Brasil bate recorde na balança comercial de 2016

Publicado em: 05 janeiro - 2017

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O Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), no primeiro dia útil de 2017, divulgou o resultado da balança comercial brasileira em 2016, que obteve o melhor resultado da história, com exportações de US$ 185,244 bilhões e importações de US$ 137,552, o superávit foi de US$ 47,692 bilhões. Até então, o maior saldo comercial registrado foi em 2006, quando alcançou US$ 46,5 bilhões.

No ano, as exportações apresentaram média diária de US$ 738 milhões, valor que foi 3,5% menor que o registrado em 2015 (US$ 764,5 milhões). No período, houve crescimento de produtos semimanufaturados (5,2%) e manufaturados (1,2%). Enquanto caíram as vendas externas de básicos (-9,6%).

O secretário de Comércio Exterior do MDIC, Abrão Neto, explicou a importância das exportações para o resultado desses números. “O superávit é resultado de um desempenho melhor das exportações em comparação com as importações. Apesar de uma queda no valor total das exportações em 3,5%, houve aumento das exportações de produtos industrializados e também das quantidades exportadas pelo Brasil, atingindo um patamar recorde”, afirmou e explicou: “em 2016, tivemos volume recorde de exportações em vários produtos importantes como carne de frango, celulose, suco de laranja. Esses volumes recordes ajudaram no desempenho positivo”.

No grupo de produtos industrializados, que engloba os semimanufaturados e os manufaturados, os principais destaques foram açúcar em bruto (39,8%), ouro em forma semimanufaturada (31,1%) e madeira serrada (17,4%), plataformas de petróleo (86,9%), automóveis de passageiros (38,2%), veículos de carga (27,1%), açúcar refinado (23,2%), suco de laranja não congelado (9,5%), aviões (6%), tubos flexíveis de ferro e aço (4,3%), máquinas para terraplanagem (3,9%), calçados (3,5%), polímeros plásticos (3,3%) e pneus (3,1%).

Com relação à exportação de produtos básicos, os produtos que mais impactaram o desempenho do grupo foram: milho em grão (-26,3%), petróleo em bruto (-14,8%), café em grão (-13,2%), farelo de soja (-11,1%), soja em grão (-8,2%), carne bovina (-7,2%) e algodão em bruto (-6,2%).

Por mercados, decresceram as vendas para os principais destinos. Abrão Neto, no entanto, destacou o desempenho positivo das vendas de produtos manufaturados para mercados como Estados Unidos e União Europeia. Os principais países de destino das exportações, no ano, foram: China (US$ 37,4 bilhões), Estados Unidos (US$ 23,2 bilhões), Argentina (US$ 13,4 bilhões), Países Baixos (US$ 10,3 bilhões) e Alemanha (US$ 4,9 bilhões).

Na avaliação de Abrão, a previsão é que haja crescimento das exportações em 2017. “Olhando para 2017, com expectativa de aumento das exportações e importações, e de novo com superávit, nós teremos um cenário melhor que o registrado no ano passado”, disse.

Do lado das importações, o desempenho foi 20,1% abaixo do verificado em 2015. Entretanto, a Secretaria de Comércio Exterior percebeu que ao longo do ano houve uma queda progressiva na redução dos índices de importação. Avaliando-se a performance por trimestres, observa-se o seguinte: -33,4% no primeiro trimestre, -23,9% no segundo e -13,2% e -6,1% nos trimestres subsequentes.

Por categoria, houve queda nas compras externas de combustíveis e lubrificantes (-43,1%), bens de capital (-21,5%), bens de consumo (-19,3%) e bens intermediários (-14,9%).

Para o ano de 2017, a expectativa do secretário Abrão Neto é que haja crescimento de exportações e importações, o que não ocorre desde 2011 e 2013, respectivamente. “A retomada do crescimento econômico deve elevar nossa demanda por produtos importados”. No ano, as principais origens das importações foram: China (US$ 23,83 bilhões), Estados Unidos (US$ 23,80 bilhões), Alemanha (US$ 9,13 bilhões), Argentina (US$ 9,08 bilhões) e Coreia do Sul (US$ 5,4 bilhões).

Conta petróleo

Pela primeira vez na história, o Brasil fechou um ano com um superávit na conta petróleo. O resultado positivo de US$ 410 milhões, na avaliação do secretário Abrão Neto, foi conjuntural e consequência de redução dos preços internacionais da commodity, “que afetam mais as operações de importação que as de exportação, uma vez que o Brasil é historicamente um importador líquido de petróleo e derivados”. Ele também ressaltou a menor demanda da economia brasileira pelo produto, em função do arrefecimento da atividade econômica. Do lado das exportações, Abrão Neto destacou o valor recorde dos embarques brasileiros.

Para o secretário, o resultado positivo do saldo da conta petróleo não é estrutural e, “a depender do comportamento da economia brasileira e dos preços internacionais da commodity”, em 2017, a conta pode voltar a ficar deficitária. De acordo com dados da Secex, desde 1997 quando foi iniciada a série histórica para esse tipo de produto, em média, o déficit anual fica em torno de US$ 5 bilhões. As exceções, segundo Abrão, foram os anos de 2013,2014 e agora 2016.

Os dados completos da Balança Comercial de 2016 podem ser acessados aqui.