Embrapa Pantanal expande atuação pelo MS e outros estados brasileiros

Publicado em: 29 junho - 2016

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Pesquisas no bioma são a razão da existência da Embrapa Pantanal, sendo que a unidade de Corumbá (MS), há 40 anos, dedica-se a fornecer conhecimento científico para manter o bioma conservado e, ao mesmo tempo, orientar a produção econômica do Pantanal, região que, além de frágil, é cenário de uma rica biodiversidade a ser explorada de maneira sustentável.

Embora o foco das pesquisas seja o Pantanal, cada vez mais o conhecimento da equipe técnica que atua no bioma vem sendo demandado por outras regiões do país. Entre as atividades de pesquisa e transferência de tecnologias que os pesquisadores da Unidade vêm desenvolvendo em outras localidades, destaca-se Brasilândia (MS), localizada na faixa leste do Mato Grosso do Sul, onde o pesquisador Walfrido Tomás está testando protótipos de colar de GPS para monitoramento de animais silvestres, como cervos, queixadas, jacarés e veados mateiros. O mesmo teste está sendo desenvolvido no Pantanal, em Corumbá.

Uma pesquisa de campo para monitoramento de javalis está sendo desenvolvida pela Embrapa Pantanal em Rio Brilhante (MS). Guilherme Mourão, pesquisador do Laboratório de Vida Selvagem, disse que os animais estão sendo acompanhados por meio de colar de GPS e armadilhas fotográficas. A pesquisa busca contribuir com a OIE (Organização Mundial de Sanidade Animal), que está preocupada com a expansão descontrolada de javalis em várias partes do mundo.

A pesquisadora Márcia Divina, da área de limnologia, tem atuado na usina de Porto Primavera, no município de Rosana (SP). “Finalizamos um teste para uso de equipamento ultravioleta para o controle de larvas do mexilhão dourado dentro da usina. Esse acompanhamento começou há dois anos e a finalidade é buscar tecnologias alternativas à química para controlar a disseminação do mexilhão. A pesquisadora também vem orientando a equipe do Instituto de Pesca que atua no reservatório de Canoas, em Assis (SP), no rio Paranapanema. O mexilhão dourado apareceu também no rio São Francisco, o que levou Márcia a colaborar na confirmação da introdução do molusco no reservatório de Sobradinho, que está localizado nos municípios baianos de Sobradinho e Casa Nova. Em Jaciara (MT), junto com a pesquisadora Débora Calheiros, no âmbito do projeto Agrohidro (Macroprograma 1 da Embrapa), elas desenvolvem pesquisas que avaliam o transporte de nutrientes em áreas de produção e pastagens.

junho2Ainda em aquicultura e pesca, Jorge Lara, Agostinho Catella e Emiko Resende estão empenhados em formalizar um convênio de cooperação técnica com o IFMS (Instituto Federal de Mato Grosso do Sul) de Coxim (MS). Vários encontros presenciais já aconteceram entre as duas equipes, inclusive com a troca de conhecimentos por meio de palestras. O foco da transferência de tecnologias e projetos deve ser a pesca e aquicultura.

Por outro lado, Maringá (PR) tem sido destino razoavelmente frequente do pesquisador Jorge Lara desde a finalização do projeto Aquabrasil, em 2011. Jorge Lara também integra a Câmara Setorial de Aquicultura do Estado de Mato Grosso do Sul e está participando de um mapeamento da aquicultura no Estado. Além disso, ele faz parte do Comitê Gestor do Portfólio de Aquicultura da Embrapa e atua regularmente na definição de oportunidades de P, D & I e para a definição do olhar da Embrapa e de sua política de transferência de tecnologias para o setor.

Pesquisas sobre alimentação alternativa para galinhas poedeiras têm levado os pesquisadores Raquel Soares e Frederico Lisita a uma atuação expandida no campo da agricultura familiar. Apenas nos últimos meses eles transferiram tecnologias para agricultores familiares das regiões de Dourados (MS) e Miranda (MS), sendo que nesse último o público contemplado foram os indígenas. Durante o 1º Agroecoindígena, representantes de várias aldeias acompanharam oficinas promovidas pelos dois pesquisadores e já solicitaram novas ações no município. Pesquisas sobre as galinhas poedeiras também têm envolvido uma parceria com a Fundação Bradesco, em Miranda (MS), com estudos sobre o uso da moringa como suplementação alimentar.

A tudo isso, soma-se o trabalho que a Embrapa Pantanal tem desenvolvido de acompanhamento frequente dos núcleos de criação de bovino pantaneiro nos municípios de Rio Negro, Guia Lopes da Laguna e Aquidauana (MS). Trata-se de um projeto de desenvolvimento, e não de pesquisa, desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira de Criadores de Bovinos Pantaneiros, fundada em 2013. Pesquisas têm sido desenvolvidas pela UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), no núcleo de Aquidauana.

O pesquisador Urbano Gomes Pinto de Abreu esteve recentemente em Tauá (CE) participando de uma análise de sistemas de produção de pequenos produtores por um projeto do Macroprograma 4 da Embrapa. Três localidades serão estudadas: Tauá, Juazeiro (BA) e Campo Grande (MS). Segundo ele, serão montadas URTs (Unidades de Referência Tecnológica) para se avaliar, principalmente, a transferência de tecnologias para pequenos ruminantes (caprinos, ovinos) e outros animais (galinhas, capotes, entre outros). Bagé, no Rio Grande do Sul, é outro município para onde a Embrapa Pantanal está levando seu conhecimento. Os pesquisadores Urbano e Eriklis Nogueira participam do projeto PoloGen, liderado pela pesquisadora Bruna Sollero, em que farão análise de raças típicas do sul do país, em especial Hereford e Angus. “Faremos uma análise genética do que produzem lá. São raças que estão chegando ao Centro-Oeste, há exemplares em Campo Grande e no Pantanal”, comentou Urbano.

Em Nova Andradina (MS), o pesquisador Luiz Orcírio Fialho de Oliveira desenvolve estudos sobre a engorda de bezerros nascidos aqui no Pantanal e submetidos às avaliações feitas durante o projeto +Cria, coordenado por Eriklis. Essa nova etapa se chama +Precoce. Na Embrapa Gado de Corte (Campo Grande-MS) será desenvolvido o +Engorda, outra etapa do projeto.