Superação na Cotrijal: o cooperativismo que impulsiona resultados

Publicado em: 07 abril - 2021

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O ano de 2020, com toda certeza, entra na lista dos mais desafiadores para a humanidade. Porém, quando o assunto é cooperativismo, podemos usar a palavra “resiliência” como exemplo de superação durante as adversidades.

Para a Cotrijal Cooperativa Agroindustrial, a reinvenção para driblar os desafios da pandemia veio através da diversificação dos negócios, com investimentos em gestão e inovação que resultaram no melhor faturamento em 63 anos de existência. No balanço financeiro de 2020, o ganho foi de R$ 2,4 bilhões, o que apresenta um crescimento de 5% em relação ao ano anterior.

Amenizando o cancelamento da Expodireto 2021, uma das seis grandes feiras agropecuárias do Brasil, os números animadores marcaram uma nova fase da cooperativa que apresentou uma renovação da marca com novos direcionamentos e oportunidades de negócio.

Para entender como esses resultados foram alcançados, a MundoCoop conversou, com exclusividade, com o Vice-presidente da Cotrijal, Enio Schroeder, que elencou o caminho percorrido pela cooperativa para alcançar esse desfecho promissor, a influência do movimento cooperativista nessa conquista e as principais visões de futuro para o ano de 2021.

Leia a entrevista na íntegra!

Quais os principais fatores que fazem com que a Cotrijal continue prosperando e atingindo recordes de faturamento? Como garantir o sucesso em meio a um momento de crises e incertezas?

A Cotrijal encerrou 2020 com R$ 2,4 bilhões de faturamento, um recorde histórico nos 63 anos da cooperativa. Tivemos crescimento de 5% em relação ao ano anterior. As sobras à disposição cresceram 53% na comparação com o ano anterior, chegando a R$ 21,4 milhões. Aprovamos por unanimidade a distribuição integral das sobras aos 8 mil associados. Os valores estão sendo repassados proporcionalmente e distribuídos em espécie aos cooperados. Isso representa um alento ao produtor rural depois da forte quebra de safra de 2020 e uma injeção na economia da região, que sentiu o cancelamento da Expodireto, tudo isso em meio a um cenário de incertezas com essa pandemia global. Assim o produtor pode usar os valores para investimentos na propriedade, na lavoura, ou mesmo para outras áreas, como a saúde.

A Cotrijal, ao longo dos anos, vem crescendo e se desenvolvendo graças à participação decisiva do quadro social. Por manter o olhar fixo nas necessidades do associado, razão de existência da cooperativa. Temos centrado esforços em levar ao produtor as melhores soluções, para que ele cresça em produtividade e em rentabilidade. Afinal, se o associado cresce, a cooperativa também cresce. E o associado sabe reconhecer isso de uma forma muito fiel e efetiva.

Vamos continuar também mantendo o olhar apurado sobre novas oportunidades, novos negócios, sempre com racionalidade econômica, para preservar a solidez da cooperativa.

Qual a importância do cooperativismo nesses recentes resultados?

O cooperativismo foi e continua sendo um instrumento valioso para organizar os produtores rurais diante dos desafios econômico-comerciais que o mundo impõe. Ele permite a um conjunto de pessoas e suas famílias, numa determinada região, obterem competitividade, tecnologia, poder de barganha e acesso a informações privilegiadas que, isoladamente não conseguiriam. Nesse sentido, no último ano, o sistema ganhou ainda mais força.

Apesar da pandemia, continuamos trabalhando, dando aos produtores condições para seguirem com suas atividades, produzindo o alimento que chega às mesas dos consumidores. Com a expressiva quebra na safra de verão 2019/20, a Cotrijal buscou formas de amparar seus produtores, dando condições para que possam ter tranquilidade de pagar nos próximos anos o passivo que ficou e continuar produzindo. Isso só foi possível pela solidez e pela credibilidade que a Cotrijal construiu ao longo de sua história.

O cooperativismo foi e continua sendo um instrumento valioso para organizar os produtores rurais diante dos desafios econômico-comerciais que o mundo impõe

Quais são os principais desafios a serem enfrentados pelo agronegócio brasileiro atualmente? Como é o cenário das cooperativas no setor?

Acredito que os principais desafios dizem respeito às políticas públicas para garantir segurança econômica no campo. O agronegócio tem sustentado o PIB brasileiro nos últimos anos, apesar de não receber os mesmos incentivos que o setor tem em outros países. Temos produtores e profissionais qualificados, que possibilitam esses resultados.

As cooperativas têm feito papel muito importante, dentro da porteira, e também na busca por soluções e defesa dos interesses do produtor. Nos últimos 20 anos, o cooperativismo deu um salto qualitativo, estruturando-se para enfrentar os novos tempos comerciais e econômicos. Por isso, se manteve mais atual que nunca. Na Cotrijal buscamos dar atenção integral ao nosso associado. Nos preocupamos com o econômico, mas sem esquecer do social, nossa principal razão de existir. Testamos soluções, levamos negócios, sugerimos investimentos, filtramos informações e a decisão fica na mão do produtor rural. Hoje temos muitas opções no mercado, os avanços acontecem muito rápido, em todas as áreas, se o produtor não tiver uma estrutura maior por trás, para dar esse suporte, pode perder oportunidades e rentabilidade.

Um dos instrumentos que nos ajudaram a manter nossas bases fortalecidas em meio à pandemia e, especialmente, em relação às quebras de safra pelas quais passamos, foi o seguro rural. Da última safra de inverno [2020] e de verão [2020/21], 85% de todo recurso ao produtor foi segurado, refletindo um trabalho que começou há cinco anos, praticamente do zero. O seguro permite que, com a frustração da safra, o produtor não fique com o passivo e possa continuar produzindo.

Na produção leiteira, temos como ótimo exemplo a união das cooperativas, através do Grupo CCGL, para industrialização de leite. Só entre os associados da Cotrijal, o valor distribuído em sobras de balanço, referente ao leite comercializado em 2020, chegou a mais de R$ 846 mil.

Recentemente, a Cotrijal apresentou sua nova marca. Qual o objetivo dessa nova etapa da cooperativa? Por que é necessário se reinventar?

Apresentamos nossa nova marca na live Renova Cotrijal, que reuniu presencialmente diretoria, conselheiros e poucos convidados, respeitando os protocolos sanitários. Online, milhares de associados, clientes e colaboradores acompanharam o evento, reforçando características como o cooperativismo e a unidade dentro da nossa cooperativa.

A nova marca representa o olhar atento da cooperativa para o futuro e para o seu produtor. A renovação marca uma nova fase da cooperativa, com investimentos em gestão, comunicação, inovação e diversificação dos negócios. Os bons resultados de 2020, com recorde de faturamento, contribuem para isso. Celebramos este momento importante, de renovação, construído com muito suor e determinação, por produtores, associados e colaboradores, que participaram da missão de construir a Cotrijal, que tanto e tão bem faz para as famílias cooperativadas.

Quais os objetivos da Cotrijal para 2021? Qual é a perspectiva para o cooperativismo, principalmente agro, esse ano?

A Cotrijal segue atenta ao mercado e às oportunidades de crescer e expandir negócios. As decisões são sempre tomadas visando garantir a solidez da cooperativa e do quadro social como um todo. Por isso, seguimos atentos ao associado, seus anseios, suas preocupações e seus interesses, já que ele é o dono da cooperativa.

Hoje em dia, a sucessão familiar tem trazido uma juventude ávida por tecnologia, inovação e sustentabilidade. Atender esse público é um dos grandes desafios, para seguir sendo uma cooperativa efetivamente do produtor. Para melhorar processos e comunicação com o produtor, estamos investindo forte em inovação. A nova identidade visual da nossa marca é um sinal para o mercado de que nos renovamos, mantendo a tradição e solidez da nossa cooperativa.

O agro deve continuar crescendo em 2021, 2022 e assim por diante. E vem ganhando respeito e reconhecimento que lhe são devidos. Esse crescimento tem nas cooperativas uma base forte. Em anos de crise, o cooperativismo se fortalece, porque sabe enfrentar as dificuldades e encontrar soluções para manter o máximo de produtores nas suas atividades, gerando riqueza e emprego e colaborando para o desenvolvimento econômico e social como um todo.


Por Redação MundoCoop


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