Cooperativismo impulsiona a agricultura familiar em Goiás

Publicado em: 13 outubro - 2021

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COOPERATIVISMO É UMA DAS SOLUÇÕES PARA O FORTALECIMENTO ECONÔMICO E SOCIAL DA AGRICULTURA FAMILIAR EM GOIÁS (FOTO: DIVULGAÇÃO)

Boa parte dos alimentos que chega à mesa da população tem origem na agricultura familiar. Isso é comprovado pelos números. O setor é responsável por 80% do valor de produção da mandioca e 42% do feijão, além de responder por 48% do valor da produção de café e da banana. Dos mais de 5,1 milhões de estabelecimentos rurais espalhados pelo Brasil, 77% são da agricultura familiar. Em Goiás, de 152,1 mil propriedades rurais, 95,6 mil são conduzidas por agricultores familiares, o que corresponde a 62,9% do total, segundo dados do Censo Agropecuário de 2017 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Apesar de serem maioria na atividade agropecuária e da importância que exercem para a segurança alimentar, os agricultores familiares perdem em competitividade no campo para produtores de médio ou maior porte. Isso é evidente na escala de produção e desempenho produtivo, e se estende em comercialização, industrialização, logística, acesso ao crédito e investimentos em inovação.

Quando atuam de forma isolada, os pequenos produtores familiares sofrem ainda mais para conseguir agregar valor à produção, ter eficiência técnica e acessar mercado. É o que confirma um estudo divulgado, em setembro deste ano, pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), vinculado ao Ministério da Economia, juntamente com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Com o título de “Cooperativismo e Associativismo na Produção Agropecuária de Menor Porte no Brasil”, o estudo avaliou exatamente o impacto da produção familiar no País e o papel das cooperativas na agricultura familiar.

A partir de dados do Censo Agropecuário de 2017, agregados por municípios, a pesquisa foi realizada no período de um ano, com início em fevereiro de 2020, e buscou mostrar a importância das cooperativas e das associações para o crescimento produtivo dos estabelecimentos familiares. De acordo com a doutoranda em Agronegócio pela Universidade Federal de Goiás (UFG), Érica Basílio Tavares Ramos – que é uma das autoras do material -, a conclusão é que, com o desenvolvimento de práticas cooperativistas e o fomento ao associativismo, os produtores conseguem barganhar melhores preços e menores custos, o que aumenta a renda e facilita a adoção de tecnologias mais rentáveis no campo. “Fizemos uma análise estatística e, de fato, verificamos que quando o agricultor faz parte de uma cooperativa, ele passa a ter custos menores, aumenta a eficiência produtiva e consegue ter ganho de escala e de renda”, relata.

Outra avaliação, segundo ela, é que há uma diferença entre as regiões do País, quando se trata de estímulo cultural ao cooperativismo. Segundo Érica, nos estados do Sul, a cultura cooperativista é maior; enquanto no Nordeste é menor. Em Goiás, por exemplo, dos 95,6 mil estabelecimentos da agricultura familiar, 11,3 mil são cooperados, o que significa 13% dos agricultores familiares. “Isso é resultado da questão institucional, onde as cooperativas estão inseridas. Esperamos que o resultado do estudo contribua para auxiliar na formulação de políticas públicas voltadas para incentivar as cooperativas da agricultura familiar, além de aumentar a renda e o bem-estar de agricultores familiares”.

O material é assinado também pelo técnico de Planejamento e Pesquisa do Ipea, professor da Universidade de Brasília (UnB) e Federal de Viçosa (UFV), José Eustáquio Ribeiro Vieira Filho. Está disponível no site, clicando aqui

Entre instituições representativas do segmento agropecuário, é unânime a defesa de que o cooperativismo é uma das soluções para o fortalecimento econômico e social da agricultura familiar em Goiás. “São pequenos agricultores, geralmente assentados em áreas de até 20 hectares, que não têm condições de compartilhar equipamentos e acessar mercados sem que se organizem em arranjos produtivos. A melhor forma de se organizarem é numa cooperativa, pois é um modelo justo e democrático”, afirma o presidente do Sindicato e Organização das Cooperativas Brasileiras no Estado de Goiás (OCB/GO), Luís Alberto Pereira.

Atualmente, de acordo com dados da entidade, são 85 cooperativas registradas no ramo agro no Estado, sendo que 19 são da agricultura familiar. “Os benefícios para elas, ao aderirem ao cooperativismo, vão dos menores custos na aquisição de insumos, compartilhamento de máquinas e equipamentos, acesso a mercados, assistência técnica, apoio do Sistema OCB/GO, do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Goiás (Sescoop/GO) e de outras entidades do Sistema S”, destaca.

Presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira (ao centro), e equipe da Casa do Cooperativismo
visitam cooperativa da agricultura familiar, em Padre Bernardo (Foto: Sistema/OCB) 

Para conhecer melhor a estrutura dessas cooperativas da agricultura familiar e de outros ramos, assim como estreitar relacionamento e descobrir as principais demandas delas, o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, e equipes da Casa do Cooperativismo estão percorrendo as instituições no interior do Estado. “Visitamos, recentemente, a Coopafer [Cooperativa dos Agricultores Familiar e Empreendedores Rurais da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno Ride], em Padre Bernardo, e a Rede Terra, em Cristalina. São dois modelos de cooperativas de agricultura familiar referência em atuação voltada aos seus cooperados”, acrescenta.

O presidente do Sistema Faeg Senar, deputado federal José Mário Schreiner, reforça que a quantidade de cooperativas do ramo agropecuário no Estado mostra a pungência do setor produtivo rural dentro do movimento cooperativista. “Não poderia ser diferente, visto que os princípios cooperativos são sinérgicos às necessidades dos produtores rurais na busca por melhoria de renda e, principalmente, qualidade de vida. Essa sinergia pode ser comprovada em diferentes estudos que mostram que produtores associados a cooperativas têm melhor desempenho da sua produção. O melhor desempenho, muitas vezes, é também traduzido em melhor renda e qualidade de vida, visto que um dos grandes benefícios das cooperativas é o melhor posicionamento na comercialização”, acrescenta.

Mudança de realidade

Localizada a nove quilômetros de Bela Vista de Goiás, a Cooperativa Mista dos Pequenos Produtores de Polvilho e Derivados da Mandioca da Região do Cará (Cooperabs), que é filiada à OCB/GO, se encaixa perfeitamente nesse perfil de melhoria no desempenho e na renda de seus cooperados, a partir do momento que se organizaram como uma cooperativa. “Desde 1956, a nossa região tem a tradição de trabalhar com os derivados da mandioca. São várias famílias envolvidas na atividade. Porém, a partir da década de 1990, uma família começou a concorrer com a outra e isso estava prejudicando a produção”, explica o presidente da Cooperabs, José Atair da Silva Neto.

Com isso, segundo ele, passou a ocorrer escassez de matéria-prima, famílias resolveram mudar do campo para a cidade e algumas se arriscaram em desenvolver outras atividades agropecuárias, como a produção de leite. Neto reforça que houve a necessidade de fazer algo para acabar com a competição entre os agricultores, possibilitar o retorno daqueles que tinham ido embora e garantir sustento no campo. “Em 2005, os agricultores familiares resolveram montar a cooperativa. Surgiu do anseio de fortalecer a região, acessar mercado e melhorar a produção”, relata.

Hoje, são 51 famílias associadas à Cooperabs, que obtêm renda a partir da mandioca e os derivados da raiz, cultivada em uma área de 700 hectares, considerada, segundo Neto, a maior do Estado. A maioria dos cooperados produz polvilho em suas casas e chácaras e depois entrega para a Cooperabs, que ajuda na parte da comercialização. “Envolvemos homens, mulheres, filhos, enfim, todos para criar uma comunidade e tornar a nossa cooperativa mais forte. Focamos em união, espírito cooperativista e trabalho coletivo”, diz.

Neto informa que, desde 2015, eles começaram a ampliar a atuação. “Fizemos uma fábrica de farinha e outra de tapioca. Dessa forma, temos gerado renda e emprego às famílias, além de fortalecer a economia da região, que se tornou referência na mandioca e seus derivados”, diz. Nesse foco de diversificação no mercado, os agricultores familiares da Cooperabs resolveram comercializar a mandioca para duas indústrias goianas que fabricam cerveja a partir da fécula da raiz, que é a Ambev, com a Esmera de Goiás; e a partir do polvilho, que é a Colombina, com a produção da cerveja Rensga. “Quando lançaram a cerveja, a ideia era não vender a mandioca para eles. A vida inteira, a gente sempre produziu a raiz para nós mesmos processarmos, agregarmos valor e vendermos. Mas neste ano ocorreu que a cotação estava em um preço que achamos viável e, assim, os agricultores passaram a vender parte da produção para a Ambev. Esse projeto trouxe uma alternativa, um novo mercado, que a gente não vislumbrava e acabou sendo oportunidade.”

Para Neto, o Programa Cerveja de Mandioca, que é desenvolvido pela parceria entre a Ambev e o Governo de Goiás, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), Secretaria da Retomada e Agência Goiana de Assistência Técnica, Extensão Rural e Pesquisa Agropecuária (Emater), trouxe maior visibilidade para a mandioca no Estado e até mesmo para a Cooperabs. “Agora, tem sempre alguém ligando para nós para perguntar sobre a raiz, querendo informações sobre como plantar. Nos tornamos referência para outras cooperativas, assentamentos, associações e até prefeituras. Como somos o maior produtor de mandioca em Goiás, as pessoas têm vindo aqui para conhecer”, relata.

Neto acredita que o sucesso no mercado tem relação, ainda, com a produtividade média de 25 toneladas por hectare alcançada pelos agricultores familiares da Cooperabs, que é acima da média nacional, de 15 toneladas por hectare.

 Presidente da Cooperabs, José Atair da Silva Neto destaca que a mandioca é a matéria-prima
que une os agricultores familiares na cooperativa de Bela Vista de Goiás (Foto: Larissa Melo) 

A adesão ao cooperativismo também estimulou o processo de sucessão familiar no campo, destaca o presidente da Cooperabs. De acordo com ele, enquanto várias áreas rurais têm sofrido com a ida dos jovens para as cidades, na Cooperativa isso não tem ocorrido. “Tivemos 24 pessoas que terminaram cursos universitários, ou estão finalizando, e resolveram continuar trabalhando na cooperativa. Aqui se tornou uma oportunidade de mercado para eles. A gente luta para isso, para crescer não só economicamente, mas fortalecer a parte social e garantir qualidade de vida. Antes a opção era ir para a cidade. Agora eles sabem que se resolverem ficar na roça, terão lugar para trabalhar. Nascemos na zona rural e gostamos de morar aqui”, afirma.

Por fim, Neto usa o exemplo do pai para resumir como o sistema cooperativista tem mudado a realidade de agricultores familiares. “Antes da cooperativa, meu pai tinha que plantar, produzir e comercializar. Na hora de produzir, era bom. Na hora de comercializar, não tinha conhecimento técnico. Ele vendia e não recebia, por exemplo. Com a Cooperabs, hoje ele fica focado no que faz melhor, que é o trabalho de produção. A cooperativa atua na parte comercial. É uma cooperação que traz resultados”, enfatiza.

Orientar, qualificar e formalizar

Um dos benefícios de fazer parte do sistema cooperativista é a oportunidade de buscar qualificação profissional em diferentes áreas como gestão, vendas, marketing e outras, que ajudam a entender melhor a formalização e o funcionamento de uma cooperativa. De forma individual ou por meio de parcerias, instituições ligadas ao setor agropecuário oferecem capacitações e orientações. É o caso do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar Goiás). Além de assistência técnica, que fortalece o trabalho de agricultores familiares em várias cadeias produtivas no Estado, a instituição realiza cursos e treinamentos, como o de Cooperativismo Rural. De acordo com a coordenadora técnica de Promoção Social do Senar Goiás, Andreia Peixoto, o objetivo tem sido desenvolver uma visão sobre as bases e a organização das cooperativas, conforme preconizado pela legislação e normas específicas.

Andreia explica que o público-alvo do treinamento é o produtor rural, independente do tamanho da propriedade, tipo de produção agrícola e quantidade de funcionários. “No entanto, o Senar Goiás oferta um módulo específico para o agricultor familiar que deseja conhecer as políticas públicas para a área”. Ela acrescenta que os resultados alcançados com a capacitação são representados pelos próprios produtores que passam a conhecer fundamentos, valores e princípios do cooperativismo, reconhecer a estrutura organizacional e operacional da cooperativa, saber os procedimentos de constituição, formalização da documentação e registro de cooperativas rurais etc. “Ao participar do treinamento em Cooperativismo Rural, o produtor compreende o valor da cooperação em nossas vidas, estuda a economia solidária e o cooperativismo como formas alternativas para a geração de trabalho e renda”, afirma.

Coordenadora técnica de Promoção Social do Senar Goiás, Andreia Peixoto enfatiza que,
com a capacitação, o produtor passa a entender o valor da cooperação (Foto: Fredox Carvalho) 

O Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Goiás (Sescoop/GO) é também uma entidade que atua na capacitação técnica dos cooperativistas goianos. Em 2019 e 2020, mais de 650 ações de formação profissional foram desenvolvidas no Estado, atendendo mais de 20 mil pessoas. De acordo com o presidente do Sistema OCB/GO, Luís Alberto Pereira, a qualificação contribui para uma gestão mais eficiente das cooperativas, resultando no fortalecimento econômico e social do cooperativismo goiano.

Na vertente de formalização de novas cooperativas, o Sistema OCB/GO criou, ainda, o IncubaCoop Goiás, que é um Programa de Incubação de Cooperativas. As cooperativas incubadas que aderirem ao programa poderão usufruir, por até um ano, de um espaço físico com estrutura, direito a uso de internet, energia elétrica, água e climatização. Em contrapartida, as cooperativas deverão assinar o compromisso de se registrarem e se filiarem à OCB/GO, entre outros requisitos. “Junto a outras entidades do Sistema S, lideranças locais e poder público, criamos o programa exatamente para mobilizar e sensibilizar as comunidades no sentido da cooperação e da formalização”, revela Luís Alberto Pereira.

A iniciativa é um dos principais projetos do Programa Coopera Goiás, resultado de parceria entre Governo de Goiás, Sistema OCB/GO e Sistema S. O objetivo é estimular a criação de 200 cooperativas até o fim de 2022 no Estado, gerando, aproximadamente, 30 mil empregos diretos e indiretos. Para isso, estão previstos investimentos de R$ 3,2 milhões, por meio de convênio entre o Estado e o Ministério da Cidadania. A expectativa é atender, diretamente, cinco mil pessoas, sendo 3.750 de empreendimentos solidários, como agricultores familiares, pescadores, extrativistas, quilombolas etc.

Também com foco em ampliar a quantidade e formalizar novas cooperativas, o Sistema OCB/GO e o Governo de Goiás, por meio da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg), assinaram um convênio, em setembro, que resultou na publicação de uma resolução que formaliza a concessão de desconto de 80% para o registro de novas cooperativas. As entidades que vierem a fazer parte do Incubacoop Goiás estarão aptas a receber o benefício, desde que sigam critérios como observação do porte, ramo de atividade, capital social e a quantidade de filiais da sociedade cooperativa.

A Secretaria de Estado da Retomada, que é responsável pelas políticas públicas voltadas ao cooperativismo no Estado, atuará na verificação do cumprimento dos requisitos e também no recebimento e análise dos formulários dos interessados no desconto. “O intuito de todo esse trabalho é fortalecer as cooperativas goianas, a partir de conexões com parceiros para oferta de consultoria, palestras, acompanhamentos de processos constitutivos e redes de apoio”, destaca a superintendente da Retomada do Trabalho do Emprego e da Renda, Raíssa Rodrigues.

Políticas públicas de desenvolvimento

Segundo o superintendente de Produção Rural Sustentável da Seapa, Donalvam Maia, a iniciativa pública tem importante função de incentivo ao cooperativismo. Ele reforça que leis, políticas públicas e programas foram e estão sendo criadas, por diferentes esferas do governo, para estimular a união das pessoas na formação de cooperativas, assim como facilitar o processo de comercialização dos produtos de agricultores familiares. É o caso do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA Estadual), que em Goiás é desenvolvido por meio de parceria entre o Estado e o governo federal. De acordo com Donalvam, o programa estimula os agricultores, que integram as cooperativas, a comercializarem seus produtos para o governo. “Se o agricultor que participa do PAA é cooperado, tem mais chances de sucesso de seu projeto ser aprovado na compra institucional”, afirma.

Na Cooperativa dos Apicultores e Agricultores Familiares do Norte Goiano (Coopermel), localizada em Porangatu, 19 pequenos produtores foram contemplados no PAA Estadual. “O programa tem por finalidade beneficiar os agricultores de forma individual, mas quem faz parte de cooperativa de agricultura familiar tem um bônus na pontuação da seleção. Sendo assim, participamos indiretamente, já que alguns cooperados nossos foram contemplados com o programa”, relata o presidente da Coopermel, José Renato de Freitas Almeida. De acordo com ele, toda iniciativa que estimula a agricultura familiar é bem-vinda. “Por isso, de forma direta ou indireta, buscamos participar de programas governamentais, como o PAA e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), porque contribuem para o aumento da renda e qualidade de vida de nossos cooperados”. No total, 823 produtores da agricultura familiar, de 92 municípios goianos, foram selecionados para a participação no PAA Estadual, a partir da publicação de dois chamamentos públicos no segundo semestre de 2020, com recursos da ordem de R$ 5,36 milhões captados do Ministério da Cidadania.

Criada há 16 anos, a Coopermel atua com foco no fortalecimento da apicultura e da agricultura familiar no Norte goiano. Hoje, são 70 cooperados ativos, mas a cooperativa beneficia, direta e indiretamente, 300 pessoas. “É um desafio grande, porque o agricultor familiar sabe produzir, semear, plantar e colher, mas tem muita dificuldade na comercialização, na parte burocrática da porteira para fora. Isso a cooperativa faz com maestria, rentabilizando o agricultor e dando tranquilidade para que produza com a certeza de que seus produtos terão venda e recebimento garantido”, enfatiza José Renato.

O agricultor familiar Reneilton Pereira da Silva, de Porangatu, faz parte da Coopermel e vende
parte de sua produção por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (Foto: Divulgação)

O agricultor familiar Reneilton Pereira da Silva faz parte da Coopermel e foi contemplado no PAA Estadual. Filho de produtores rurais, ele possui uma propriedade rural a 45 quilômetros de Porangatu, onde toca a produção com a mãe e a esposa. Por lá, cultivam milho, arroz, mandioca, banana, abóbora, gergelim, quiabo, cana-de-açúcar e batata doce, além da criação de suíno e de pecuária leiteira. Segundo o produtor, por intermédio da Cooperativa e da Emater, ele soube do PAA Estadual e visualizou no programa a oportunidade de ampliar a comercialização de seus produtos. Reneilton foi contemplado para a venda de mandioca, banana e abóbora. “Começamos as entregas em abril e avalio que é um dos melhores programas para a agricultura familiar que participo. Com esse apoio na comercialização, até programo investimentos na propriedade, como um poço para ajudar na irrigação”, comemora.

No que tange ao poder público, há ainda o trabalho da Emater Goiás, agência que atua fortemente junto aos agricultores familiares e às cooperativas no Estado, especialmente na extensão rural, assistência técnica, pesquisa, orientação de potencial produtivo e acesso ao crédito. Segundo o diretor de Assistência Técnica e Extensão Rural da Emater, Antelmo Teixeira Alves, boa parte das cooperativas goianas tiveram a participação de extensionistas da agência na sua formação. “Desde sua criação, há 60 anos, a Emater trabalha o cooperativismo, porque concentra suas ações no grupo. Sabemos que, com certeza, em todos os lugares do mundo, sempre a produção e a venda associadas são o melhor caminho para agregar valor aos agricultores familiares”, informa.

É com essa visão, de agregar valor à produção de agricultores familiares de Buritizinho e região, distrito de Orizona, que foi criada, em 2009, a Cooperativa Mista dos Agricultores Familiares de Buritizinho e Região (Coomafab). Com 270 cooperados, a entidade desenvolve um trabalho voltado para a negociação do leite e compra de insumos. De acordo com o secretário da Coomafab, Osmando Ferreira de Sousa – que também é agricultor familiar -, por meio de parceria e assistência técnica, foi possível estimular a produção de leite entre os cooperados e ainda ampliar a atuação da cooperativa. “A Coomafab tornou-se referência no projeto de castanha de baru devido ao fato de termos uma grande produção nativa na região. No início, buscamos incentivar a coleta da castanha pelos cooperados. Para isso, foram feitos encontros e palestras para informá-los sobre a importância da coleta e comercialização de forma a trazer renda extra para as famílias envolvidas no projeto”, afirma. Ele acrescenta que foram realizados investimentos, por meio de crédito rural, na implantação de uma área com equipamentos para beneficiar e armazenar o baru na sede da cooperativa.

Crédito para transformar

Entre as vantagens do sistema cooperativista está, ainda, a maior capacidade de organização para buscar crédito no mercado. Com recursos em mãos, o agricultor consegue planejar suas atividades e investir em benfeitorias, suprimentos, insumos, inovação e tecnologia nos estabelecimentos rurais. A Emater Goiás faz a assistência técnica e extensão rural, compreendendo o crédito rural. A agência contribui, com o agricultor ou cooperativas, na elaboração de plano ou projeto, assim como orientação técnica em nível de imóvel ou empresa. O produtor interessado em acessar o crédito rural deve procurar a Unidade Local da Emater do seu município ou entrar em contato com a Coordenaria Regional onde o município está situado. É possível obter mais informações também pelo site.

Outra forma de acessar os recursos é por meio das cooperativas de crédito rural. Em Goiás, o Sicredi é uma dessas instituições que atuam junto à agricultura familiar, com o intuito de fomentar o desenvolvimento econômico, gerar emprego, sustentabilidade e agregar renda aos associados. Atualmente, a cooperativa possui 32 agências espalhadas pelo Estado, que operam com diferentes linhas de crédito rural como Custeio Agropecuário, Aquisição de Insumos, Investimentos Agropecuários, Programas BNDES, Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Investimento), FCO Desenvolvimento Rural e Cédula de Produto Rural (CPR) e Comercialização.

 Consultor de Negócios da Central Sicredi Brasil Central, Rodrigo Silveira destaca que tem aumentado
o volume de crédito liberado para o Pronaf, que é da agricultura familiar (Foto: Divulgação/Sicredi)

De acordo com o consultor de Negócios da Central Sicredi Brasil Central, Rodrigo Martins Silveira, nas duas últimas safras (19/20 e 20/21), o Sicredi registrou crescimento de 39% em valores liberados, sendo que para o público Pronaf – que é o da agricultura familiar -, o aumento foi de 29%, cerca de R$ 6,1 bilhões no volume liberado com mais de 137 mil operações para os pequenos produtores. Ele informa que isso é reflexo da capacidade de organização das cooperativas e do relacionamento com os associados. “O cooperativismo é um modelo de negócio feito por pessoas para as pessoas. Um jeito de empreender colaborativo, em que o cooperado é o dono do negócio, a gestão é democrática e o foco vai muito além do desenvolvimento econômico. Através do cooperativismo, é possível a transformação do pequeno produtor em empresário rural, a melhoria da qualidade da produção e de vida, a assistência técnica sempre presente nas propriedades e o aumento da rentabilidade financeira”, completa. 


Fonte: Jornal A Redação


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