Cooperativismo movimenta a economia de Santa Catarina

Publicado em: 17 junho - 2021

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As cooperativas assumem o protagonismo e registram mais de R$4 bi em lucros que são repartidos entre os cooperados

Hoje, 11% do Produto Interno Bruto (PIB) do estado de Santa Catarina vêm do cooperativismo. São mais de três milhões de catarinenses associados a alguma das 251 cooperativas que existem no estado, conforme dados de 2020 fornecido pelo presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo no Estado de Santa Catarina (Sescoop/SC), Luiz Vicente Suzin. O ano foi de desenvolvimento para as cooperativas catarinenses, que obtiveram receita operacional bruta de R$49,8 bilhões, o que equivale ao maior crescimento das últimas décadas do setor, 23,3%.

— O cooperativismo tem uma extraordinária importância social e econômica para Santa Catarina. As cooperativas geram empregos, fomentam negócios, criam riquezas. Foi comprovado que nos municípios onde existe cooperativismo atuante, o IDH (índice de desenvolvimento humano) é mais elevado — relata Luiz Vicente Suzin.

Para o presidente da Ocesc, além de gerar riquezas, o cooperativismo moderniza e dinamiza os diferentes setores, “como a produção de aves, suínos, grãos e leite, o crédito para o desenvolvimento da economia local, serviços especializados de saúde, distribuição de energia elétrica, transporte de cargas etc”.

A intercooperação também é muito presente no cenário catarinense do cooperativismo. Ou seja, as cooperativas atuam de forma conjunta em prol de um interesse mútuo. A ação de intercooperar com a soma dos esforços, fez das cooperativas uma cadeia produtiva forte, segundo o presidente da Fecoagro, Arno Pandolfo.

— O cooperativismo Catarinense sempre esteve alicerçado em princípios sólidos, é destaque entre as federações do Brasil e vem crescendo de forma sustentável e exemplar no fomento, industrialização e comercialização da produção dos cooperados. A ideia de cooperar para crescer se encaixa perfeitamente nesse contexto, além de todo trabalho que o sistema cooperativista faz junto aos cooperados, fomenta o desenvolvimento econômico nas regiões de atuação, com investimentos, geração de empregos, ações sociais, geração de impostos, distribuição de sobras e inúmeras ações voltadas ao fomento, melhoria da produção, gestão das propriedades e melhoria da renda das pessoas — afirma Pandolfo.

As cooperativas também são importantes na geração de empregos no Estado. De acordo com dados da Ocesc, as cooperativas mantêm 73.332 colaboradores diretos e, em 2020, foram criados mais de cinco mil novos postos de trabalho.

— O cooperativismo é sinônimo de crescimento para as cooperativas, os cooperados e a comunidade regional envolvente. O quadro de associados, também chamados de cooperados, envolve mais da metade da população catarinense. Toda essa comunidade laboral é beneficiada direta ou indiretamente pela ação das cooperativas — explica Luiz Vicente Suzin.

Cooperativismo agro

Entre tantos segmentos em que o cooperativismo se insere está o agronegócio. Santa Catarina conta hoje com 46 cooperativas agropecuárias, que juntas representam 69,2% de toda a economia do setor cooperativista. Só em 2020, as cooperativas agropecuárias cresceram 34% e faturaram R$34,4 bilhões.

— O cooperativismo é uma das grandes forças propulsoras da economia de Santa Catarina. A união dos nossos produtores é uma das maiores características do agronegócio catarinense e um dos nossos diferenciais. É a partir dessa união e colaboração que pequenos produtores rurais podem ganhar escala e competir no mercado mundial — ressalta o secretário de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural, Altair Silva.

O bom ano para as cooperativas é motivo para comemorar, mas também, é necessário olhar para o futuro. A perspectiva, de acordo com Arno Pandolfo, é seguir crescendo e gerando alimentos, mas também buscar por investimentos em novas tecnologias e estudos, facilidade na logística e melhora na produtividade.

— Acreditamos que estamos em uma trajetória de aumento da demanda e uma alta de preços das commodities, e com isso o agronegócio e as cooperativas inseridas nesse setor devem continuar firmes com crescimento sólido, gerando renda aos cooperados e sendo propulsoras do crescimento econômico nas regiões de atuação. Muitos investimentos estão sendo viabilizados e muitos ainda irão ser concretizados nos próximos anos — afirma o presidente da Fecoagro.

Cooperativas de crédito estão em ascensão

As cooperativas de crédito também são destaque no quesito crescimento. De acordo com dados da Ocesc, são 62 cooperativas de crédito no Estado, que juntas somam 2,2 milhões de cooperados e geram mais de 11 mil empregos. Ao todo, as cooperativas do ramo movimentaram R$6,4 bilhões.

— É crescente o protagonismo das cooperativas de crédito em Santa Catarina. O ramo de crédito apresenta o maior número de associados e a segunda posição em movimento econômico — aponta Luiz Vicente Suzin.

Valores que ultrapassam gerações

Os princípios do cooperativismo são valores passados de geração em geração. Em muitos casos, são valores que os pais passaram para os filhos e que irão levar para os netos e, assim, sucessivamente. Adesão livre e voluntária, participação econômica, educação, gestão democrática, autonomia e independência são os valores do cooperativismo que são fundamentais.

— O alicerce do cooperativismo são os seus princípios, com investimentos na formação, informação e educação. Em parceria com a Ocesc/Sescoop, é feito um trabalho muito grande e bonito com as famílias dos cooperados e colaboradores, para difundir práticas e conceitos do cooperativismo, técnicas de gestão, desenvolvimento humano e inúmeros temas voltados ao desenvolvimento das relações humanas e o fortalecimento do cooperativismo — afirma Arno Pandolfo, presidente da Fecoagro.

Manter-se fiel aos valores do cooperativismo é o que contribui, também, para os bons resultados econômicos. Além de repartir os valores com todos os associados ao final de cada ano, as cooperativas buscam investir o lucro nas comunidades que estão inseridas. Só em 2020, as cooperativas catarinenses contabilizaram de lucro R$4,4 bilhões, 92% a mais do que no ano anterior.

— As cooperativas se transformaram nas verdadeiras indutoras do desenvolvimento local e regional. Elas distribuem suas sobras na proporção direta do esforço e da participação de cada cooperado. Os estatutos das cooperativas e/ou a assembleia geral ordinária definem, em regra, que parcela dos resultados será capitalizada e qual será devolvida aos cooperados — explica Luiz Vicente Suzin.

A força do cooperativismo é o trabalho dos que participam, direta ou indiretamente. Os ensinamentos que eles trazem geram valores e agregam as pessoas em busca de um mesmo objetivo.

— As famílias perceberam que conhecer, cultuar e praticar a cultura cooperativista com base nesses valores é essencial para a perenidade e o sucesso das cooperativas. A prática dos valores cooperativistas contribui para os resultados financeiros e econômicos almejados — finaliza Luiz Vicente Suzin.


Fonte: G1


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