Cooperativa de catadores retrata cenário de um Brasil que ainda recicla pouco

Publicado em: 16 fevereiro - 2021

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Todo mês, cerca de 100 toneladas de papelão, plástico de diversos tipos, metais variados e vidro, entre outros resíduos, são despachados pela cooperativa para indústrias que reaproveitam esses materiais

Além de contribuir para a preservação do meio ambiente e aliviar a ‘pressão’ sobre o Aterro Sanitário Municipal, a coleta seletiva e a venda de materiais recicláveis auxiliam no sustento de dezenas de famílias de Umuarama. Apenas na Cooperativa dos Trabalhadores na Reciclagem de Resíduos de Umuarama (Cooperuma), 28 famílias tiram o sustento dos materiais recolhidos e processados no barracão da entidade, instalado ao lado do aterro sanitário. São cerca de 70 pessoas que diariamente são beneficiadas por essas atividades.

Todo mês, cerca de 100 toneladas de papelão, plástico de diversos tipos, metais variados e vidro, entre outros resíduos, são despachados pela cooperativa para indústrias que reaproveitam esses materiais e garantem uma renda mensal aproximada de R$ 1.800,00 para cada cooperado. Além disso, um percentual da arrecadação fica em um fundo de reserva da associação. Esta é apenas uma parte do grande volume de resíduos produzidos pela população de Umuarama, já que em muitas casas e empresas a separação dos recicláveis ainda não é uma realidade.

“Cerca de 60% dos materiais que poderiam ser reaproveitados acabam indo para o aterro, misturado com o lixo orgânico ou ‘contaminados’ (separados com restos de comida, que inviabilizam a reciclagem)”, explica a presidente da Cooperuma, Gisele Nascimento Domingues. Há pouco mais de quatro anos no cargo, ela testemunha o despejo diário de muito plástico, vidro e latas em meio ao lixo recolhido diariamente pela coleta de orgânicos do município.

Como o volume dos recicláveis é considerável, a vida útil da célula de recebimento dos resíduos é drasticamente reduzida pela falta de separação correta por parte da população. “A célula usada atualmente, inaugurada no início da gestão do prefeito Celso Pozzobom, deveria durar pelo menos 10 anos. Porém, com quatro anos de uso ela já tem sua capacidade de armazenamento quase toda comprometida. Logo teremos de construir outra célula e, além do alto investimento, o espaço dentro do aterro começa a ficar limitado”, explicou o diretor de Meio Ambiente do município, Matheus Michelan Batista.

Por determinação legal e questões de segurança, os catadores não podem ‘garimpar’ recicláveis dentro da célula de orgânicos e veem muito material valioso sendo compactado e coberto de lixo. Outro problema enfrentado pela entidade, que também reduz o volume de material processado, são catadores que passam antes da coleta seletiva, escolhem os recicláveis mais valorizados e deixam apenas os mais baratos para a cooperativa. “Eles já aprenderam a rota e a escala da coleta seletiva e madrugam nos bairros, nos dias certos”, afirma Gisele.

Com isso, a cooperativa teve de ampliar a estratégia de recebimento de materiais. Há algum tempo a Cooperuma vem comprando recicláveis de catadores para aumentar o volume e fechar cargas para a comercialização, especialmente de papelão e garrafas PET, que estão em falta no mercado e por isso tiveram o preço valorizado.

Mesmo assim, os volumes de materiais recolhidos são significativos. Em janeiro foram processadas 59,6 toneladas de vidro, mais de seis mil quilos de PET e 8,8 mil quilos de ferro, por exemplo. O isopor, sem valor de mercado, é doado para um artesão que fabrica pufs e utiliza o material para enchimento.

A cooperativa participa de projetos sociais, onde atuam entidades que apoiam e investem na preservação do meio ambiente. Há poucos meses o grupo ganhou uma empilhadeira, graças a uma dessas parcerias, o que ajudou a melhorar a organização interna e a movimentação de fardos compactados de recicláveis.

CONSCIENTIZAÇÃO

Para a população de Umuarama, o pedido dos cooperados é bem simples: conscientização. “As pessoas podem contribuir para a preservação do meio ambiente de diversas formas e uma delas é a separação correta do lixo. Diariamente recebemos materiais com restos de comida, fraldas sujas, animais mortos, seringas com agulhas e máscaras descartáveis. A cooperativa também já recebeu sacos com lixo hospitalar em meio aos recicláveis. Nada disso é reciclável. A separação tem de ser feita corretamente e os resíduos devem vir livres de contaminação e sujeira”, pede Gisele.

O município conta com sistemas de recolhimento diferenciados e em breve vai abrir uma licitação para que haja uma maior organização na coleta de lixo orgânico e reciclável, contratando novos trabalhadores e aperfeiçoando as estruturas, resultando em uma maior agilidade nos processos. “Temos a coleta de orgânicos, de recicláveis e de poda e folhas de árvores. O lixo hospitalar é responsabilidade dos geradores. E a população precisa fazer a sua parte, separando corretamente e colocando os resíduos nos dias certos”, orienta o diretor Matheus Batista. “Todos temos um papel muito importante no cuidado com o ambiente”, reforçou.

A presidente da Cooperuma lembra que o trabalho dos catadores é manual, por isso eles ficam expostos a riscos de acidentes com agulhas, vidro quebrado, materiais pontiagudos e cortantes. Acidentes acontecem, mas podem ser evitados com cuidados simples na hora de separar o lixo. “O vidro quebrado e materiais perigosos devem ser acondicionados dentro de garrafas pet. A população deve lembrar que os recicláveis serão manipulados, por isso pedimos essa atenção e cuidado, para proteger o nosso pessoal e também os garis que fazem a coleta diária”, completou Gisele.


Fonte: Assessoria PMU com adaptação da Redação MundoCoop


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