Cidades pequenas lideram geração de empregos no Paraná

Publicado em: 15 agosto - 2016

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jobs_2A cidade de Capanema, no Sudoeste, foi a campeã de geração de empregos no primeiro semestre no Paraná, com um saldo positivo de 2.519 vagas, de acordo com o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Ministério do Trabalho.

O aumento do emprego na cidade é fruto, principalmente, da construção da hidrelétrica Baixo Iguaçu, que tem participação da Copel. Somente na construção civil foram 2.519 vagas no município no primeiro semestre.

Com 18,5 mil habitantes, é um exemplo de como as cidades pequenas vêm contornando a desaceleração econômica e puxando a geração de empregos no Estado. Um levantamento do Observatório do Trabalho, da Secretaria de Justiça, Trabalho e Direitos Humanos com dados do Caged, mostra que das dez cidades que mais geraram vagas nos primeiros seis meses de 2016 no Paraná, nove tem menos de 65 mil habitantes. Apenas Toledo, que aparece na lista, tem mais de 100 mil habitantes.

Depois de Capanema – que se posicionou em sexto lugar no Brasil na geração de emprego nos primeiros seis meses do ano no Brasil e ficou atrás de Franca (SP), Cristalina (GO), Venâncio Aires (RS), Nova Serrana (MG) e Juazeiro (BA) – o município de Medianeira foi o segundo com maior saldo de 596 vagas, seguido por Toledo (495), Florestópolis, com (467), Marialva (456), Santo Inácio (319), Bocaiúva do Sul (308), Cambará (306), Santa Helena ( 273) e Jaguapitã (272).

Setores como construção civil, frigoríficos e sucroalcooleiro puxaram o emprego nesses municípios. Mas há também geração de vagas na área de saúde, laboratórios, indústria de madeira e de vestuário, segundo informações divulgadas pela Agência de Notícias do Paraná.

O desempenho dos pequenos municípios contrasta com das cidades maiores, que vêm sendo mais afetadas pela crise econômica, principalmente por conta da retração das vendas da indústria. Boa parte do desempenho do Interior vem da agropecuária e do setor de serviços. No acumulado do ano, foram 1.471 vagas geradas pelo setor agropecuário em todo Paraná, atrás apenas do setor de serviços, com 1.831 empregos, de acordo com o Caged.

“O Paraná demorou um pouco mais para começar a sentir os efeitos da crise e tende a sair mais rápido dela porque alguns setores, como a agropecuária e serviços, principalmente, ainda apresentam saldos positivos. Quando os demais setores reagirem, o Estado rapidamente apresentará saldos gerais melhores”, diz Suelen Glinski Rodrigues dos Santos, economista do Observatório do Trabalho.

A usina hidrelétrica de Baixo Iguaçu, que está sendo construída entre Capanema e Capitão Leônidas Marques, é a maior obra em andamento da Copel no Estado. A empresa paranaense tem 30% de participação no consórcio responsável pelo projeto, junto com a Neoenergia, que tem 70%.

Com custo estimado de R$ 1,6 bilhão, Baixo Iguaçu tem capacidade instalada de 350 megawatts (MW) e vai gerar energia suficiente para atender uma cidade com 1 milhão de pessoas. A usina deve ficar pronta em 2018 e a Odebrecht, responsável pela obra, acelerou, no início do ano, o ritmo de contratações.

“Já foram contratadas 2,6 mil pessoas para trabalhar nos canteiros. São trabalhadores de vários municípios da região”, diz Veranice Melo, responsável pela Agência do Trabalhador no município. Agora, o movimento está menor, mas, mesmo assim, há abertura de 50 a 60 novas vagas por mês, de acordo com ela. A agência, em parceria com a construtora, promoveu a capacitação da mão de obra da região para trabalhar na construção. Foram cursos de soldador, pedreiro, armador e carpinteiro. Outros setores, porém, seguem em ritmo forte de contratações.

De acordo com Veranice, o frigorífico Dip Frango (antigo Diplomata), que tem cerca de 900 funcionários, prevê contratar mais 150 pessoas para trabalhar no segundo turno de produção em Capanema. Na área de confecções, a Dryworld, fabricante canadense de roupas esportivas que adquiriu a paranaense Rocamp, tem planos de gerar 500 novos empregos na cidade.