brasil.    

Quais são as novas necessidades das comunidades que vão procurar atendimento médico e hospitalar daqui para frente? Qual o futuro do sistema de saúde, principalmente cooperativista, no Brasil?

Depois de mais de seis meses de enfrentamento da pandemia, a Unimed está na expectativa da volta à normalidade, consciente de que isso significa adotar muitas mudanças para proteger a saúde. Estamos começando a baixar as curvas de transmissão do vírus e da letalidade da doença, mas ainda é preciso muito cuidado, para evitar uma segunda ou terceira onda da doença. Ou seja, os mecanismos de alerta ainda estão ligados, e os desafios continuam.  

Enquanto esse movimento em busca da estabilização da crise de saúde se desenvolve, a Unimed já está com os olhos voltados ao dia de amanhã e para a pós-pandemia. Isso significa colocar em prática o aprendizado e consolidar nossos valores, reconhecidos ainda mais pela sociedade. Estamos nos debruçando especialmente na busca de novas formas de atender a população que já tem ou que deseja ter nossos planos de saúde. Isso se faz com a criação de novos produtos e serviços, com assistência personalizada a empresas, assim como um modelo voltado à promoção e à prevenção na saúde.

Atualmente, inúmeras ações para a nova fase que se inicia já são realizadas pelo Sistema Unimed em todo o país. Como exemplo, cito a Unimed Santa Catarina, que realizou um grande debate online, com a participação do historiador Leandro Karnal e o economista Ricardo Amorim, hoje os principais formadores de opinião de todo o país. Com mais de 3,5 mil pessoas inscritas, a live foi um grande sucesso, com ampla interação dos participantes e muitas perguntas aos convidados especiais, mostrando que as pessoas têm a necessidade dessa reflexão. Assim, a Unimed mais uma vez assume o papel de protagonista na assistência à saúde e começa a planejar um novo tempo, mantendo o estado de alerta para a pandemia do coronavírus, mas já com os olhos voltados ao que está por vir daqui para frente.

Essa é a nossa forma de trabalhar para um futuro melhor, agora mais fortes e ainda mais unidos, centrados nos princípios do cooperativismo que nos rege. Porque cada vida é importante, num mundo que é capaz de realizar coisas cada vez mais grandiosas, como vencer uma pandemia. 


Por Fernanda Ricardi – Redação MundoCoop



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