Os caminhos para o empreendedorismo pós-crise

Publicado em: 25 abril - 2022

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Desafio. Talvez não haja outra palavra que descreva melhor o sentimento que permeou os últimos dois anos. No contexto da pandemia, diversas barreiras surgiram. Porém, aos poucos elas foram superadas, e hoje vivemos um momento de retomada onde novas soluções criadas para problemas específicos, vieram para ficar. 

Neste contexto, os empreendedores foram um dos mais afetados, principalmente pelas medidas de restrição que fecharam o comércio físico por um longo (e necessário) período. 

Agora, aqueles que conseguiram driblar a crise, saem rumo à mundo transformado. Como se colocar diante da nova dinâmica do mercado? 

Para enterdermos melhor o cenário do empreendedorismo brasileiro neste mundo pós-Covid, a MundoCoop conversou com a Consultora e Palestrante especialista em Empreendedorismo, Liderança e Inovação na Posiciona Educação & Desenvolvimento, Ana Maria Magni Coelho. 

Confira a entrevista na íntegra! 

MundoCoop: No último ano enfrentamos uma das maiores crises da história recentes. Como o mercado empreendedor respondeu aos desafios criados pela pandemia? 

As transações comerciais mudaram muito nesse período, levando diversos negócios à falência e outros milhares de empreendimentos a se reinventarem para seguirem sobrevivendo. Uma pesquisa do Sebrae sobre os impactos da pandemia nos pequenos negócios mostrou que 31% das empresas mudaram seu funcionamento e precisaram se adaptar para manter a saúde financeira. As principais mudanças foram relacionadas à entrega, horário de funcionamento e, claro, trabalho remoto. Entretanto, alguns setores da economia experimentaram crescimento desde o início da crise, o delivery e a logística foram setores que passaram por um impulso, aprendizagem remota, suprimentos e cuidados médicos e os e-commerces e market places.  

MundoCoop: Como empreender em meio à crise? Que lições puderam ser aprendidas no contexto da pandemia? 

Toda crise pode trazer um oportunidade disfarçada. O economista Joseph Schumpeter dá para esse fenômeno o nome de “destruição criativa”. Em resumo, durante períodos de crise, modelos inovadores que atendem novas demandas e necessidades assumem o mercado de empresas ultrapassadas e ineficientes. 

Para entrar nessa num período turbulento, eu daria 5 dicas: 

Surfar uma onda é mais fácil que criar uma – então, olhe para as tendências e para o mercado; 

Faça um bom planejamento – não significa ter um plano de negócios de 50 páginas, mas sim conhecer o mercado, seus produtos ou serviços, os potenciais clientes, os canais, as estratégias de aproximação, suas fontes de receita e os possíveis custos fixos e variáveis; 

Tenha apetite de crescimento – hoje em dia não dá ficar parado esperando o negócio acontecer, ter uma mentalidade de crescimento é focar em vendas e ganho de escala.  

Cuide das pessoas – Se as vendas são importantes para fazer o negócio decolar, pessoas e cultura são fundamentais para manter o motor rodando por muito tempo. 

Valorize as relações – seja com o cliente interno ou com o cliente externo.  

Encontre o propósito – isso não é só um termo da modo. Se alguém pensar em empreender para trabalhar menos ou buscar ter um negócio somente pelo dinheiro, na primeira grande dificuldade a vontade de desistir será maior do que a de permanecer. 

MundoCoop: Estamos em um momento de retomada. Com qual mercado o empreendedor está se deparando neste mundo pós-pandemia? 

Encontramos um mercado onde cada vez é mais difícil manter um diferencial competitivo que não seja por meio da humanização, um mercado mais competitivo, com maiores exigências de customização e mais omnichannel. O cliente está mais consciente, mais impaciente, mais informado e por consequência, mais exigente.  

MundoCoop: Como os pequenos negócios podem se reinserir de forma competitiva neste novo mercado? Quais pontos devem ser levados em conta neste momento? 

As empresas têm que se preparar para um mundo com mais conversas. Hoje o cliente está em vários canais e espera que as marcas também estejam. E não basta estar disponível, as marcas têm que estar dispostas a colocar a experiência do cliente em destaque e dar ênfase a processos ágeis, sejam de desenvolvimento de soluções, de respostas ou simplesmente de gestão das equipes e processos.  

MundoCoop: Com a volta do trabalho presencial e adoção do trabalho híbrido e/ou remoto de forma definitiva em algumas empresas, novas soluções para o nosso dia a dia estão sendo criadas. De que forma esse momento pode representar oportunidades para os empreendedores? 

Acredito que a melhor forma do empreendedor aproveitar as oportunidades é escolher que ondas está pronto para surfar. Não adianta só querer; é preciso entender o segmento em que vai empreender compreendendo o contexto que ele integra. Um bom planejamento e pesquisa de mercado — concorrência, fornecedores, público-alvo — é o meio mais eficaz para identificar as oportunidades do segmento escolhido. 

MundoCoop: Como os micro e pequeno empreendedores podem se preparar para o futuro? De que forma os pequenos negócios podem se preparar para possíveis novas crises? 

Com tantas tensões e instabilidades causadas pela crise, a preocupação com a saúde e o bem-estar da comunidade ganham destaque. As competências humanas serão cada vez mais valorizadas, pois são essas as questões que nenhuma máquina poderá substituir. Então, atendimento, relevância e reputação serão exigências cada vez mais rígidas no mercado pós-pandemia. Além das competências técnicas (hard skills) e das competências comportamentais (soft skills), existem, também, algumas competências humanas necessárias para a nova era. Competências que para empreender podem fazer toda a diferença, como pensamento crítico, resolução de problemas, criatividade, análise (e uso) de dados e gestão remota das equipes.  

MundoCoop: De que forma o mercado empreendedor se desenvolverá nos próximos meses? Como será o perfil do empreendedor pós-crise? 

Algumas qualidades são altamente desejáveis para quem tem interesse em empreender. Criar o próprio negócio, exige percorrer um caminho de muito trabalho e muita persistência, até conseguir os primeiros sinais de sucesso. Então, não vejo um perfil diferenciado no pós-crise. Afinal, o que levaria um empreendedor dar menos do que a totalidade de sua dedicação e capacidade ao seu próprio negócio?  Seja na crise ou longe dela. 


Por Leonardo César – Redação MundoCoop


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