Cooperativas investem em transformação social

Publicado em: 09 dezembro - 2020

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O aspecto central do cooperativismo é justamente sua capacidade de transformação social. A declaração partiu do fundador e CEO da Rede Gerando Falcões – organização social que atua em periferias e favelas – Eduardo Lyra, primeiro palestrante do seminário cooperativista, que aconteceu nessa segunda-feira (7), no qual ressaltou a importância do bom exercício da liderança no mundo cooperativo. “O líder tem a obrigação de continuar mudando, para que a organização continue mudando. Parar no tempo é menos crescimento, menos negócios”, observou.

O evento foi organizado pelo Sistema Ocemg – formado pela junção do Sindicato e Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais (Ocemg) e o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo de Minas Gerais (Sescoop-MG). O evento abordou princípios, benefícios e valores da responsabilidade social.

A responsabilidade social, como tônica do cooperativismo, foi o tema abordado pelo presidente do Sistema Ocemg, Ronaldo Scucato. “É o que faz o cooperativismo diferente das demais empresas. O que nos faz diferentes é fazermos negócios, termos resultado positivo e destinar parte dele no social, no bem-estar das pessoas”, explicou.

Scucato também comentou sobre a contribuição e apoio emprestados pelo cooperativismo, em tempos de crise. “Buscar a cooperação é uma alternativa inteligente e válida. Como diz o provérbio africano, se você quiser ir rápido, vá sozinho, mas se quiser ir longe, vá em grupo. Em grupo é o coletivo, e o coletivo é a cooperativa”, definiu.

Na fase de debates, a promoção e estímulo de ações voluntárias por parte das cooperativas foi tema abordado pela gerente de Educação e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Ocemg (Organização das Cooperativas do Estado de Minas Gerais), Andréa Sayar, por ocasião da passagem do Dia C (Dia de Cooperar, comemorado em 30 de junho), iniciativa em que as instituições cooperativas promovem e estimulam diversas ações voluntárias.

Dia C – Neste ano, o Dia C, somente em Minas, reuniu 267 cooperativas, responsáveis pela elaboração de 240 projetos, em 355 municípios, mobilizando mais de 32 mil voluntários, beneficiando em torno de 3,6 milhões de pessoas. De acordo com o 15º Anuário de Informações Econômicas e Sociais do Cooperativismo Mineiro, o setor cooperativista respondeu, no ano passado, por 9,6% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro, movimentando R$ 60,8 bilhões no estado.  

Ao final, o “desenvolvimento sustentável e repercussões de ações de empresas e da população sobre a qualidade de vida no futuro” foi o tema escolhido pela palestrante, jornalista e apresentadora Aline Aguiar. “A discussão sobre sustentabilidade existe desde o século 18. A fome, os conflitos, crises, incêndios, extinção de espécies, são indícios de que o planeta tem fim. Empresas socialmente responsáveis geram valor para quem está próximo. A gente tem que ter solidariedade com as próximas gerações”, lembrou.

O evento também exibiu um ‘case’ de sucesso, como o da cooperativa de piscicultores de Morada Nova de Minas, na região central do Estado, que obteve resultados positivos, ao se dedicar à produção de tilápias. Apenas dois anos após ter início, o projeto de piscicultura já responde por 70% da renda local, envolvendo 46 pequenos produtores, em quatro frigoríficos, duas graxarias e um produtor de ração. Em vídeo, o piscicultor Ailton Batista admitiu que, no início das atividades, sequer tinha definido para quem destinaria sua produção. “Meu sonho era produzir uma tonelada de peixe, mas hoje eu produzo 45 toneladas por mês”, conta.  

Senso coletivo – A criação de um ‘senso coletivo de pertencimento entre produtores rurais’ foi enfatizada pela analista de educação e desenvolvimento sustentável sênior do Sistema Ocemg, Rouzeny das Graças Zacarias. “Encontramos a cadeia forte nos processos, mas fraca nas relações sociais. Foi preciso quase um ano para criar um grupo harmônico”, contou.

O presidente do conselho de administração do SicoobAracoop, Ramiro Ávila, que também participou do seminário promovido pela Ocemg, disse que manter os produtores focados em objetivos comuns é um trabalho constante. Em 2019, os produtores de Morada Nova de Minas colocaram no mercado 31,5 toneladas de tilápia, o que corresponde a 60% de toda a produção em Minas Gerais.


Marcello Sigwalt – Redação MundoCoop


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