O protagonismo jovem no cooperativismo

Publicado em: 17 setembro - 2020

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Em um mundo cada vez mais globalizado, o protagonismo jovem vem se destacando como uma estratégia de mercado nesse novo ciclo que está surgindo. E o cooperativismo, que se revela uma peça fundamental no fortalecimento dessa inserção, vem quebrando barreiras para se reinventar e fazer com que a inclusão dos jovens nas cooperativas se torne uma realidade efetiva.

Mesmo com os crescentes desafios, entender o papel da nova geração é de suma importância para estabelecer um futuro promissor e essa representatividade se da desde o papel das Cooperativas Escolares e no movimento da educação na promoção dessa inclusão.

Para entender mais sobre a juventude cooperativista e o movimento das coops escolares, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com a Assessora de Formação Cooperativista do Sescoop-RS, Fundadora Presidente da Coeducars (Cooperativas de Profissionais de Educação) e desenvolvedora do Programa Cooperativas Escolares, Ubiracy Barbosa Ávila!

Confira!

MundoCoop: O ano de 2020 fez com que o mercado enxergasse com outros olhos algumas estratégias que já eram apresentadas como uma solução, mas ainda eram pouco disseminadas como, por exemplo, a inserção mais próxima dos jovens no cooperativismo. Para você, qual é o papel da geração Z nesse novo ciclo mercadológico? – E um dos grandes desafios trazidos pela pandemia Covid-19 é a necessidade de se reinventar diariamente e se adaptar às mudanças. Como você enxerga o papel das Cooperativas Escolares nesse processo de aprendizagem em meio á inovação?

Para enfrentarmos os desafios de 2020 inesperados e impostos pela pandemia do Coronavírus buscamos construir alternativas baseadas nas experiências já vivenciadas pelos jovens das Cooperativas Escolares. Através de suas práticas pedagógicas, garantindo a possibilidade desses jovens de diferentes regiões e realidades do RS, darem continuidade de forma sustentável através de eventos como lives, Assembleias das Cooperativas Escolares, seminários, desafios coopes, e outras tantas atividades construídas não só para a manutenção, mas fortalecimento e constituição de novas cooperativas escolares através de parcerias, apoiadores e professores orientadores do Programa de Cooperativas Escolares.

A superação do momento se deu, por justamente esses jovens fazerem parte da geração Z, que dominam o contexto tecnológico sendo uma característica muito presente dessa geração de forma geral, os jovens antecipam e simplificam muita coisa, sendo essa característica um ponto extremamente importante para o Cooperativismo, além de dialogarem, agregarem, são empáticos além de valorizarem a transparência e vestem a camiseta da organização entre outras tantas características. De forma abrangente e democrática os jovens cooperativistas são os protagonistas desde a constituição, registro e consolidação da Cooperativa Escolar com acompanhamento de professores e amparadas pela Legislação – Resolução nº11/74(CNC)- que disciplina a organização e o funcionamento das cooperativas escolares, sendo livre o ingresso de alunos do ensino fundamental e médio, de acordo com a lei que rege as cooperativas nº 5764/71, artigos 19 e 107. Os resultados desse laboratório de aprendizagem do cooperativismo apresenta os seguintes indicadores das Cooperativas Escolares no RS:

4.469 alunos envolvidos 149 cooperativas escolares 75 municípios Fontes: MARINICOOP – OCERGS -2019

MundoCoop: O protagonismo jovem pode ser uma solução estratégica para lidar com as novas tendências e desafios que o futuro guarda para as cooperativas? Como trabalhar para tirar essa ideia do papel ?

A atual estrutura econômica e suas influências na sociedade, frequentemente ocupando o centro das discussões dos meios jurídicos e administrativos, quase sempre voltada para análise de alternativas de organizações que permitam a inserção de valores econômicos e sociais para o fortalecimento da sociedade. Neste contexto, onde o cooperativismo surge como instrumento chave desde fortalecimento, como doutrina que visa corrigir o social por meio do econômico, é necessário que as cooperativas atuem de maneira eficiente.

Cooperar é trabalhar de forma sistêmica em busca do mesmo objetivo e sua prática educa e desenvolve nos jovens o senso de participação, de solidariedade, de bem comum, de sustentabilidade e empreendedorismo. O pensamento e o agir cooperativista são diferenciados. E quando esse aprendizado tem início na escola, através de práticas pedagógicas, exercendo o quinto princípio do cooperativismo: educação, formação e informação, assim mais do que exercer o princípio cooperativista, os jovens são a ponte entre a família e a sociedade, formadores de opinião, levarão aos seus lares a importância do cooperativismo e seus benefícios para uma sociedade mais digna e igualitária. Motivando novas lideranças autênticas nas comunidades e estimulando através de exemplos a outros jovens aderirem ao movimento.

MundoCoop: Como os jovens, cada vez mais inclusos nessa era digital, podem ser ensinados a manter a relação com a comunidade que é a base do movimento cooperativista?

Essa é uma pergunta instigante, pois embora observa-se uma sensível adesão ao uso das tecnologias, não significa que está ocorrendo uma inclusão digital ampla e generalizada devido às condições econômicas e culturais da sociedade brasileira, que ainda não consegue integrar uma imensidão de jovens e crianças no mundo digital. O que temos, portanto, é o descobrimento dessa realidade a partir da possiblidade de uso das tecnologias digitais. Os jovens e crianças que conseguem acessar as tecnologias estão aproveitando a oportunidade para pesquisar mais e desenvolver comportamentos colaborativos entre diferentes comunidades e grupos de interesses. Um exemplo disso são campanhas virtuais de apoio aos hospitais e casas que abrigam pessoas da melhor idade. Em diferentes regiões do Brasil temos visto ações nesse sentido. Há outras inciativas que reúnem jovens na organização de plataformas digitais para aproximar o consumidor de produtos hortifrutigranjeiros, por exemplo. Há outras ainda, que contribuem para mostrar ao consumidor o que é produzido na região por empresas locais, produtores rurais ou cooperativas. Essas inciativas, sem dúvidas, contribuem para o fomento de uma sociedade voltada para o desenvolvimento local e regional, sem desapreço dos produtos e serviços oriundos de outras partes do planeta. É um sinal claro de que é preciso valorizar pequenas inciativas e a economia local que gera empregos e desenvolvimento econômico e social.

MundoCoop: Como a educação cooperativista impacta a vida profissional e pessoal das pessoas? Qual a importância de iniciar esse aprendizado desce cedo na vida dos jovens?

A educação cooperativista impacta a vida profissional e pessoal das pessoas na medida que ela proporciona maior lucidez do mundo que o cerca, transcendendo a um nível de clareza e de responsabilidades esperados nas relações interpessoais, de altruísmo e de comprometimento com a comunidade. Nesse sentido, esse impacto pode ser notado, pelo comportamento humano através de seu conteúdo ético e estético. Ético, no sentido dos valores e da moral vivenciados e tomados para si como balizas do convívio comunitário e nas relações de trabalho e empreendimentos sociais e econômicos. Já o conteúdo estético, além da simples aparência, inclui o tato, o olfato e a visão do mundo sensível e as entrelinhas do modelo econômico e social que vivemos. Nesse caso, a simplicidade ou a arrogância podem constituir-se expressões da estética do mundo que vivemos e indicadores do passado, presente e futuro. O homem só é o que é numa relação, que podemos chamar de relação cooperativa. Quanto mais cooperante, mais solidário ele é. Quanto mais individualista, menos altruísta e comunitário. Por isso, a importância de uma educação cooperativa desde a infância. Através delas os valores éticos e estéticos, que irrigam a condição humana, sustentam as ações voltadas para a cooperação e a solidariedade.

MundoCoop: Como o movimento da Educação 4.0 influência o método de ensino cooperativista?

“Os analfabetos do século 21 não serão aqueles que não sabem ler e escrever, mas aqueles que não conseguirão aprender, desaprender e reaprender”( Alvin Toffler)No entanto, em um universo onde a única constante é a mudança, ela não poderia ser mais atual.

A Educação 1.0 priorizava um modelo tradicional individualizado, a 2.0 trouxe moldes replicáveis em sala de aula e a 3.0 começou a incorporar tecnologia e a ressaltar o protagonismo do aluno. A Educação 4.0, facilita o aprender, desaprender e reaprender.

Educação 4.0 é um fenômeno que foca não apenas em o que é ensinado, mas na maneira como é ensinado. O modelo é baseado em solucionar problemas, em especial os problemas do futuro e responde às necessidades da chamada 4ª Revolução Industrial — a Revolução Digital. Por sinal, é da Indústria 4.0 que surge o nome. Fruto dela é o alinhamento entre humano e máquina e novas possibilidades de inovação. Logo, criatividade, empatia e empreendedorismo são habilidades fundamentais a serem desenvolvidas nessa nova ordem.

Por isso, um dos principais conceitos da Educação 4.0 é o learning by doing (aprender fazendo), que tem a experimentação como base para a absorção de conhecimento e desenvolvimento de competências, exatamente como acontece com o aprendizado nas cooperativas Escolares, laboratórios de aprendizagem do Cooperativismo, através de práticas pedagógicas.

MundoCoop: As cooperativas escolares, bem como a sucessão e o jovem no mercado de trabalho, são temas que estão em ascensão. Exemplo disso foi o sucesso do 3˚ Encontro Nacional das Cooperativas Escolares! Qual é o futuro do jovem dentro do cooperativismo?

O 3ºEncontro Nacional de Cooperativas Escolares reafirma o sucesso das edições anteriores, nesse ano, devido ao atual contexto de pandemia, o evento foi realizado totalmente online, pela Plataforma Microsoft Teams, todos tiveram a oportunidade de em seus lares, participarem, destinado a jovens, com o objetivo de compartilhar boas práticas de cooperativas escolares e realizar conexões entre os jovens que fazem parte desse movimento, que está crescendo cada vez mais no Estado do Rio Grande do Sul e em outras regiões do país. Os 300 participantes representaram os estados do Tocantins, Alagoas, Piauí, Espírito Santo, Mato Grosso, Distrito Federal, Paraná, Bahia, Rio Grande do Sul e os países Paraguai, Argentina, Uruguai e Brasil. lideranças para um mundo melhor e mais cooperativista.
O propósitos das cooperativas escolares como campo de experimentação e de aprendizagem, 2020 seja de fato, um marco para que o cooperativismo escolar seja cada vez maior em nosso país que tanto precisa de novas lideranças a ampliação do conhecimento e vivências no cooperativismo.
A crise de afastamento nos trouxe um grande desafio: como nosso trabalho de protagonismo jovem pode efetivamente auxiliar nesses momentos difíceis e como podemos atuar para que a relação entre comunidades juntos construir uma nova realidade.

O Sistema Ocergs Sescoop/RS acredita que esta forma de atuação resultará em um cooperativismo mais consciente. Através do programa de desenvolvimento das cooperativas escolares, é possível preparar estes jovens para superarem seus próprios desafios, além daqueles que o cooperativismo lhes reserva. ”Não pode haver cooperação sem cooperadores, e os cooperadores, diferentemente dos poetas, não nascem, se fazem” (Watkins, In: Schneider,2003, p25)


Por Jady Mathias Peroni – Redação MundoCoop



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