O novo ciclo do legado cooperativista

Publicado em: 04 outubro - 2021

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Ao longo das últimas décadas, a sociedade tem evoluído em diversos aspectos. E assim como ela, os serviços tem acompanhado esse desenvolvimento com novas soluções e abordagens para velhas demandas do mundo. Tal fenômeno, também implicou mudanças no movimento cooperativista e seus ramos. Dentre eles a saúde, que vem se tornando mais humanizada e eficiente, graças a formas inéditas de acolher o paciente e novas tecnologias aplicadas do atendimento aos procedimentos.

E junto à evolução do mercado, cooperativistas de todos os ramos estão se desenvolvendo, acompanhando as novidades do mundo além da cooperativa, sem deixar de lado os princípios e valores tão característicos do movimento; de tal forma que o mundo novo se funde com o legado criado até aqui.

Para entender melhor sobre as transformações presenciadas pelo cooperativismo de saúde e o papel do legado e da tradição em busca do novo, a MundoCoop conversou com exclusividade com o presidente da Unimed do Brasil, Dr Omar Abujamra Junior. Eleito neste ano para a Presidência da Unimed do Brasil, Abujamra ficará à frente da organização no mandato que vai de 2021 a 2025, levando o sistema para um novo patamar e ampliando seu alcance no território brasileiro.

Confira a entrevista na íntegra!

MundoCoop: O senhor já possui uma carreira de sucesso dedicada à área da saúde. O que o movimento cooperativista influenciou em sua atuação e trajetória? 

A prática médica está intrinsecamente ligada à cooperação, como forma de somar esforços para a promoção da saúde e do bem-estar coletivo. Sou médico especialista em Ginecologia e Obstetrícia com formação em gestão de saúde.  Nos estudos sobre cooperativismo na Università degli Studi Roma Ter, na Itália, participei de programa sobre economia, direito e gestão da empresa cooperativa e essa experiência certamente contribuiu para reforçar a premissa da medicina de que cooperar pode salvar vidas.  

Tenho uma trajetória de 40 anos dedicados ao Sistema Unimed e com base no cooperativismo. Fui presidente da Unimed Botucatu e da Intrafederativa Centro-Oeste Paulista. Em 2018, passei a liderar a Federação das Unimeds do Estado de São Paulo (FESP) e, em 2021, fui eleito presidente da Unimed do Brasil.

Na minha carreira pude comprovar que a união de profissionais médicos para a prestação de serviços de saúde é capaz de oferecer melhores condições tanto para os cooperados quanto para os clientes, possibilitando a assistência de qualidade a valores mais acessíveis. Sem dúvida, o movimento cooperativista contribui para a democratização da saúde.   

MundoCoop: O que representa assumir a presidência de uma entidade tão renomada como a Unimed do Brasil? Quais os principais objetivos para esse novo mandato? 

Estar à frente da Unimed do Brasil representa o compromisso em atender os anseios do Sistema e buscar soluções que respondam aos desafios impostos pelo mercado. Nosso propósito é consolidar a Confederação como referência para o Sistema Unimed no direcionamento de estratégias e na aplicação de uma governança efetiva, proativa e parceira para apoiar e desenvolver as Federações e as Singulares. 

Nessa nova gestão, em parceria com as demais Unimeds nacionais, um dos principais objetivos é a coordenação das próprias competências, em uma busca contínua pela inovação e consolidação da marca e para lidar com a concorrência que vem ganhando escala nacional, com formação de grandes operadoras e redes de prestadores. Conectar os serviços entre as cooperativas, presentes em todas as regiões do País, e trabalhar conjuntamente os portfólios complementares são um diferencial competitivo para a Unimed. Nós nos propusemos a integrar as nossas operações de gestão de rede, auditoria médica, regulação e inteligência assistencial.

MundoCoop: As cooperativas Unimed estão espalhadas pelo Brasil assegurando uma das melhores coberturas nacionais. Como garantir o atendimento e manter a qualidade com realidades regionais tão diferentes no país? 

O modelo cooperativista da Unimed, baseado na gestão do próprio médico e no cuidado e proximidade com as comunidades nas quais atuamos, viabiliza atendimento em diversas regiões onde o sistema público não está bem desenvolvido. Este é um de nossos diferenciais, há mais de cinco décadas. As cooperativas adotam práticas que fomentam iniciativas de inovação, consumo consciente, respeito à natureza e compromisso com a coletividade. Outro benefício é a capacidade de integrar equipes multiprofissionais da saúde para aumentar a eficácia e a qualidade dos serviços assistenciais ao englobar diferentes áreas do cuidado.  

Temos uma grande capilaridade da rede de atendimento que seguem padrões da Unimed, com assistência personalizada e medicina preventiva, que asseguram manter a qualidade do cuidado independentemente da região onde se encontra. E nós, da Unimed do Brasil, promovemos ações de melhoria contínua dos processos internos com a finalidade de fortalecer a integração, a reputação da marca e a satisfação das cooperativas e, consequentemente, dos beneficiários.  

MundoCoop: Cada vez mais, a inovação e a sustentabilidade têm se tornado necessárias dentro das organizações. Como esses tópicos estão sendo e serão trabalhados pela Unimed do Brasil? Além desses, quais os principais pilares a serem seguidos atualmente? 

A Unimed vem trabalhando diversas frentes para atender as necessidades da população. Prezamos pelas iniciativas de prevenção como uma das formas de promover saúde. Nosso posicionamento de marca, o Movimento Mude1Hábito, incentiva as pessoas a buscarem um estilo de vida mais saudável para melhorar a qualidade de vida.    

Nossos esforços se concentram na oferta de assistência de qualidade e na democratização do acesso à saúde. Temos focado, portanto, em projetos que contemplem o programa Intercâmbio, garantindo a realização de atendimentos e procedimentos em qualquer Unimed do País  para o beneficiário com plano de abrangência nacional; expansão do cooperativismo nos âmbitos assistencial e educacional; programas de aperfeiçoamento da jornada de cuidado do cliente; atuação proativa nas discussões políticas sobre os principais temas do setor; governança corporativa do Sistema Unimed; expansão da telemedicina; segmentação de produtos para diferentes públicos; e integração tecnológica e infraestrutura escalável.  

MundoCoop: A pandemia mudou quase que radicalmente as demandas e necessidades da sociedade. Como esse cenário tem afetado as cooperativas Unimed? Quais os desafios daqui para a frente? 

A pandemia do novo coronavírus é a maior crise sanitária que enfrentamos desde a fundação da Unimed, há quase 54 anos, e nos adequamos rapidamente aos protocolos necessários para combater a Covid-19. O contato próximo e direto com as comunidades contribuíram para que pudéssemos identificar as necessidades e atuar para atender as demandas impostas por essa nova realidade.  

Um levantamento com 119 Unimeds, representando mais de 12 milhões de clientes, aponta que, desde o início da pandemia, foram contratados mais de 13 mil profissionais da saúde, incluindo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. Neste período, houve também o aumento de 58% na quantidade de leitos e a criação de 12 hospitais de campanha. Uma iniciativa dos Institutos Unimed, o Movimento Saúde e Ação, captou mais de R$ 4 milhões para destinar a 45 instituições e 22 mil famílias em situação de vulnerabilidade. É importante destacar também que a Unimed vem amplificando o uso de teleconsultas e internações domiciliares como medida de contingência.

Investimos, nos últimos 18 meses, em quatro das cinco regiões do Brasil para o enfrentamento da Covid-19. Nesse período, destinamos mais de R$ 1 bilhão para a construção de 12 hospitais próprios, aumento do número de leitos – sendo 909 novos leitos de UTI – e centros de cuidado para oferecer tratamento mais especializado para os casos de pacientes com consequências físicas e mentais pós-Covid. 

Além da medicina, acreditamos no papel fundamental das informações confiáveis para combater a Covid-19 e, por esse motivo, criamos o movimento #LivreDeMentiras, em que estimulamos as pessoas a checarem a veracidade do conteúdo antes de repassar para conhecidos.    

MundoCoop: O sistema de saúde cooperativista vem conquistando crescente destaque nacional. Qual a importância do cooperativismo nesse crescimento? Como o senhor enxerga o movimento no país hoje? 

Em dezembro de 2021, a Unimed completa 54 anos de história, com presença em 86% do território nacional e com vários reconhecimentos, como operadora de saúde Top of Mind por 28 vezes consecutivas, marca de alto renome pelo INPI, e nossas cooperativas individualmente em rankings importantes do mercado, como o Great Place to Work, entre outros. Essas conquistas, somadas à liderança no mercado de saúde privada no Brasil, são o resultado do nosso modelo cooperativista.  

Em uma entrevista para a Financial Times no ano passado, o professor e escritor israelense Yuval Harari reforçou o papel da cooperação ao afirmar que ela é o verdadeiro antídoto contra a pandemia. Na Unimed já fazemos isso há mais de cinco décadas e entendemos que esse modelo deve prevalecer no mundo pós-pandemia, a partir de uma economia colaborativa para viabilizar a sustentabilidade dos sistemas de saúde, como a oferta de serviços compartilhados entre a saúde privada e a pública, e garantir melhor qualidade de vida para as pessoas.  

MundoCoop: Quais as suas perspectivas em relação à saúde suplementar no Brasil? O que esperar do futuro do setor no país? 

A saúde suplementar no Brasil apresenta diversos pontos de atenção, como regulamentação, por exemplo. Há debates recentes sobre a revisão do marco regulatório da saúde suplementar para ampliar o acesso aos serviços de saúde, as demandas da categoria médica pela valorização e qualificação do seu trabalho, a atualização da Lei do Cooperativismo referente ao adequado tratamento tributário das sociedades cooperativas e as soluções político-institucionais que estimulem as ações de saúde compartilhadas entre os setores público e privado. 

Há também outros aspectos sensíveis do setor, como judicialização, incorporação de novas tecnologias na saúde e a prática da telemedicina. Independentemente do tema em questão, acredito que a saída esteja no diálogo entre os players e na articulação organizada e estratégica entre as esferas pública e privada, contemplando parcerias entre elas.

Na Unimed, temos um papel atuante neste debate e, em mais de cinco décadas de existência, sempre nos colocamos à disposição para construir esses caminhos e colaborar para o desenvolvimento de um sistema de saúde integrado e plural que possa acolher todas as pessoas. Temos colocado em ação o nosso princípio cooperativista de Interesse pela Comunidade ao promover parcerias com os poderes públicos em várias cidades, promovendo doações de equipamentos de proteção e iniciativas de combate à fome. Esses são alguns exemplos que demonstram nosso histórico e compromisso com este debate junto às partes que também visam ao fortalecimento do setor de forma sustentável e com capacidade de continuar oferecendo atendimento e saúde.  

Devemos nos apoiar para garantir mais eficiência na gestão dos recursos de saúde e promover o tratamento igualitário dos direitos e deveres de todos os agentes da cadeia assistencial, como clientes, médicos, fornecedores, hospitais, laboratórios, operadoras de planos de saúde, SUS e diversos outros.  


Por Redação MundoCoop


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