Competitividade: tema transversal em congresso da Anda

Publicado em: 30 agosto - 2016

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Debater o decisivo papel dos fertilizantes no incremento da produtividade do agronegócio brasileiro. Esse foi o objetivo do 6º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, promovido pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda), em 29 de agosto, em São Paulo (SP).

O tema central do evento, “Competitividade”, foi analisado por especialistas de diversas setores relacionados ao agronegócio brasileiro. O evento também serviu de palco para o lançamento da Nutrientes Para a Vida (NPV), uma iniciativa mundial, criada nos Estados Unidos e já implantada em vários outros países, que chega ao Brasil com a missão de esclarecer e informar a sociedade brasileira, com base em estudos científicos, sobre a importância e os benefícios dos fertilizantes na produção e qualidade dos alimentos, bem como sobre sua utilização adequada. Em outras palavras, como frisou Luís Inácio Prochnow – coordenador do Grupo de Trabalho Nutrientes Para a Vida (NPV) e diretor do Programa IPNI no Brasil – informar sem tendência especulativa, mas fundamentado em critérios puramente científicos comprovados.

O NPV estimula e promove a chamada “Gestão 4C dos Nutrientes”, pautada em quatro princípios básicos sobre a correta utilização dos fertilizantes: fonte certa, época certa e local certo, de maneira a assegurar que não haja problemas de desequilíbrio no solo. “Esperamos contar com o engajamento de todos os envolvidos com o agronegócio nesse esforço de levar informação correta sobre os fertilizantes para a sociedade”, destacou Luis Ignácio Prochnow, coordenador do NPV e diretor geral do Programa IPNI – International Plant Nutrition Institute no Brasil, durante o lançamento.

“O objetivo é contribuir para corrigir informações discrepantes, incompletas e não coerentes que resultam em interpretações equivocadas sobre a exata função dos nutrientes para as plantas”, afirmou George Wagner Bonifácio e Sousa, presidente da Anda ao falar sobre o NPV. Informou, ainda, que entre as ações em desenvolvimento está o estabelecimento de parcerias com instituições vinculadas à saúde humana.

O professor José Luiz Tejon, diretor do Núcleo de Estudos de Agronegócio da ESPM, foi outro participante do painel no qual foi feito o lançamento do NPV e enfatizou a importância da comunicação e do marketing na fixação dos benefícios dos fertilizantes entre o público dos grandes centros urbanos. Para o diretor executivo da Anda, David Roquetti, o enfoque principal do NPV é na educação. “Lembro que nos Estados Unidos, o papel e a importância dos fertilizantes e dos nutrientes para a produção de alimentos é ensinada desde os primeiros anos da educação infantil. Nosso objetivo é educar as nossas futuras gerações nesse sentido”, informou.

Abertura e homenagem
Durante a abertura do 6º Congresso Brasileiro de Fertilizantes, o ex-ministro da Agricultura, Alysson Paulinelli fez um desafio aos integrantes do agronegócio: a criação de um sistema de seguro agrícola por meio do qual seja possível medir e ratear os custos e os riscos entre todos os elos da cadeia produtiva do agronegócio. “Entendo que se trata de uma proposta inovadora, mas a agricultura brasileira já deu várias demonstrações de ser criativa e inovadora ao se tornar a única no mundo a possibilitar produção em ambiente tropical”, comentou, informando que os detalhes dessa proposta estão sendo analisados por um grupo de trabalho criado pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi, do qual ele é um dos integrantes. Na avaliação do ex-ministro, a necessidade de recursos para arcar com essa nova forma de seguro é da ordem de R$ 15 bilhões ao ano.

O agrônomo e especialista em políticas públicas André Nassar corrobora com esta ideia proposta por Paulinelli ao evidenciar que não será mais possível manter o nível do crédito rural atual devido a conjuntura econômica vivenciada pelo país, que exige ajustes fiscais e controle de gastos públicos. “Se o crédito influencia diretamente a área plantada, é necessário encontrar uma alternativa para a manutenção do crescimento do setor”, disse em sua palestra Competitividade da Agropecuária Brasileira no Atual Cenário. De acordo com Nassar, é possível proteger todo o custeio da produção do agronegócio brasileiro, com a subvenção de R$ 1 bilhão no seguro agrícola. “É o momento da mudança porque não é possível proteger o custeio e a renda. Assim, precisamos escolher”, enfatizou.

Durante a solenidade de abertura do Congresso, foi destacado também que após a revolução tecnológica vivida pelo agronegócio brasileiro nas últimas décadas, o setor necessita agora de uma revolução na gestão dos negócios agrícolas para dar conta da segunda etapa de transformação do Brasil no maior produtor mundial de alimentos. A avaliação foi feita pelo presidente da Sociedade Rural Brasileira, Gustavo Junqueira. “Nesse sentido, ganha especial destaque o fortalecimento dos elos da cadeia produtiva do setor”, afirmou Junqueira.

No mesmo tom, o presidente da Anda, George Wagner Bonifácio e Sousa, salientou a importância do papel dos fertilizantes para a consolidação do país como grande produtor mundial. “E a escolha do tema do nosso Congresso, que é Competitividade, vai nessa direção. Além disso, estamos lançando aqui a Nutrientes para a Vida, uma iniciativa internacional cujo objetivo é conscientizar toda a sociedade sobre os benefícios dos fertilizantes para a produção e qualidade dos alimentos”, afirmou Sousa.

Na sequência, o presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa Carvalho, chamou a atenção para certa estagnação nos índices de produtividade agrícola no mundo, ressaltando que no Brasil isso não está acontecendo ainda. “Temos de enfatizar que o crescimento econômico do país depende do aumento da produtividade e que o nosso segmento tem sido importante nesse quesito, uma vez que nos últimos 40 anos houve um aumento de 4,4 vezes no produto, 1 vez nos insumos, 5,2 vezes na mão de obra, 4,3 vezes no caso da terra e de 3 a 4 vezes no capital”, informou Carvalho.

Já para o secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim, o agronegócio alcançará novos patamares quando se concretizar a reforma trabalhista.

No final da manhã, o professor, executivo e empresário Wladimir Antônio Puggina, recebeu homenagem feita pelo presidente do Conselho de Administração da Anda.

Gargalos e perspectivas
Na parte da tarde, o congresso teve continuidade com dois painéis: Perspectivas para a agropecuária brasileira para os próximos cinco anos, moderado por Rodolfo Galvani Junior, presidente do Sinprifert e membro do Conselho de Administração da Galvani, com apresentação de Daniel Latorraca Ferreira, superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA); e Crédito Rural: oportunidades, riscos e competitividade no agronegócio, com palestra de Ivan Wedkin, diretor da Wedikin Consultores, e coordenação de Alexandre Figliolino, sócio-diretor da MB Agro Consultoria.

Daniel Latorraca Ferreira apontou entre as tendências a solução dos gargalos logísticos do agronegócio, especialmente do Mato Grosso, com a conclusão das obras rodoviárias, portuárias e também de armazenamento. “Um exemplo disso é que a conclusão da BR-163, ligando Sinop a Miritituba, no Pará, está próxima, faltando apenas 105 km. Isso facilitará muito o escoamento da safra do Centro-Oeste. Neste ano, 29% da safra já foi transportada para o chamado Arco Norte”, informou.

A demanda externa por grãos continuará firme nos próximos cinco anos, garantiu, frisando que a renda rural está em risco, por conta de problemas com seguro e quebras de safra; e surgimento de novos perfis de investidores, com destaque para Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF). Ao fazer projeção sobre a produção de grãos para os próximos cinco anos, previu que, no caso do Brasil, a produção deve subir de 212,3 milhões de toneladas na safra 2016/17, para 236 milhões de toneladas na safra 2020/21. Especificamente sobre a produção do Mato Grosso, a perspectiva “é de que a safra de grãos suba das 55 milhões de toneladas de 2016/17, para 68 milhões de toneladas na safra 2020/21”, comemora.

Os avanços do agronegócio brasileiro nas últimas décadas, performance e peculiaridades da área de crédito rural, com perspectivas até 2020, foi o foco da apresentação de Ivan Wedekin. Com base em dados do Banco Central do Brasil, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), entre outras instituições, expos os números e os valores do crédito agrícola no Brasil.

Elogiando a performance dos agricultores brasileiros, que desde 1975 elevaram em quase 300% em sua produtividade enquanto a dos Estados Unidos avançou cerca de 40%, o consultor encerrou com recomendações para os próximos cinco anos: “Vivemos um período de contrastes e desafios diversos. A curto prazo, os produtores estão alavancados, enfrentando problemas de duvidas, dólar e excesso de investimento. O financiamento rural, por sua vez, exige novas fontes de recursos, e soluções de mercado são necessárias. É importante criar uma rede de suporte e proteção ao agronegócio, e o setor de insumos precisa de um radar para a gestão do risco de crédito”.



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