Agenda merece atenção, alerta consultor

Publicado em: 08 março - 2017

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Os próximos dias têm agenda muito intensa, tanto no Brasil quanto no exterior, exigindo atenção dos gestores.

“No Brasil, o destaque, após a divulgação do PIB de 2016 em 7 de março, que mostra recuo de 0,9% no último trimestre de 2016 em relação ao trimestre anterior e confirma uma redução da atividade econômica da ordem de 7,2% em 2015 e 2016, fica com o anúncio do IPCA de fevereiro, programado para 10 de março. No exterior, dois eventos merecem atenção: a reunião de política monetária do Banco Central Europeu – BCE, a ser realizada em 09 de março; o anúncio dos dados de emprego nos Estados Unidos, programado para 10 de março; e a reunião do Comitê de política monetária dos Estados Unidos, agendada para 15 de março”, resume José de Faria Júnior, diretor de Operações da consultoria Wagner Investimentos.

 

Analisando os impactos nos juros e no dólar, Faria Júnior lista os itens da pauta que devem merecer atenção:

  1. PIB – como os dados do PIB indicam que a recessão de 2016 foi forte, o dado corrobora a tese de que o Copom corte a Selic de 12,25% para 11,25% na reunião de abril;
  2. Inflação – o IPCA de fevereiro deverá sinalizar que a inflação está sendo domada e, por isto, também deverá corroborar com a tese de corte dos juros em 1 ponto percentual na próxima reunião monetária no Brasil;
  3. Reunião monetária da zona do euro – a princípio, não deverá ter um impacto maior no câmbio, porém deveremos começar a notar uma mudança na postura do BCE porque os dados da região mostram crescimento maior e a inflação devido o aumento mais forte das commodities, está perto do objetivo de 2% ao ano;
  4.  Dado de emprego dos Estados Unidos – quanto mais forte, maior o impacto no dólar, favorecendo a sua alta. Este evento merece toda a atenção. Vale lembrar que devemos observar o número de vagas criadas, a taxa de desemprego, a alta dos salários e a taxa de participação da população no mercado de trabalho, ou seja, é um evento complexo;
  5. Reunião do FOMC – Comitê de Política Monetária do Federal Reserve – mercado reverteu de forma muito rápida a aposta que os juros nos EUA iriam subir somente em junho e, agora, a aposta única é de alta em março. A surpresa poderá ficar por conta das projeções do Federal Reserve. Em outras palavras, se o BC dos EUA elevar as suas projeções para a economia, emprego e inflação e também a sua projeção sobre a taxa de juros, o dólar poderá subir em direção a região de R$3,20 isto porque o mercado espera no máximo 3 aumentos de juros este ano nos Estados Unidos e não está preparado para 4 aumentos de juros neste ano.

 

Acrescenta na relação dois outros eventos internos que impactarão no dólar: a aprovação do projeto da nova repatriação de recursos, que tem potencial de regularização de até US 30 bilhões, pois “a medida tem potencial de derrubar o dólar”, e a decisão do Banco Central sobre o que fará com os US 9,7 bilhões em swaps cambiais que vencem no dia 03 de abril. De acordo com o consultor, “quanto maior a rolagem destes swaps, mais fraco será o dólar”.

Frente à pauta, Faria Júnior acredita que “o pior do dólar pode ter ficado para trás (R$3,17 na semana passada). Para o BC, dólar baixo e perto de R$3,00 é muito importante para a sua estratégia de corte agressivo da taxa Selic. Desta forma, esperamos que o dólar/real siga abaixo da região de R$3,20 e com risco de ser negociado abaixo de R$3,00. A princípio, os maiores riscos para um cenário mais benigno para o dólar no Brasil estão associados a riscos políticos: reforma da Previdência, Lava Jato e processo de cassação da chapa Dilma/Temer no TSE”, resume.



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